Com trégua na chuva e um sol tímido em Porto Alegre, o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 movimentou a cidade durante a manhã deste domingo (9). Na Capital, são 35,1 mil inscritos. Em um dos principais locais de prova no Estado, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), o clima era de expectativa e nervosismo.
A universidade começou a receber movimento ainda pela manhã, mas o acesso aos prédios onde ficam as salas de prova foi liberado apenas a partir do meio-dia, horário oficial da abertura dos portões. Muitos candidatos chegaram com antecedência para evitar intercorrências e aproveitaram o tempo de espera para comer, revisar alguns conteúdos ou relaxar.
— Eu não queria me atrasar de maneira alguma e os meus pais disseram para sairmos às 11h de casa. Não moramos muito perto, mas chegamos rápido aqui. É melhor prevenir do que remediar, então quis chegar antes, explorar o lugar, achar o meu prédio e esperar perto — disse a estudante Eduarda da Silva, 18 anos, que pensa em cursar Psicologia ou Biomedicina.
— Moro perto daqui, então cheguei cedo, pouco antes do meio-dia. Assim que der, vou entrar na minha sala e me concentrar. Quero esperar o momento com calma para não ter muita ansiedade — explicou a aposentada Rejane Corrêa, 60 anos, que estuda Psicologia na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e busca conseguir um desconto na mensalidade.
Os portões fecharam às 13h em todo o país. Na PUCRS, alguns estudantes chegaram atrasados e tiveram dificuldades para entrar nos prédios.
O exame começou às 13h30min, e os alunos têm até as 19h para responder 90 questões objetivas das provas de Ciências Humanas e Linguagens (45 de cada área do conhecimento) e para fazer a prova de Redação. Neste ano, o tema é “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.

— Estou com medo da prova de Redação e das provas de exatas, na semana que vem. Mas acho que vou ir melhor hoje — previu o estudante Pedro Cunha, 22, que quer cursar Cinema e Audiovisual.
O jovem estava acompanhado da mãe, Tatiane Prola, 49, que já é formada, mas nunca tinha feito o Enem. Decidiu realizar a prova porque quer voltar a estudar. Assim como ela, outros pais levaram o apoio aos filhos para outro nível. O petroleiro Álvaro Luis Hilario, 57, e a sua esposa, a funcionária pública Andréia Loviane Silva, 56, também vão fazer a prova para acompanhar o filho de 18 anos que sonha em cursar Medicina.
— Ele nos ensinou a fazer a redação. Nos deu aulas de filosofia e sociologia. Nós ajudamos ele com as exatas e com alguma coisa de humanas. Tivemos uma troca e ele nos obrigou a fazer a prova — brincou Andréia, enquanto segurava um papel com sugestões do filho para mandar bem na redação.

— Nós dois já temos formação Superior. Mas estamos aqui. A expectativa é nós três sermos aprovados. Ele para Medicina, minha esposa para Engenharia Química e eu para Engenharia Mecânica — confessou o pai do menino.
Problemas de logística atrasam o Enem
Candidatos que fariam a prova no prédio que pegou fogo na quarta-feira (5) no Centro Histórico e foram realocados tiveram dificuldades para iniciar a prova. No Instituto Estadual Rio Branco, houve uma confusão com a organização e a capacidade das salas. De acordo com relatos dos pais que acompanhavam a movimentação, alguns estudantes ficaram quase uma hora depois do fechamento dos portões reunidos no pátio do colégio aguardando um local para fazer o exame.
— Minha filha ia fazer a prova lá no Centro e foi realocada para cá. Chegamos aqui antes do meio-dia e já tinha duas filas enormes, uma de pessoas que sabiam a sala e outra de pessoas que não sabiam. Ela está me mandando áudio dizendo que está uma confusão, que os estudantes estão chorando, nervosos, com medo de não conseguir fazer a prova. Ela quer Medicina, fez cursinho o ano inteiro, estudou muito. É muito injusto — comentou Miriane Oliveira da Silva, 47.
Às 14h, os alunos ainda não tinham começado a prova. Alguns pais entraram do colégio antes do fechamento dos portões e tentavam acalmar os filhos enquanto buscavam respostas. Emerson Nunes da Silva, 49, saiu de dentro do local de prova acompanhado de outros pais que acompanhavam de perto a situação.
— Ela veio do Centro e não tinha a sala certa. A sala era um número lá e outro número aqui, aí teve confusão. Eles tiveram que realocar. Eu entrei lá, fui atrás e busquei. Já estão quase todos alocados, mas só vão começar a prova quando estiver tudo certo. Aí vão dar tempo a mais para eles terminarem — comentou Silva, pai de uma menina de 17 anos que fará a prova pela primeira vez.
A reportagem de Zero Hora tentou contato com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mas não obteve informações até o fechamento desta reportagem.




