Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, nesta segunda-feira (10), a secretária da Educação do Rio Grande do Sul, Raquel Teixeira, negou que o sistema de "progressão parcial" tenha influenciado os resultados positivos obtidos pelo Estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025.
A progressão parcial permite que estudantes passem de ano mesmo quando reprovados em parte das disciplinas. O Ideb, que mede o desempenho dos estudantes dos Ensinos Fundamental e Médio, mostrou que, em comparação com 2023, ano da última avaliação, houve crescimento em todas as etapas de ensino no Estado.
— Isso (a progressão parcial) não conta, não influi no resultado final. E, nesse Ideb de 2025, ainda não estava em vigor essa progressão parcial. Então, não tem implicação nenhuma — afirmou.
Conforme os dados mais recentes da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), de 720 mil alunos do Ensino Médio e Fundamental regular, 7.979 ficaram em progressão parcial — sem considerar outras modalidades. O número corresponde a 1,13% do total de estudantes da rede.
Do montante que estava em progressão e que está contemplado no Ideb, 6.982 já realizaram a prova, finalizando assim a progressão. Segundo a Seduc, outros 997 ainda precisam fazer a avaliação em setembro.
O número de alunos ainda pendentes de avaliação caiu bastante desde os dados de maio — quando eram 4.815 e incluíam todas as etapas do Ensino, como EJA e técnico, por exemplo. De acordo com a Seduc, a evolução se deu porque as escolas vão realizando a avaliação para os estudantes ao longo do trimestre.
— É desinformação achar que isso (a progressão parcial) melhorou alguma coisa. Paraná faz isso, Ceará, todos os Estados têm. É o sistema de dependência que as escolas privadas têm. Não criei nada novo. Isso está previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, desde 1996 — alegou a secretária.
Questionada pela reportagem sobre qual era o cenário das reprovações no período considerado pela avaliação do Ideb, Raquel disse que não é possível mensurar, uma vez que a recuperação era combinada pela própria escola com o aluno, e não havia contabilização formal de dados para comparação.
Melhora nos resultados
Os dados do Ideb 2025 foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) na última quarta-feira (5). Considerado o principal indicador de qualidade do ensino brasileiro, o Ideb inclui notas das redes pública e particular.
No Ensino Médio, a rede estadual subiu da 14ª para a 5ª posição entre as redes estaduais (de 3,9 em 2023 para 4,7 em 2025). No Ensino Fundamental, o ensino público do Estado passou da 12ª para a 5ª posição entre as redes estaduais (de 4,7 em 2023 para 5,4 em 2025). A secretária atribuiu a melhora ao esforço conjunto da rede pública, afirmando que a média teve elevação não só na taxa de aprovação, como na proficiência:
— Acho que a secretaria hoje tem uma estrutura preparada para avançar e esse resultado que a gente está vendo é fruto do engajamento das escolas.
Ela apontou que, neste ano, estão sendo monitorados quatro índices atribuídos como essenciais:
- frequência dos alunos
- o percentual de aulas dadas
- as notas dos estudantes
- aplicação dos recursos do Agiliza, dinheiro que vai direto e que permite ao diretor fazer inovações rápidas e melhorias na escola
A titular da pasta também acredita que os estudos de aprendizagem contínua possam ter refletido nas melhorias. O projeto estipula que, a cada final de trimestre, a escola pare por duas semanas, reagrupando os alunos pelas dificuldades para que, em grupos, o professor atenda as questões, com ajuda dos estudantes que dominam os conteúdos como monitores.
— A gente faz avaliação diagnóstica, no início do ano, em todas as turmas, e o professor recebe na devolutiva o que é que cada aluno não sabe. Então, a gente tem indicadores muito claros e os professores aprenderam a trabalhar com evidências. Quando você acompanha diariamente, mensalmente, você vai fazendo as intervenções na hora certa, não deixa chegar lá em dezembro — argumentou.
Pelo Censo de 2025, o RS teve redução nas taxas de reprovação, que passaram de 11,1% para 5,8% no Ensino Médio, de 8,3% para 3,7% nos Anos Finais e de 4% para 2,2% nos Anos Iniciais.
Teixeira também elencou como importante para os resultados a política de proteção à trajetória escolar, em que a escola faz um monitoramento mensal da frequência do estudante e elabora um plano de permanência para evitar o abandono ou evasão. De 2024 para 2025, a taxa de abandono caiu em todos os níveis de ensino da rede estadual: de 5,4% para 2,7% no Ensino Médio, de 1,1% para 0,5% nos Anos Finais (6º a 9º ano do Fundamental) e de 0,4% para 0,2% nos Anos Iniciais (1º a 5º do Fundamental).
— Nós estamos criando oportunidades de permanência, porque o mal maior é o aluno abandonar, evadir, ir para a marginalidade, para a informalidade, e, eventualmente, até para a criminalidade — enfatizou a secretária.

