
Porto Alegre melhorou seu desempenho no principal indicador de qualidade da Educação Básica em 2025, mas continua entre os piores resultados do Rio Grande do Sul e das capitais brasileiras. O avanço ocorreu principalmente porque os alunos tiveram melhor desempenho nas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), e não por um aumento das taxas de aprovação.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado na quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação, reúne os resultados do Saeb e os índices de aprovação dos estudantes. Na rede municipal da Capital, o indicador passou de 4,7 para 5,0 nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e de 3,8 para 4,2 nos Anos Finais.
Apesar da melhora, a rede municipal continua com um dos piores desempenhos do Estado e do país. Entre as 11 maiores cidades gaúchas, tem o pior resultado nos Anos Iniciais e nos Anos Finais. No Rio Grande do Sul, ocupa a 376ª posição entre os 385 municípios com resultado divulgado nos Anos Iniciais e a 306ª entre 323 municípios nos Anos Finais.
Na comparação entre as capitais brasileiras, Porto Alegre ficou em penúltimo lugar nos Anos Iniciais, à frente apenas de Natal, e com o terceiro pior desempenho nos Anos Finais, à frente de Natal e Porto Velho.
Ideb das 11 maiores cidades do RS (rede municipal):
Anos Iniciais
- Novo Hamburgo – 6,2
- Caxias do Sul – 6,1
- Santa Maria – 5,9
- Gravataí – 5,9
- Passo Fundo – 5,7
- Viamão – 5,7
- São Leopoldo – 5,4
- Rio Grande – 5,4
- Canoas – 5,3
- Pelotas – 5,1
- Porto Alegre – 5,0
Anos Finais
- Novo Hamburgo – 5,1
- Caxias do Sul – 5,0
- Santa Maria – 4,9
- Gravataí – 4,8
- Viamão – 4,7
- Canoas – 4,6
- Passo Fundo – 4,6
- Rio Grande – 4,5
- São Leopoldo – 4,5
- Porto Alegre – 4,2
- Pelotas – 4,2
Os dados mostram que o avanço da rede municipal registrado nesta edição do Ideb foi impulsionado principalmente pela melhora da aprendizagem dos estudantes, medida pelo desempenho nas provas de português e matemática do Saeb.
Nos Anos Iniciais, a taxa de aprovação permaneceu em 93,4% entre 2023 e 2025. Já a nota padronizada do Saeb subiu de 5 para 5,33, elevando o Ideb em 0,3 ponto. Nos Anos Finais, houve crescimento tanto na aprovação – de 87,7% para 88,7% – quanto na proficiência, que passou de 4,37 para 4,77. O Ideb nessa etapa aumentou de 3,8 para 4,2.
Na rede estadual, o avanço foi ainda mais expressivo. Nos Anos Iniciais, o indicador passou de 5 para 5,6, enquanto nos Anos Finais subiu de 4,1 para 4,9. No entanto, diferentemente da rede municipal, que elevou seu resultado principalmente pela melhora na aprendizagem, a rede estadual registrou crescimento tanto no desempenho dos estudantes no Saeb quanto nas taxas de aprovação.
Nos Anos Finais, por exemplo, a aprovação aumentou de 85,6% para 92,6%, ao mesmo tempo em que a nota do Saeb passou de 4,8 para 5,33.
Como ficou Porto Alegre
Rede municipal
- Anos Iniciais: 4,7 → 5,0
- Anos Finais: 3,8 → 4,2
Rede estadual
- Anos Iniciais: 5,0 → 5,6
- Anos Finais: 4,1 → 4,9
Baixo desempenho histórico
Para o secretário municipal de Educação, Leonardo Pascoal, o baixo desempenho histórico da rede municipal não decorre da falta de recursos, mas de problemas estruturais na organização pedagógica da educação em Porto Alegre.
Segundo o gestor, a rede demorou a adotar um currículo alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), resistiu por anos às avaliações externas e ao acompanhamento sistemático da aprendizagem e ainda enfrenta dificuldades relacionadas ao fluxo escolar, refletidas em taxas de aprovação abaixo da média das capitais.
— Temos uma taxa de aprovação baixa. Em aprendizagem, crescemos muito mais, proporcionalmente, do que no próprio Ideb — afirmou.
O secretário afirma que o avanço ganha relevância por ter sido registrado na primeira avaliação após a enchente de 2024. Conforme Pascoal, melhorar a proficiência dos estudantes é mais difícil do que elevar a aprovação.
— Entre um elemento e outro, é melhor aumentar o nível de aprendizagem. É muito mais difícil elevar a proficiência dos estudantes. Mas reconhecemos que temos um problema de fluxo que precisa ser enfrentado — disse.
Para o secretário, mais importante do que a posição atual no ranking é a trajetória da rede municipal:
— É muito mais importante olhar para a tendência de crescimento do que para o “estoque”. Porto Alegre tem resultados historicamente muito ruins desde que existe o Saeb, há mais de 30 anos. Estamos fazendo um trabalho para reverter esses indicadores e temos convicção de que esse caminho já está produzindo resultados.
Pascoal atribui o avanço a mudanças implantadas desde 2024, como a criação do primeiro currículo próprio da rede para o Ensino Fundamental, a implementação de um sistema municipal de avaliação, a ampliação da formação continuada dos professores e programas de recomposição das aprendizagens. A meta da prefeitura é que, até o fim de 2028, Porto Alegre alcance um desempenho acima da média nacional tanto nos Anos Iniciais quanto nos Anos Finais do Ensino Fundamental.


