
A dona de casa Gabriele Oliveira não consegue, sozinha, levar os três filhos para a escola diariamente. Ela precisa contar com a ajuda da avó das crianças e de um transporte escolar para que elas consigam chegar às salas de aula. Mas nem sempre foi assim.
No início de 2024, seus três filhos estudavam juntos no Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Ledevino Piccinini, no bairro Fátima, em Canoas, na Região Metropolitana. Após a instituição fechar em função da enchente, elas foram direcionadas para estabelecimentos de ensino diferentes.
Duramente atingida pela tragédia, a Ledevino Piccinini ficou quase 20 dias submersa e sofreu uma série de danos na sua estrutura. Quando as águas baixaram e o bairro voltou à normalidade, a prefeitura iniciou um processo de restauração da instituição.
Em dezembro de 2024, o ex-prefeito de Canoas Jairo Jorge chegou a fazer um evento de reabertura, mas as aulas nunca voltaram de fato e o local segue fechado desde então. Com o temporal do último sábado (11), uma parte do muro da escola caiu.
— Era muito boa (a escola), queria que abrisse. (Meus filhos) saíram depois da enchente e falaram que iriam reformar e voltar. O tempo foi fluindo e não voltaram. Aí tivemos que transferir (as crianças) para outras creches — contou Gabriele, enquanto aguardava um dos filhos em frente a atual escola.
Inaugurada em 2016, a instituição de ensino contava com 167 alunos no momento da enchente, mas tinha capacidade para até 180. Ofertando vagas do Berçário (a partir dos quatro meses) ao Jardim II (até cinco anos).
Segundo a prefeitura, a escola passará por um novo processo de obras, com início previsto para depois do dia 22 de julho – quando será assinada a ordem de início dos serviços. As reformas serão pagas pelo Executivo municipal, com o custo de R$ 1,7 milhão.
O retorno da escola é um desejo não só dos pais de ex-alunos, como também de outros responsáveis que gostariam de matricular seus filhos e netos lá. É o caso de Ester Cavaleiro, que buscou a Ledevino como primeira opção para matricular sua filha, Luísa, 4 anos, quando ela atingiu idade escolar.
A Secretaria Municipal de Educação não explicou por que a escola não retomou as aulas após a reforma em 2024 e por qual motivo ficou parada por quase dois anos. A previsão de concluir a nova reforma é em janeiro de 2027, para posterior início do ano letivo.
Conforme a prefeitura, a obra é "indispensável" para "restabelecimento das condições de segurança e funcionamento da unidade escolar".




