Sem pátio, ginásio esportivo e laboratório de ciências, há meses o Colégio Estadual Protásio Alves enfrenta falta de espaço para as atividades pedagógicas. A escola está em reforma para recuperação da infraestrutura desde junho de 2025 e teve áreas interditadas devido ao excesso de materiais e entulhos da obra.
Com isso, atividades como as aulas de Educação Física estão sendo conduzidas em outros locais do colégio, como as salas de aula regulares.
— O espaço é reduzido, os alunos se queixam bastante. Fazemos (Educação Física) dentro das salas de aula, mesmo. Eles adaptam. Temos mesas de pingue-pongue para eles, tabuleiro de xadrez. Eles ficam correndo, subindo e descendo as escadarias, pulando corda no corredor — relata a diretora.
Embora a direção da escola aponte que a reforma está parada desde fevereiro por conta de entraves burocráticos, a Secretaria de Obras Públicas (SOP) diz que "não houve paralisação". Segundo a SOP, a "desaceleração pontual" dos trabalhos se deu por conta da necessidade de elaboração de um aditivo ao contrato original para incluir serviços necessários à recuperação da escola, demandas não previstas inicialmente. Leia a nota abaixo.
Conforme informado pela pasta, a conclusão da obra está prevista para dezembro de 2026. “Em uma obra desta envergadura, realizada em prédio antigo e de grandes dimensões, é comum surgir a necessidade de intervenções não previstas inicialmente”, explica a SOP em nota.
A diretora lamenta a situação e espera que, até o final do ano, seja possível utilizar o pátio para que ao menos possa ser feita na própria escola a formatura dos estudantes que estão concluindo o Ensino Médio:
— Queremos que esteja pronto até o final do ano. Estamos utilizando espaços alternativos dentro da própria escola, mas isso prejudica a qualidade do ensino. Essa falta de organização do ambiente escolar desmotiva eles.
Além da recuperação da infraestrutura, a obra prevê instalação de um elevador e de rotas de saída de emergência. A reforma conta com investimento total de quase R$ 6,3 milhões. A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) foi procurada, mas o setor responsável pelos trabalhos é a Secretaria de Obras.
Como estão as atividades
Além das aulas de Educação Física em espaço reduzido, a escola enfrenta desafios para o ensino de Ciências da Natureza. Sem o laboratório, que está servindo de arquivo da escola, uma vez que a sala do arquivo ficou interditada, não é possível realizar experimentos. O professor de Biologia, Juliano Barreto, trabalha com os espaços possíveis de serem utilizados.
— Durante esse ano todo a gente não conseguiu desenvolver atividades práticas no laboratório. Algumas aulas práticas que a gente dependia do espaço estamos tentando adaptar para a sala de aula. E em outras estamos trocando por outra atividade não prática. Um pouco mais de pesquisa teórica, tentando trabalhar com o espaço que a gente tem — conta.
Um laboratório de informática também está interditado. Com isso, estão sendo usados temporariamente laboratórios destinados aos cursos técnicos, bem como chromebooks.
Em visita à escola, a reportagem observou diversas salas de aula com intervenções inacabadas – muitas delas já pintadas, mas com buraco no teto, piso removido ou materiais de obra impedindo o uso do espaço. Mais de 10 salas estão sendo reformadas.
Expectativa pelo refeitório
Outra demanda importante que a obra prevê é a construção de um refeitório na escola, que vem gerando grande expectativa da comunidade escolar. Apesar de ter sete merendeiras, o Protásio Alves não tem um espaço para alimentação. Com isso, não é possível oferecer refeição completa aos alunos.
— Temos o espaço, falta inaugurar. Estamos tendo que distribuir lanche alternativo, porque os alunos precisam comer. Mas queremos fornecer alimentação de qualidade, muitas famílias necessitam disso, às vezes a alimentação que eles recebem aqui é o que eles conseguem. Como eles vão ter um aprendizado de qualidade sem alimentação adequada? — questiona Mariett.
Já construído, o prédio onde será instalado o refeitório fica no pátio, junto ao ginásio.
— É muito importante que eles (os alunos) ocupem o ginásio, temos que garantir alimentação, esporte para eles e espaços adequados. Precisamos que essa obra termine o quanto antes e contamos com a colaboração de todos os envolvidos na obra, porque é necessário. A educação é prioridade — alerta a diretora da escola, Mariett Cabral.
Após a publicação do texto, a SOP enviou nova nota:
A Secretaria de Obras Públicas (SOP) informa que não houve paralisação da obra em curso no Colégio Estadual Protásio Alves, em Porto Alegre. Os trabalhos se encontram em conformidade com o prazo previsto, e a conclusão ocorrerá até dezembro.
O ritmo de execução apresentou uma desaceleração pontual por conta da necessidade de se fazer um aditivo em complementação ao contrato firmado com a empresa responsável pelos serviços, mas isso não acarretou suspensão do processo e nem atraso ao cronograma estabelecido em contrato.
Uma obra não pode ser classificada de “inacabada” se ela está em execução.
Sobre a interdição de ambientes do colégio, importante destacar que a indisponibilidade dos espaços é anterior à obra. Os trabalhos em andamento ocorrem justamente para liberação e qualificação desses ambientes.
A escola nunca teve um refeitório em condições adequadas. O que havia era um espaço mínimo para preparo de refeições, que eram distribuídas para os alunos consumirem em outros espaços. Sendo assim, a construção de um refeitório não é transtorno, mas a solução para um problema histórico da instituição.
Na segunda-feira (21), a fiscalização da SOP esteve no Colégio Protásio Alves e confirmou que a obra segue em andamento. Portanto, não há o que retomar.



