Já imaginou ter que voltar a estudar a tabela periódica, a fórmula de Bhaskara ou as Leis de Newton? Para pais e responsáveis, é comum revisitar esses assuntos na hora de ajudar os filhos no dever de casa – o que pode ser desafiador. Nas redes sociais, mães e pais brincam com o fato de terem que “refazer” o Ensino Fundamental.
— Eu brinco que eu estou estudando de novo, porque a gente não lembra de todos os conteúdos, né? E aí, para ajudar a fazer o tema, estudar para a prova, a gente tem que estudar junto, tem que relembrar tudo — conta a influenciadora digital e jornalista Paula Anacleto, de Canoas.
Mãe do Heitor, 11 anos, e do Joaquim, 6 anos, Paula viralizou nas redes sociais no ano passado com um vídeo divertido sobre essas dificuldades. “Quando chega a fase que você não consegue ajudar na tarefa porque você também não sabe fazer”, diz no vídeo.
Ela conta que o apoio do marido é importante. Como ele é da área de Exatas e ela de Humanas, eles acabam se revezando para ajudar as crianças. Os meninos estudam no Colégio La Salle Canoas e para Heitor, que está no 6º ano do Ensino Fundamental, já começam a surgir dúvidas nos exercícios de matemática.
— Matemática para mim sempre foi um parto, sempre achei bem difícil. Mas a gente consegue se dividir bem para ajudar. A maternidade, por si só, já é desafiadora, e quando entra a escola junto, realmente, tem temas que é difícil eles fazerem 100% sozinhos, a gente precisa ajudar — afirma.
Importância do vínculo familiar
Na visão de Paula, família e escola precisam estar juntos para garantir o sucesso nos estudos. Isso também é observado pela administradora Daniela Corrêa, 45 anos. Mãe de duas meninas, ela acredita que o papel dos pais em casa é fundamental para que eles se sintam mais seguros e motivados.
— Principalmente no meu caso, quando elas fizeram uma troca de escola. Elas vieram do Estado para o particular. Uma estava no 3º ano e a outra no 4º ano (do Fundamental), e na verdade eu voltei para essas séries para poder auxiliar elas — relata.
Agora, Betina tem 11 anos e está no 6º ano, e Lavínia, de 12 anos, no 7º ano. Com a mudança para o Colégio Unificado, em Porto Alegre, e o avanço na etapa, aumentou a carga de exercícios, demandas e atividades para fazer em casa, e no começo foi desafiador se adaptar à nova rotina.
— Quando entrei no 3º ano foi um pouco mais difícil, mas depois no 4º ano eu me adaptei — diz Betina.
As irmãs contam que têm mais dificuldade com matemática. Ambas gostam de estudar ciências, apesar de Betina também gostar de esportes.
— É mais difícil fazer algumas expressões numéricas, e algumas outras contas que são mais difíceis. Mas eu sinto que a mãe me ajuda muito quando eu preciso — afirma Lavínia.
Outro ponto importante, na avaliação de Daniela, é o suporte da escola. A gestão do colégio atua diretamente na orientação dos estudantes na organização da rotina de estudos.
Segundo a coordenadora pedagógica do Unificado, Raquel Dimer da Rocha, esse acompanhamento contribui para dar mais clareza às famílias sobre como apoiar os filhos no dia a dia. Em períodos de recuperação – que ocorrem de forma periódica –, a escola desenvolve roteiros de estudos com orientações para apoiar alunos e famílias nesses momentos.
— A escola também conta com uma plataforma de recomendação de estudos, com atividades personalizadas e trilhas individuais de aprendizagem. A ferramenta permite que estudantes e famílias entendam com mais objetividade quais conteúdos precisam ser priorizados, facilitando o acompanhamento em casa — explica.
Acompanhamento constante
Outro desafio para os pais é ter que lidar com novas tecnologias e metodologias, uma vez que os conteúdos e as estratégias de ensino mudaram com o passar do tempo.
— Vejo que os temas são bem interessantes, bem mais profundos do que talvez fossem na nossa época. São conteúdos já bem aprofundados para uma criança de 6 anos — destaca a administradora Ana Perin, 42 anos.
Mãe da Athena, do 1º ano do Ensino Fundamental, e de Thor, do maternal, ela acredita que mais do que apenas ajudar a resolver exercícios, o papel dos pais nesse processo é oferecer apoio, incentivo e acompanhamento durante a aprendizagem. Também é essencial a parceria com a escola:
— A criança percebe quando família e escola estão no mesmo caminho. Isso transmite segurança para ela se desenvolver, aprender e criar confiança. E também traz tranquilidade para nós, pais, porque sentimos que existe um acompanhamento próximo e acolhedor.
No Colégio Leonardo da Vinci, onde os filhos estudam, as famílias recebem orientações frequentes sobre como apoiar a realização das tarefas em casa, por meio de canais diretos de comunicação com a instituição, o que permite um acompanhamento próximo do cotidiano dos alunos.
— O dever de casa não deve ser apenas uma continuidade mecânica da aula, mas uma oportunidade para que o estudante perceba aquilo que realmente compreendeu e os conteúdos em que ainda precisa de apoio. É justamente nesse processo que a escola consegue identificar dificuldades, acompanhar a evolução do aluno e orientar intervenções pedagógicas quando necessário — destaca a diretora-geral do Leonardo da Vinci, Márcia Andréa Schmidt.
Além disso, quando os pais participam da rotina escolar conseguem estimular a disciplina e apoiar os filhos sem assumir o papel deles no processo de aprendizagem, ressalta a especialista.




