Embora tenha sido entregue há dois anos, a obra no Instituto de Educação General Flores da Cunha, em Porto Alegre, ainda não foi totalmente finalizada. Falta concluir o Museu da Educação para o Amanhã (Museduca) e a biblioteca. A escola estadual retomou as aulas no prédio histórico em 2024.
Com conclusão projetada para o final de 2026, as obras do museu ainda não começaram. A última previsão, informada em 2025 pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), era de que a reforma tivesse início entre o final de 2025 e o começo de 2026.
Conforme a nova previsão informada nesta semana, a expectativa é de que a estrutura seja finalizada "durante o ano de 2027", comunicou a pasta em nota. O prazo da obra já havia sido postergado. Inicialmente, quando foi reaberto o instituto, em 2024, a previsão era concluir os trabalhos do museu até o final do mesmo ano. Com a enchente, o cronograma acabou sendo alterado e ficou para 2026.
"Sobre as obras no museu, a Seduc informa que já foram finalizadas etapas importantes, como os projetos executivos arquitetônico e expográfico, além dos planos museológico e de gestão. Neste momento, ocorre a fase final da elaboração da licitação para a contratação dos serviços", informou a Seduc.
Visita ao local
Até o momento, a área onde ficará o museu segue interditada, protegida por tapumes e sem trabalhos em andamento, conforme verificado durante visita de Zero Hora.
— Está mais moroso do que a gente imaginava. A proposta inicial era que no final deste ano a gente estaria com isso concluído. Nós já estamos em maio de 2026 e as coisas ainda não aconteceram — comentou em entrevista a diretora do Instituto Flores da Cunha, Alessandra Lemes da Rosa.
Outro espaço fechado é o antigo prédio anexo onde ocorriam as aulas da Educação Infantil — atualmente, o colégio só tem Ensino Fundamental e Médio. A expectativa da diretora é que, junto com as obras do museu, comecem os trabalhos para transformar o prédio anexo em uma biblioteca, que hoje o colégio não tem.
A Seduc informou que "o projeto também já foi finalizado e neste momento encontra-se na etapa de elaboração da licitação".
— Seria uma biblioteca inspiradora, modelo para as escolas do Estado. A proposta é que tanto o museu quanto a biblioteca possam ser usufruídos por demais estudantes das escolas da rede estadual. São espaços de visitação, até porque o museu tem a ideia de ser um espaço de inovação tecnológica — afirmou Alessandra.
O desenho do projeto foi feito em conjunto com a Seduc. Outra iniciativa, o Centro de Desenvolvimento dos Profissionais da Educação (CDPE), de formação de professores, já está em funcionamento, aproveitando salas de aula no pavimento acima de onde ficará o museu.
Complexo de educação
Em fevereiro de 2024, quando foi reinaugurado, o instituto contava com cerca de 1.185 estudantes. Atualmente, o número de matrículas está em 1.286, conforme a direção. Além de ensino Fundamental e Médio, o colégio tem turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) à noite.
Segundo a diretora, o prédio de 10 mil metros quadrados na avenida Osvaldo Aranha conta com 20 salas de aula:
— São 18 salas no pavimento superior e duas no andar térreo, onde ficam também as salas administrativas e as quadras de esporte. A infraestrutura está muito boa. O que a gente sente falta mesmo é da biblioteca.
Conforme Alessandra, com a inauguração da biblioteca e do museu, o objetivo é que a instituição se torne um complexo de educação, com atividades e atrações voltadas a toda a rede estadual. Baseado nos moldes do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ), a ideia do Museduca é contar a história da educação no RS, com salas temáticas, recursos tecnológicos e trilhas que guiam os alunos para profissões do futuro.
Segundo a Seduc, o objetivo é transformar o instituto em "um local de inspiração e de construção da escola do futuro, que funcionará de forma articulada com os demais equipamentos do IE no cotidiano da educação dos alunos e professores, contribuindo para o desenvolvimento de múltiplas habilidades da comunidade escolar do RS".
O projeto, com área de 2 mil metros quadrados reservados no andar térreo, foi exaltado pelo governador Eduardo Leite em 2024, na reabertura do colégio. A história da própria escola se mistura com a da educação gaúcha.
Com 157 anos, o Instituto de Educação General Flores da Cunha foi fundado em 5 de março de 1869, sendo a mais antiga instituição de formação de professores no Estado. Criada como Escola Normal da Província de São Pedro do RS, inicialmente a instituição funcionava no Centro Histórico de Porto Alegre, onde fica hoje a Biblioteca Pública do Estado.
A atual sede foi inaugurada em 1935. Até hoje, a construção conta com relíquias da época da fundação, como móveis da década de 1940 e telas pintadas a óleo e tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), encomendadas por Borges de Medeiros.
Anos de espera
Antes da reabertura, o Instituto de Educação ficou fechado durante oito anos, de 2016 a 2024, período em que passou por restauração e modernização. O investimento total foi de R$ 23,4 milhões.
As obras no prédio histórico incluíram a restauração e modernização do mobiliário e do imóvel, do auditório, do ginásio e dos pisos, adequações às legislações de segurança contra incêndio e acessibilidade, recuperação de instalações elétricas e esquadrias e readequação de espaços.
