
Em 2025, alunos da rede municipal de Porto Alegre alcançaram desempenho abaixo do esperado em uma nova avaliação educacional criada pela prefeitura da Capital. Nas escolas de Educação Infantil, o resultado foi 4,18, em uma escala de 0 a 10. Já no Ensino Fundamental, o índice ficou em 3,37, enquanto no Ensino Médio, etapa ofertada em apenas duas escolas da rede, o resultado foi de 0,39.
Os dados são da primeira edição do Índice de Desenvolvimento da Educação de Porto Alegre (Idepoa), divulgados nesta quarta-feira (18). Criado no ano passado, o diagnóstico faz parte do Sistema de Avaliação Municipal da Educação Básica (Sameb-POA), programa lançado para mensurar, de forma sintética e anual, os resultados da rede municipal.
— O que a gente observa em Porto Alegre, e não é diferente no Brasil, infelizmente, é que há uma grande desigualdade. Além dos resultados serem abaixo do que a gente gostaria, naturalmente, eles são desiguais entre diferentes estratos da população — afirmou o secretário municipal de Educação, Leonardo Pascoal.
O que é considerado no cálculo
Além de qualificar o ensino, a iniciativa busca orientar políticas públicas, reduzir desigualdades e garantir transparência nos resultados. Para o cálculo dos ensinos Fundamental e Médio, são considerados:
- Fluxo: taxa de aprovação
- Participação: percentual de alunos que realizaram as avaliações
- Aprendizagem: resultado da Prova Porto Alegre (três edições por ano)
Já para a Educação Infantil, a formulação do índice conta com:
- Qualidade: média das seis dimensões avaliadas nas unidades
- Frequência: taxa de frequência das crianças matriculadas
Quanto à aprendizagem, o Ensino Fundamental alcançou média de 4,46, enquanto o Ensino Médio registrou 1,68. Já o fluxo escolar foi de 89% no Fundamental e 60,3% no Médio, com participação nas avaliações de 84,9% e 38,5%, respectivamente.
Na Educação Infantil, a frequência ficou em 71,39% e a avaliação da qualidade da oferta atingiu média 5,85, com destaque para os indicadores de segurança (7,93) e infraestrutura (7,67).
O município prevê a ampliação do sistema nos próximos anos, com a inclusão da avaliação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 2026 e da Educação Especial em 2027, garantindo o diagnóstico completo da rede.
— Quando a gente chegar a isso, com certeza Porto Alegre vai ser pioneira a ter um sistema que avalia o todo, porque a maior parte dos sistemas avalia só o Ensino Fundamental, ou só o Ensino Médio — destacou Pascoal.
Como é feita a avaliação
Pascoal ressaltou que as avaliações são conduzidas por instituições externas especializadas, garantindo rigor técnico e isenção. As avaliações das etapas Fundamental e Médio, com base na Prova Porto Alegre, foram feitas pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Já na Educação Infantil, que tem outra metodologia, a análise foi conduzida pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social, da Universidade de São Paulo (USP). O Sameb-POA é uma versão local do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do governo federal, e o Idepoa é semelhante ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Diferentemente das avaliações nacionais, o novo levantamento é composto por estudos e indicadores próprios da rede municipal. O objetivo é garantir resultados mais rápidos e assertivos, conforme o secretário, uma vez que as provas serão aplicadas anualmente – e não a cada dois anos, como ocorre com as análises do Ministério da Educação.
Os exames também são mais abrangentes, considerando mais turmas por avaliação.
— O Ideb avalia a cada dois anos, e leva em conta apenas o 5º e o 9º ano do Fundamental das redes de educação, e o 3º ano do Ensino Médio. O Idepoa avalia todos os anos. Assim, a gente consegue ver o percurso. O Ideb tem a finalidade de avaliar o encerramento de cada etapa, e a gente acaba levando muito tempo para ter os resultados — explicou Pascoal.
O fato de obter resultados estratificados também facilita o planejamento pedagógico, identificando de forma mais evidente as lacunas e dificuldades de aprendizagem, segundo o secretário. Os resultados já foram repassados às escolas, que estão elaborando metas específicas para solucionar os problemas de ensino.
O Sameb-POA é composto pelos seguintes instrumentos:
- Prova Porto Alegre: avaliação em larga escala para medir o nível de aprendizagem dos estudantes dos Ensinos Fundamental e Médio. Será aplicada anualmente em três edições: duas avaliações formativas, preferencialmente em abril e agosto, e uma avaliação somativa, em dezembro. Abrangerá todos os estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio da rede, incluindo as escolas parceiras
- Avaliação da Educação Infantil: ferramenta voltada à mensuração da qualidade das experiências, ambientes e práticas pedagógicas. Também será realizada anualmente, contemplando todas as unidades próprias, parceiras ou privadas credenciadas
- Índice de Desenvolvimento da Educação de Porto Alegre (Idepoa): similar ao Ideb, mensura anualmente os resultados da rede municipal. O Idepoa será apurado por unidade escolar, considerando todos os anos ou etapas ofertadas e todas as áreas de conhecimento




