
Correção: o número de matrículas na rede municipal de Porto Alegre é 60.061 em 2026 e era de 61.306 em 2025, e não de 87,3 mil em 2026 e 88,9 mil em 2025 como publicado entre as 4h e as 10h30min de 18 de fevereiro. O texto já foi corrigido.
Esta quarta-feira (18) é dia de volta às aulas no Rio Grande do Sul. Milhares de escolas retomam as atividades nas três redes de ensino: estadual, municipal e privada.
Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas estão entre os municípios que receberão os estudantes nesta Quarta-Feira de Cinzas. Em Gravataí, o retorno está marcado para quinta (19); em Canoas, será na sexta-feira (20).
Já em Rio Grande, Bagé e São Leopoldo, entre outros, as redes municipais têm retorno marcado para segunda-feira (23). A data também vale para algumas instituições da rede estadual por conta de obras ou transporte escolar.
Na Capital, o início do ano é marcado por questões como a reorganização da oferta do Ensino Fundamental. Está prevista a gradual transferência dos anos iniciais (1º ao 5º ano) para a gestão municipal, e dos anos finais (6º ao 9º ano) para o governo estadual.
Aumento das matrículas na rede estadual
Conforme balanço parcial da Secretaria da Educação do RS (Seduc), estão matriculados na rede estadual cerca de 700 mil estudantes. O número é semelhante ao do ano passado, maior do que o esperado, que é a gradual redução das redes, por conta da redução dos índices de natalidade.
— São pelo menos 26 mil novas matrículas que a gente não esperava. Teremos a manutenção dos alunos antigos e 170 mil novos, mas esse número ainda está sendo fechado. O que sabemos é que houve aumento de pelo menos 18% nas inscrições — afirmou em entrevista a secretária da Educação do Estado, Raquel Teixeira.
Os alunos estão distribuídos nas 2,3 mil instituições por todo o Estado, que atendem todos os níveis da Educação Básica. O sistema passa por mudanças, com destaque para a municipalização.
A partir da proposta de reorganização do Ensino Fundamental, 11 escolas da rede estadual deixam de ofertar o 1º ano, com a mudança dos anos iniciais para a gestão municipal. As unidades estaduais irão absorver as novas turmas de 6º ano que deixam de ser atendidas na rede municipal.
Segundo a secretária, a pasta trabalha para a organização do quadro de professores. Atualmente, a rede conta com cerca de 39 mil professores, entre efetivos e temporários. De acordo com a secretária, os 6 mil novos docentes aprovados no concurso de 2025 são esperados a partir de maio. O chamamento deve iniciar logo após a publicação do edital, em abril.
Além das lacunas de professores em algumas regiões, a rede ainda enfrenta falta de merendeiras e problemas de infraestrutura por conta dos desastres climáticos no RS. Ainda há seis escolas estaduais atendendo em local provisório em função da enchente. Estão sendo construídas novas sedes e, em alguns casos, há obras em andamento no prédio original.
Os ondas de calor, que motivaram o atraso do início do ano letivo em 2025, também devem seguir como desafio. O RS tem 48% das salas de aula de escolas públicas climatizadas, percentual acima da média nacional, que é de 38%, mas ainda menos da metade do total de instituições.
Ampliação do tempo integral
Neste ano de 2026, a rede estadual de ensino alcançou 529 escolas com a oferta de tempo integral, modalidade com sete a nove horas de aula diárias. No total, são 23% das 2,3 mil escolas estaduais oferecendo tempo integral, sendo 432 estabelecimentos de Ensino Médio e 202 de Ensino Fundamental.
O número ainda está aquém da promessa do governador Eduardo Leite de expandir a oferta de tempo integral para 50% das 1,1 mil escolas que oferecem Ensino Médio até 2026. Com a ampliação prevista pra este ano, o índice nesta etapa chega a 39%.
Retorno na rede particular
Conforme levantamento do Sindicato do Ensino Privado do RS (Sinepe/RS), a maioria das instituições de ensino deve retornar também nesta quarta-feira (18). A perspectiva da entidade para este ano letivo é de crescimento de aproximadamente 3% nas matrículas.
Conforme os dados preliminares, cerca de 496 mil alunos voltarão às atividades na rede particular. No total, as instituições contam com pouco mais de 38 mil professores, de acordo com os dados mais recentes do Censo da Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).
Seguindo o calendário sugerido pelo Sinepe/RS, o ano letivo se encerra no dia 11 de dezembro. Cada instituição tem autonomia para definir outra data, desde que cumpra o número de dias e horas determinados em lei para as atividades pedagógicas.
Mudanças em Porto Alegre
Nesta quarta-feira também inicia o ano letivo para as escolas da rede municipal da Capital. Os 60.061 mil alunos das atuais 102 escolas próprias e 221 parceiras retornam às atividades. Em 2025, as matrículas somavam 61.306 mil estudantes, somando Educação Infantil e Ensino Fundamental.
O número total de matrículas ainda pode mudar. Conforme a Secretaria Municipal de Educação (Smed), a equipe pedagógica está sendo reforçada para garantir que todas as escolas tenham professores suficientes em cada série e disciplina.
"Foram realizadas nomeações de servidores aprovados em concursos vigentes e reorganização das equipes diretivas, garantindo que as unidades estejam estruturadas para receber os estudantes com qualidade e estabilidade administrativa", informou a pasta em nota.
O ano começa em meio às mudanças devido ao processo de municipalização. Os estudantes que iriam para o 1º ano em 2026 na rede estadual passarão a ser atendidos pelas escolas municipais. Em 2027, serão remanejados os alunos que iriam para o 2º ano, e assim sucessivamente.
Futuramente, a rede estadual ficará responsável pelo Ensino Médio e Anos Finais do Ensino Fundamental, e o município pela Educação Infantil e Anos Iniciais. Com isso, muitas famílias estão se adaptando à nova rotina, tanto em relação à logística quanto aos aspectos pedagógicos.
A pasta informa que realiza busca ativa dos alunos ainda não matriculados no 6º ano, após a confirmação de matrícula pela Seduc. Ainda está em andamento o segundo período de designação de vagas na Educação Infantil. Até 27 de fevereiro as crianças que não foram contempladas e ficaram como suplentes serão designadas para as respectivas escolas. As famílias serão comunicadas pela prefeitura.
