
Em um ano, o Rio Grande do Sul deverá ter nove campi novos de institutos federais em operação. As unidades se somarão às 42 já existentes no Estado. A expansão acontece em diferentes regiões gaúchas, a partir da implantação anunciada pelo governo federal de 106 campi em todo o Brasil.
Inicialmente, a previsão era de construção de cinco campi no RS – em Porto Alegre, Gramado, São Leopoldo, Caçapava do Sul e São Luiz Gonzaga. Outras quatro unidades foram anunciadas posteriormente. Três delas – em Rosário do Sul, Santa Maria e Triunfo – integrarão o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Destas, as de Santa Maria e Triunfo ainda dependem de aprovação do Comitê Gestor do PAC, mas já foram anunciadas pelo ministro da Educação, Camilo Santana. Já o centro de referência localizado em Santiago ganhará status e porte de campus por meio de portaria a ser publicada pelo Ministério da Educação (MEC) nos próximos meses. Veja onde ficam:
Os campi vão integrar as estruturas dos institutos federais existentes no RS:
Cada unidade que necessitou da construção de infraestrutura receberá R$ 15 milhões, além de R$ 10 milhões para a compra de equipamentos e mobiliário. A meta é abrir, em média, 1,4 mil vagas em cada campus, majoritariamente de cursos técnicos integrados ao Ensino Médio.
Apesar de nem todos os campi terem previsão de conclusão das obras até o final de 2026, a promessa é de que todos estejam em operação, mesmo que em espaços provisórios, até o início do ano que vem. Alguns já têm atividades como cursos de curta duração, em andamento atualmente.
Para o início das operações, o MEC já descentralizou alguns códigos de vaga para docentes atuarem nesses espaços. No entanto, a consolidação plena dos campi e a contratação de técnicos e professores dependem da aprovação de um projeto de lei que tramita no Congresso e prevê a criação de 16,3 mil cargos em institutos federais.

Gramado
Localizado em região amplamente turística, o campus de Gramado, na Serra gaúcha, passou pelo desafio de se encontrar um terreno apto a recebê-lo. A unidade será edificada em uma área de 16 hectares doada pela prefeitura, localizada no bairro Várzea Grande.
O licenciamento ambiental já foi feito, assim como a remoção vegetal necessária. Nas próximas semanas, a expectativa é de que a obra em si seja iniciada. Durante a construção, as aulas ocorrerão provisoriamente na Escola Municipal Mosés Bezzi, também no bairro Várzea Grande, no turno da noite, quando a instituição fica ociosa.
— Independentemente de estar acontecendo a construção do campus, já vai ter oferta dos primeiros cursos ainda em 2026 nessa sede provisória — projeta Lucas Coradini, pró-reitor de Desenvolvimento Institucional do IFRS.
O processo de audiências públicas para a definição dos cursos a serem oferecidos ainda está acontecendo. Entretanto, a perspectiva é de que as aulas atendam demandas do arranjo produtivo local e foquem nas áreas de hotelaria, turismo, gastronomia, eventos e indústria criativa.

Porto Alegre
Na Capital, onde há dois campi do IFRS, uma unidade será construída na Zona Norte, com a promessa de ser a primeira entre os institutos federais voltada especificamente para a área da saúde. A cidade já conta com a única universidade federal com essa especialidade: a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
O terreno foi doado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), do governo federal, e o prédio fará parte do complexo hospitalar. No local, já funcionava uma escola do próprio GHC, o que permitiu ao IFRS adquirir uma estrutura pronta para uso, com salas de aula, laboratórios, biblioteca e espaços administrativos. Por isso, já há cursos sendo ministrados lá – em 15 de dezembro, 36 alunas se formaram como cuidadoras de idosos por meio do Programa Mil Mulheres.
Além da estrutura existente, uma nova edificação de quatro andares está sendo construída no terreno. O prazo de execução da obra é de até 30 meses.
A previsão é iniciar ainda em 2026 a oferta do curso técnico em Enfermagem. Depois, gradualmente, ocorrerá expansão, com outros cursos técnicos, graduações e pós-graduações na área da saúde e em tecnologia da informação voltada à saúde.

São Leopoldo
O campus de São Leopoldo, no Vale do Sinos, é vinculado ao IFSul e considerado o mais avançado em termos de implantação entre os novos projetos no RS, com atividades do Mulheres Mil já em andamento por lá.
O motivo da celeridade é a doação de um prédio pronto pela prefeitura, que necessita apenas de reformas. A previsão é de que as obras sejam concluídas em junho. Uma segunda etapa da obra, prevista para outubro, focará na conclusão de laboratórios específicos de áreas como informática, sistemas hidráulicos e soldagem, além de um bloco multiuso de salas de aula.
Em agosto, o primeiro curso técnico da será iniciado: Desenvolvimento de Sistemas, na modalidade subsequente (para quem já concluiu o Ensino Médio). A partir de 2027, cursos integrados ao Ensino Médio nas áreas de Programação de Jogos Digitais, Fabricação Mecânica e Biotecnologia devem começar. A meta é alcançar mil alunos matriculados até 2031.
Rosário do Sul
O campus de Rosário do Sul, na Fronteira Oeste, foi incluído no projeto do Novo PAC após mobilização da comunidade local, segundo Lia Pachalski, vice-reitora do IFSul, instituto que coordenará a unidade.
A prefeitura destinou o prédio de uma escola como contrapartida para o início das atividades. Como a estrutura era destinada à Educação Básica, o prédio passará por adaptações, com a compra de mobiliário e equipamentos para laboratórios de ensino técnico e profissional.
A previsão é de que cursos técnicos regulares sejam iniciados em 2027, o que ainda depende da autorização de funcionamento e da liberação de vagas pelo MEC. A definição dos cursos depende de audiências públicas junto à comunidade, mas as áreas de atuação abrangem os eixos tecnológicos de:
- Agropecuária
- Energias Renováveis
- Gestão Ambiental
- Turismo
- Economia Criativa
— É um campus estratégico, porque fica na Fronteira Oeste, uma região de integração com o Mercosul, e fica próximo a um campus binacional que nós temos em Santana do Livramento. Ele complementa as atividades desse campus, mas de uma maneira um pouco diferente — observa Lia.
Enquanto os cursos regulares não começam, o campus iniciou as aulas de uma turma de 30 estudantes pelo Programa Mulheres Mil, focado em pessoas em situação de vulnerabilidade.
Triunfo
Anunciado em meados de dezembro, o campus de Triunfo, na Região Carbonífera, ainda depende da aprovação do Comitê Gestor do PAC, algo facilitado pelo fato de que o município já possui uma escola pronta para receber as atividades, inclusive com o mobiliário necessário.
— Houve uma mobilização muito grande da comunidade de Triunfo, que está entregando uma escola completa para o IFSul, o que é realmente algo bem diferenciado. Agora, dependemos da formalização do MEC com o número de vagas (de professores e funcionários) para aquele campus, para dar início formalmente ao trabalho — descreve Lia.
Assim como em outros campi, Triunfo também já deve receber, em março, um curso de cuidadoras de idosos do Programa Mulheres Mil, com 30 vagas.

Caçapava do Sul
A unidade de Caçapava do Sul, na região da Campanha, deve iniciar a oferta de cursos técnicos integrados ao Ensino Médio no ano letivo de 2027. O campus focará nos eixos de Informação e Comunicação e Recursos Naturais – as áreas foram definidas por meio de audiências públicas.
Atualmente, as obras da sede definitiva estão com cerca de 25% de execução. O contrato prevê um prazo de conclusão da obra em 18 meses. Devido à possibilidade de atraso na execução, o IFFar, que será responsável pelo campus, está em tratativas com a prefeitura da cidade para utilizar um espaço cedido em alguma escola local.
A implantação do campus visa fortalecer os arranjos produtivos da região central do Estado. Com a unidade, o IFFar busca ampliar sua atuação e oferecer educação pública de qualidade em locais onde a oferta de ensino profissional ainda é pequena.
Santa Maria
O campus de Santa Maria, na Região Central, sanará uma realidade na qual, apesar de a reitoria do IFFar ser sediada na cidade, o município não tem um campus com atividades letivas.
— O Instituto Federal Farroupilha faz parte de um conjunto de seis institutos federais que não possuem campos onde a reitoria está sediada. Esse movimento do MEC e da Secretaria de Educação Tecnológica, dentro desse processo de expansão da rede federal, é justamente para que nesses lugares onde a gente tem reitoria, a gente possa ter um campus em funcionamento também — relata Carlos Lehn, reitor substituto do IFFar.
A unidade será instalada na zona oeste de Santa Maria, uma região que possui cerca de 80 mil habitantes. A escolha é estratégica para atender essa comunidade específica, que reside em uma área com densidade populacional superior à de muitas cidades.
Por enquanto, o projeto é considerado "embrionário" na comparação a outras unidades, visto que ainda demanda autorização formal de funcionamento e a consolidação da posse do imóvel para a sede. O planejamento prevê uma estrutura com 70 professores e 45 servidores técnicos, com a meta de atender cerca de mil estudantes.
As áreas de atuação também serão decididas por meio de audiências públicas com a comunidade, mas a reitoria observa uma tendência de alta demanda para o eixo de Informação e Comunicação em toda a região.
São Luiz Gonzaga
Localizado no Noroeste do RS, o campus de São Luiz Gonzaga será vinculado ao IFFar. O espaço, que deve passar a oferecer cursos técnicos integrados ao Ensino Médio no ano que vem, focará nos eixos de:
- Informação e Comunicação
- Ambiente e Saúde
Atualmente, as obras da sede própria estão com aproximadamente 25% de execução, conforme a reitoria. O contrato para a finalização da estrutura tem um prazo estimado de 18 meses. Entretanto, para garantir que as aulas comecem em 2027, a prefeitura municipal adquiriu e reformou uma escola para servir de sede provisória. Este espaço já foi adequado às normas de segurança para receber os alunos.
A implementação contará, inicialmente, com o apoio de servidores de outras unidades do IFFar.

Santiago
Já em funcionamento, a unidade do IFFar em Santiago, na Região Central, será ampliada e terá seu status transformado de centro de referência para campus. Administrativamente, o centro de referência é vinculado ao campus de Jaguari. Com a mudança, o espaço ganhará autonomia.
Para que a elevação a campus fosse possível, foi necessário que o instituto tivesse a posse definitiva do imóvel. No dia 30 de dezembro, foi assinada a doação da área, que antes pertencia ao Estado, para o IFFar.
O prédio atual conta com estrutura robusta que atende plenamente ao funcionamento, incluindo refeitório, ginásio, biblioteca, laboratórios de informática e salas de aula. Embora a base já exista, laboratórios e espaços serão adaptados conforme a definição dos cursos que serão oferecidos.
Atualmente, o centro de referência atende cerca de 250 estudantes. Com a consolidação como campus, a meta é atingir 800 alunos. Para isso, deverá ocorrer a alocação de 40 docentes efetivos para a unidade.
Hoje, a unidade já oferece cursos técnicos em Administração (integrado e subsequente), Eletrotécnica, além de curso superior a distância em Pedagogia e cursos de formação inicial e continuada. A definição de novos cursos se dará por meio de audiências públicas. A previsão é de que a oferta de novos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio comece em 2027.
Melhorias
Além dos novos campi, 54 obras de melhorias estão previstas ou já ocorreram em unidades existentes. Destas, 23 foram concluídas em espaços vinculados ao IFFar e ao IFRS. A maior execução foi a construção de uma sede para o campus de Viamão onde antes funcionava o Tecnopuc, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), o que custou, no total, R$ 37,9 milhões.
Outras 23 obras estão em andamento no IFFar e no IFRS, a maioria vinculada à construção de bibliotecas e restaurantes estudantis. Além destas, oito execuções estão em licitação ou em ações preparatórias, sendo sete delas vinculadas ao IFSul, de criação de restaurantes e biblioteca, e uma vinculada ao IFFar, de aperfeiçoamento da sede da reitoria, em Santa Maria.
Ao todo, já foram empenhados R$ 95,5 milhões nessas obras, e serão investidos outros R$ 20,9 milhões.





