
As férias escolares estão a pleno vapor. Sol, descanso, mais tempo de tela, horário de sono prolongado. Dar uma pausa na rotina intensa de estudos e relaxar é bom, mas é importante aproveitar esse período de maior flexibilidade para seguir exercitando o cérebro, mesmo que de outras formas.
— A criança precisa descansar. Ao mesmo tempo, pode ser que exista um descanso prazeroso mais organizado, que a gente possa aproveitar o tempo para atividades que, muitas vezes, não dá para conciliar com as aulas. E está tudo bem, desde que isso seja parte do desejo da criança — destaca a psicóloga Andreia Mendes dos Santos, coordenadora do Laboratório das Infâncias da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Por isso, pais e responsáveis devem conversar com os filhos para entender quais atividades geram interesse e, juntos, pensarem nas opções. Com mais tempo livre para videogames, uso do celular e redes sociais, a pesquisadora argumenta que é fundamental evitar que o tempo de tela seja excessivo no recesso escolar.
— É preciso cuidar para que o tempo de tela não seja o tempo predominante. E, às vezes, essas atividades entram também como uma forma de minimizar o uso das telas — explica Andreia.
A recomendação é de que as famílias apostem em ações que promovam vínculos e conexões humanas, bem como movimento e coordenação motora. Cursos e oficinas, como de artes, esportes, jardinagem, jogos de tabuleiro e experiências ao ar livre são boas pedidas para esta época.
— Essa pausa é importante para a saúde do nosso cérebro, porque reduz os níveis de estresse que as atividades do dia a dia geram. Quando a gente fala em se desligar, dá a impressão de que a gente pode ficar sem fazer nada. Mas, na verdade, estamos falando em mudar um pouquinho o ritmo e os tipos de estímulo que o cérebro recebe. É importante que a gente continue oferecendo estímulos para as crianças — ressalta a diretora pedagógica do Método Supera, Patrícia Lessa.
Brincar, conviver com a família e com os amigos nesse período é indispensável para fortalecer tanto as habilidades cognitivas quanto sociais e socioemocionais. Conforme Patrícia, além de serem divertidos, esses passatempos trabalham questões como a flexibilidade cognitiva, a criatividade e a capacidade de resolver problemas.
Aprendendo no museu
Outra dica para as famílias é propor passeios em locais diferentes, rompendo com a rotina, como museus e centros culturais. Muitos têm programação especial de férias e atividades voltadas aos pequenos nesse período, como o Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
A arteterapeuta e artista plástica Rebeca Wiskov vem investindo nisso, levando os filhos Iuri e Pedro, de 12 e 10 anos, para curtirem atividades diferentes. Os meninos participaram da oficina Minuto da Ciência, que explicou como as descobertas científicas acontecem na Biologia.
— A gente tenta evitar telas o máximo possível. Então, buscamos esses passeios mais culturais, brincadeiras ao ar livre. Temos um pátio em casa, a gente brinca bastante com água. A tela é bem limitada. Através de um aplicativo, ali eu vou limitando o tempo que eles usam de tela — conta a mãe.
Na ocasião, os pequenos aprenderam sobre como a curiosidade leva a descobertas científicas relevantes, como o desenvolvimento de medicamentos. Na oficina, ministrada pela bióloga Valentina Brocker Junqueira, as crianças puderam interagir com artrópodes e conferir réplicas de fósseis de dinossauros.
— Eu gostei bastante porque estuda a Biologia, e essas coisas que eu gosto muito. Gosto de Matemática, Química, Ciências, Física e Biologia. Eu curto a área das Exatas — relata Iuri, que está indo para o 7º ano do Ensino Fundamental no Colégio Adventista Marechal Rondon, na Capital.
O Minuto da Ciência ocorre durante todo o mês de janeiro no museu da PUCRS, às quartas e sextas-feiras, das 10h30min às 11h15min. Nos finais de semana, o museu também promove momentos de contação de histórias.
Preparação para a volta às aulas
A diretora pedagógica do Supera destaca que é recomendável aproveitar as férias também para preparar o cérebro para a volta às aulas, mesmo enquanto a criança se diverte. Os pais podem adotar diferentes estratégias para isso.
— Na semana anterior ao retorno, ou até antes, temos que começar a prepará-los, para garantir que esse retorno seja tranquilo, com menos pressão. Até para a criança se sentir mais segura e motivada, além de estar com o relógio biológico ajustado — argumenta Patrícia.
Relembrar as experiências boas do período anterior na escola, por meio de fotos e memórias, e gerar expectativas positivas, como o reencontro com os colegas, são boas dicas. Retomar uma rotina um pouco mais regrada quanto aos horários de dormir e acordar também é uma boa recomendação nos dias anteriores ao retorno, para ajudar o cérebro a se reajustar à rotina.

