
Um evento realizado nesta quarta-feira (5) marcou o anúncio do governo do Estado da criação de sua primeira escola técnica voltada para áreas da indústria criativa. Localizado no bairro Bela Vista, em área nobre de Porto Alegre, o prédio da antiga Escola Estadual Professora Maria Thereza receberá cursos de áudio e vídeo, multimídia e produção cultural. A previsão é de que as aulas sejam iniciadas em 2027, após a realização de obras no local.
O modelo da Criatec – nome dado à Escola Técnica em Audiovisual e Economia Criativa – vem sendo construído desde o ano passado por meio de parcerias com o Instituto Estadual de Cinema (Iecine), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), a Fundação de Cinema RS (Fundacine) e a Fundação Itaú, além de consultorias das profissionais Marta Porto e Aletéia Selonk.
O projeto prevê que o local conte, após a reforma, com os seguintes ambientes:
- Espaço de convivência
- Laboratório de informática
- Estúdio de Produção Audiovisual
- Laboratório de Captação de Vídeo (com Chroma Key)
- Laboratório de Captação de Vídeo (com Cenário Fixo)
- Laboratório com Ilhas de Edição (capacidade para 6 ilhas)
- Biblioteca
- Salas de aula padrão
- Sala de Recursos para Atendimento Especializado (AEE)
Segundo Tomás Collier, superintendente de Educação Profissional da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), a reforma pela qual a escola passará, a fim de permitir as atividades que a pasta deseja fomentar lá dentro, será de grande porte.
— A gente tem que ter uma estrutura para receber equipamentos modernos e de qualidade, porque os cursos ofertados vão precisar disso. Câmera, equipamento de som, mesa de edição, ilhas de edição, computadores com alta potência, estúdio, iluminação. Então, a gente tem que ter infraestrutura condizente para receber esse tipo de equipamento — explica o superintendente.
Para a obra, será contratado um escritório que fará um projeto arquitetônico. Depois, ocorrerá a licitação da obra e a sua execução.
— Temos uma parceria com a Unesco por meio da qual vamos contratar um escritório de arquitetura para fazer o projeto. Esse projeto deve ficar pronto nos primeiros três, quatro meses do ano que vem. Aí, teremos projetos complementares e a execução da obra em si — descreve Collier.
Para 2027, quando os cursos passarem a ser ofertados, a estimativa é de que haja 260 a 300 vagas nas turmas abertas. No Técnico em Produção de Áudio e Vídeo, o aluno se habilitará para ser operador de áudio, editor de vídeo, operador de câmera assistente de estúdio e vídeo e assistente de roteiro. Já no Técnico em Multimídia, aprenderá a ser editor de projeto visual gráfico, assistente de estúdio e animador e modelador 3D.
Segundo levantamentos realizados pela Secretaria Estadual de Cultura (Sedac), o Rio Grande do Sul é o terceiro Estado que mais produz longas-metragens no Brasil, e 24,7% dos postos de trabalho gerados em Porto Alegre estão vinculados à economia criativa.
Atividades no espaço
Ainda que falte mais de um ano para o prazo de abertura dos cursos estimado pela Seduc, algumas ações de ocupação do espaço foram anunciadas. Nesta quarta-feira, ocorreu o III Encontro dos Ecossistemas, que reuniu profissionais que atuam no setor da indústria criativa em diferentes regiões do Rio Grande do Sul para falar sobre a formação técnica e o mercado audiovisual gaúcho.
No dia 18 de novembro, uma aula ministrada pelo professor e cineasta Gustavo Spolidoro apresentará ferramentas para qualificar a experiência audiovisual no ambiente educacional. No dia 25 de novembro, uma roda de conversa ministrada pelo escritor Samir Machado de Machado proporá um mergulho nos romances históricos e de aventura.
Em dezembro, estão previstas duas datas de cineclubes e uma de curso de literatura. Para janeiro, está sendo montada uma programação cultural de férias. O motivo dessas atividades é tornar o local uma referência em termos de inovação e tecnologia, conforme o superintendente.
— Queremos que o espaço como um todo tenha cara de inovação, com ambientes amplos, que promovam a interação com a comunidade. A ideia é que não seja só uma escola com oferta de cursos técnicos e qualificações profissionais, mas também um espaço cultural parra a comunidade — observa Collier.
O superintendente ressalta que a escola que antes funcionava no local “passou por um processo de esvaziamento muito grande”, por estar em uma estrutura muito ampla para a sua demanda, que era baixa, em virtude de “o atendimento da escola não refletir o público em que ela estava inserida”, em um bairro nobre como o Bela Vista. Por isso, entende que “abrir as portas da escola” para que a vizinhança a perceba como um espaço cultural é um movimento importante já para antes da abertura de turmas, a fim de garantir que haja interesse nos cursos.



