
Faculdade, mercado de trabalho, independência financeira e escolha profissional são temas recorrentes na vida de estudantes. Na medida que a conclusão do Ensino Médio se aproxima, decisões que antes pareciam distantes passam a fazer parte da rotina de muitos jovens e de suas famílias.
Diante desse cenário, as escolas buscam oferecer aos estudantes ferramentas para lidar com os desafios e as escolhas que acompanham a vida após a formatura. Em 2018 a disciplina Projeto de Vida passou a integrar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), consolidando a reflexão sobre futuro, autoconhecimento e planejamento como parte da formação dos alunos, especialmente no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio.
No Colégio Adventista Marechal Rondon, esse trabalho ganha desdobramentos práticos ao longo de toda a trajetória escolar. Uma das iniciativas é o Simpósio Vida Depois da Escola, realizado duas vezes por ano e desenvolvido dentro da disciplina Projeto de Vida para aproximar os estudantes de situações que encontrarão nos próximos passos da vida acadêmica e profissional.
O que é o Simpósio Vida Depois da Escola?
O evento reúne temas relacionados à transição entre a escola e as próximas etapas da vida. A programação contempla áreas como empreendedorismo e finanças, estratégias para o ENEM e vestibulares, entrevistas de emprego, apresentação pessoal, autoconhecimento, talentos e propósito. Na edição deste ano, o empreendedorismo ganhou maior destaque.
Segundo o professor Tobias Souza, responsável pela disciplina e organizador do simpósio, a proposta é transformar em experiências práticas parte das discussões desenvolvidas ao longo dos três anos. No último ano, quando decisões acadêmicas e profissionais se tornam mais próximas, o trabalho também considera a ansiedade e a pressão que costumam acompanhar esse período.
— Nada é mascarado ou simplificado em relação ao que eles estão vivendo. Buscamos oferecer ferramentas para que entendam que esta é uma fase importante, com decisões relevantes a serem tomadas, mas que, ao mesmo tempo, eles ainda estão no início da vida — explica o professor.
O que acontece no simpósio?
Os estudantes realizam o credenciamento, recebem o cronograma das atividades e participam de palestras, oficinas e momentos de troca com os convidados. A programação inclui ainda um coffee break e, como parte da proposta pedagógica, uma produção escrita na qual registram suas percepções sobre a experiência.
Uma das frentes é a preparação para entrevistas de emprego e processos seletivos. Nas atividades, são trabalhados aspectos como postura, comunicação, apresentação pessoal e maneiras de demonstrar habilidades diante de uma oportunidade profissional. Em outro eixo, convidados de instituições de ensino abordam estratégias para o ENEM e vestibulares, com orientações sobre redação, notas de corte e realização das provas.
Para Vitória Petró, que concluiu o Ensino Médio em 2025, algumas dessas orientações ganharam aplicação prática pouco tempo depois da formatura. Atualmente estagiária da Defensoria Pública em sua cidade, ela conta que recorreu ao aprendizado do Simpósio em sua primeira entrevista de emprego.
— Durante o processo seletivo, senti que estava preparada. Aprendi que, mesmo diante da ansiedade, é essencial manter a calma, falar com firmeza, acreditar no próprio potencial e demonstrar segurança — relata a ex-aluna.
A preparação para o ENEM também marcou sua experiência. Vitória afirma que o receio em relação às provas havia aumentado ao longo do Ensino Médio, mas o contato com diferentes estratégias de estudo ajudou a tornar esse processo mais administrável.
— Sem o auxílio dessas estratégias, acredito que não teria conseguido enfrentar o Enem e o vestibular da forma como enfrentei — relembra.
Como os estudantes são orientados?
O simpósio integra um trabalho mais amplo realizado na disciplina Projeto de Vida. Desde o primeiro ano, os estudantes participam de atividades voltadas ao desenvolvimento pessoal e à compreensão das próprias características, interesses e habilidades.
Como parte desse processo, o colégio utiliza uma ferramenta de análise de perfil comportamental. O relatório fica disponível ao aluno durante os três anos e é retomado em diferentes momentos das aulas como apoio às discussões sobre comportamento, talentos, dificuldades e escolhas futuras.
Segundo Tobias, o trabalho ajuda o estudante a perceber quais características suas se sobressaem e quais estão em desenvolvimento. Essas informações passam a compor o processo de reflexão sobre possibilidades profissionais, sem reduzir a escolha de carreira a um único teste ou qualidade.
Perceber quais são as facilidades e os talentos, em contraste com aquilo que demanda mais esforço, é um indicativo importante para a escolha profissional futura
TOBIAS SOUZA
Professor e organizador do simpósio
Para Vitória, o autoconhecimento foi o aprendizado que mais contribuiu para suas decisões depois da escola.
— Esses diálogos me mostraram que conhecer a si mesmo é um dos primeiros passos para tomar decisões mais conscientes sobre o futuro. Eles me ajudaram a identificar minhas habilidades, meus interesses e até meus limites, o que foi fundamental para enxergar com mais clareza o caminho profissional que gostaria de seguir — reflete.
Como as famílias participam?
O processo também se estende às conversas dentro de casa. Segundo Tobias, as expectativas dos estudantes e das famílias nem sempre coincidem, sobretudo quando entram em pauta temas como realização profissional e estabilidade financeira.
Ao longo dos três anos, o acompanhamento do desenvolvimento dos alunos ajuda essas escolhas a serem compreendidas.
— Pais que, no primeiro ano, desejavam algo específico para o filho muitas vezes chegam à época da formatura entendendo melhor a decisão dele, porque percebem que não se trata de uma escolha meramente emocional, mas de um processo de planejamento, intenção e amadurecimento — ressalta o professor.



