
Há alguns anos, a formação no ensino superior seguia um modelo mais tradicional, com maior ênfase na teoria e menos oportunidades de aplicação prática. Esse cenário era compatível com um contexto em que as mudanças aconteciam de forma gradual, permitindo que os conhecimentos adquiridos na universidade permanecessem válidos por mais tempo. Hoje, porém, a velocidade das transformações tornou a capacidade de adaptação uma exigência permanente da vida profissional.
Mais do que dominar conteúdos técnicos, profissionais de diferentes áreas precisam estar preparados para aprender continuamente, lidar com novos contextos e responder a desafios que nem sempre existiam quando iniciaram sua graduação. Nesse cenário dinâmico, cresce a busca por experiências acadêmicas que aproximem os estudantes das situações reais que encontrarão ao longo da carreira.
Para Gustavo Borba, pró-reitor acadêmico da Unisinos, o principal desafio das universidades é desenvolver nos estudantes a capacidade de “aprender a aprender”. Essa formação permite que eles acompanhem as transformações da sociedade e se adaptem a novas realidades.
Segundo Borba, uma formação apenas instrumental pode deixar o aluno despreparado diante de mudanças rápidas. Por isso, a Unisinos aposta em cursos com maior potencial de inovação e em currículos constantemente revisados, em diálogo com organizações, empresas e a sociedade.
— Nossa proposta é formar estudantes por meio da aprendizagem experiencial, permitindo que construam repertório e portfólio a partir de vivências em diferentes contextos. À medida que a sociedade se transforma e eles ocupam novos espaços, desenvolvem a capacidade de se adaptar e continuar aprendendo. Essa é uma das marcas da formação da universidade, que hoje orienta seus professores a trabalhar o aprendizado a partir da experiência — afirma o docente.
Da sala de aula para o mercado
No Campus Porto Alegre, a conexão entre ensino e mercado se fortalece no cotidiano, por meio de experiências práticas que aproximam a formação da realidade profissional. Gustavo Borba acredita que esses espaços funcionam como ambientes de simulação e construção de mundo, nos quais os alunos podem experimentar, errar e aprender a partir da prática.
Para o docente, existem dois tipos de laboratório nesse processo: os espaços estruturados dentro da instituição e as experiências que levam os alunos a interagirem com diferentes contextos por meio de projetos aplicados na cidade.
— Em ambos os casos, a teoria é mobilizada a partir da prática, sempre conectada a situações reais de aprendizagem — diz.
Entre os diferenciais do Campus em Porto Alegre estão os laboratórios de Arquitetura e Urbanismo, voltados à produção de maquetes e à experimentação de projetos, com mais de 1.800 horas práticas de projeto durante a graduação. Já o curso de Moda conta com um ateliê completo, que proporciona vivências alinhadas ao mercado e mantém conexão com marcas gaúchas de projeção nacional como Renner e Tramontina.
No curso de Publicidade e Propaganda, a Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) oferece aos alunos a possibilidade de uma primeira experiência profissional ainda na universidade, além de workshops e contato com empresas e profissionais da área. Já em Direito, graduação reconhecida com o selo de recomendação da OAB/RS, os estudantes atuam em casos reais durante os estágios, desde o atendimento inicial até a proposição de ações judiciais, recursos e prazos.
Um ecossistema de conexões
Além da estrutura física e das experiências práticas, na Capital a Unisinos reúne estudantes da graduação ao doutorado em um mesmo ambiente, favorecendo trocas entre diferentes áreas do conhecimento e ampliando oportunidades de interação entre alunos, docentes e profissionais do mercado.
— O prédio é um símbolo da universidade espalhada na cidade. Quando a gente faz uma conexão com Porto Alegre e com as comunidades do entorno, com parcerias e organizações como a OAB, levamos os alunos para espaços de prática real. Temos essa ideia transversal nos cursos, pois aqui temos alunos de mestrado, doutorado e pós-graduação, o que permite a transversalidade e o networking — diz.
Segundo Gustavo Borba, a Unisinos tem sua proposta acadêmica alicerçada na integração entre inovação, prática e reflexão. Para ele, esse compromisso se materializa em currículos concebidos de forma inovadora, que buscam incentivar uma participação mais ativa dos estudantes no processo de aprendizagem.
A formação universitária não se restringe à assimilação de conteúdos teóricos, mas procura estimular o pensamento crítico e a capacidade de refletir sobre os desafios contemporâneos.
— Vejo o nosso Campus como um lugar para construir um processo de aprender a aprender de forma reflexiva, a partir de uma ação mais prática e menos teórica — finaliza.





