
Ao longo dos últimos anos, brasileiros que utilizam plataformas de inteligência artificial deixaram de encarar a tecnologia como fonte de entretenimento e passaram a enxergá-la como aliada na educação. É o que aponta a pesquisa Our Life with AI, conduzida pela Ipsos a pedido do Google. De acordo com o levantamento, a aplicação na jornada de aprendizado é a principal finalidade de uso de IA no país, sendo adotada por 79% dos usuários.
O relatório indica, ainda, que a percepção do público em relação a esse movimento é positiva: 82% acreditam que a tecnologia beneficia os estudantes. Além disso, entre aqueles que usam o recurso para estudar, 82% afirmam que a ferramenta teve impacto positivo na forma de aprender.
Sempre atento às transformações no setor da educação, o Colégio Adventista do Partenon, em Porto Alegre, entende que a IA é capaz de otimizar o aprendizado, mas exige cuidados e responsabilidade. Diante disso, a instituição lançou o projeto Seja a Inteligência por Trás da Inteligência, que visa abordar o assunto com reflexão crítica, conscientização, desenvolvimento de competências acadêmicas e envolvimento de alunos e professores.
A coordenadora pedagógica do Colégio Adventista do Partenon, Cátia Weber, conta que a ação já tem fomentado resultados positivos.
– É inspirador perceber os avanços nas reflexões dos alunos sobre a vida em sociedade e como a ciência, a história e a fé se conectam para formar uma geração preparada para fazer escolhas com responsabilidade – ressalta.
Uma iniciativa necessária
Em meio ao cenário de crescimento do uso de IA na educação, projetos como o do Colégio Adventista do Partenon se mostram extremamente necessários. A 15ª edição da pesquisa TIC Educação, lançada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostra que 39% dos estudantes das séries finais do Ensino Fundamental usam essas ferramentas para buscar informações. No Ensino Médio, a marca sobe para 70%.
Para as escolas, o grande desafio é fazer com que os estudantes aproveitem a tecnologia de forma consciente. Isso porque boa parte dos brasileiros ainda recorre às plataformas sem nenhum tipo de orientação prévia.
Capacitação de professores
A pesquisa TIC Educação também indica que a maioria dos professores demonstra interesse em aplicar IA no processo de ensino e busca capacitação. Foi justamente isso que o projeto Seja a Inteligência por Trás da Inteligência promoveu ao longo de 2025.
– A ideia da capacitação surgiu da necessidade de adequação aos rápidos avanços tecnológicos – afirma a professora e coordenadora pedagógica da Educação Adventista para a região Leste e Sul do RS, Estela Barbosa.
Ela ressalta que a integração de ferramentas digitais permite que os professores ampliem as estratégias de ensino, tornando as aulas mais dinâmicas, interativas e alinhadas às demandas do século 21, bem como à filosofia de ensino adventista. Além disso, essas ferramentas são ideais para diversificar metodologias e criar ambientes de aprendizagem mais interativos e colaborativos.
Aplicação na sala de aula
Cada educador do colégio foi desafiado a apresentar aos estudantes a aplicação de inteligência artificial em sua área de ensino. O professor de Matemática Jonathas Hardy, por exemplo, usa a tecnologia como parceira na educação.
– Venho trabalhando com os alunos o uso consciente na criação de resumos e na correção dos próprios cálculos. Tem sido interessante integrar aquilo que eles tanto utilizam no dia a dia com os afazeres acadêmicos – diz o educador.
Já a professora de Biologia Camila Morais Hein, acredita que o uso da IA exige cautela, mas pode ser excelente para auxiliar no ensino e na aprendizagem. A partir disso, ela sempre aproveita as aulas para reforçar a importância de manter o senso crítico.
– Ressalto com eles que é fundamental confirmar em outras fontes as informações consultadas e não se tornar dependente, mas utilizar essa tecnologia como auxiliar no processo de aprendizado – comenta.
Alunos mais conscientes
Os impactos do projeto focado em inteligência artificial já são observados na rotina dos estudantes. A aluna do 9º ano do Ensino Fundamental, Lívia de Oliveira, por exemplo, conta que recorre à IA quando encontra dificuldades em alguma disciplina.
– Sempre pesquiso o conteúdo de que estou precisando, a IA me dá várias alternativas e eu escolho a que faz mais sentido para mim – relata.


