
O avanço do bullying e do cyberbullying tem aumentado a preocupação de escolas e famílias em todo o país. Dados da Pesquisa Nacional da Saúde Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 39,8% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmam já ter sofrido bullying, enquanto 27,2% relataram episódios recorrentes de humilhação no ambiente escolar.
Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, instituído em 7 de abril, o Colégio Adventista de Cachoeirinha promoveu, entre 6 e 10 de abril, uma semana especial de conscientização e prevenção ao bullying, com programação voltada ao diálogo, à empatia e à convivência saudável.
– Entendemos que a data é muito importante e pensamos em fazer algo mais visível, trazendo especialistas e envolvendo os alunos de forma prática – explica a coordenadora pedagógica da Educação Adventista, Juliana Roxo.
Ações de conscientização
Baseado na Lei 14.811, que reforça a obrigatoriedade de ações de enfrentamento à intimidação sistemática no ambiente escolar, o Colégio Adventista de Cachoeirinha apostou em uma série de iniciativas contínuas voltadas ao exercício da empatia e do respeito no ambiente escolar. Entre as atividades desenvolvidas ao longo da semana estiveram:
- Ambientação dos corredores e das salas de aula com a música “Vamos nos Amar”, da artista infantojuvenil cristã Débora Teen;
- Horas do conto e rodas de conversa sobre convivência saudável e respeito às diferenças;
- Dinâmica de envio de bilhetes anônimos com elogios entre colegas escolhidos aleatoriamente;
- Atividades práticas de integração e fortalecimento da empatia entre os estudantes;
- Realização do “Tribunal do Respeito”, dinâmica imersiva em que as turmas foram divididas entre acusação e defesa para debater atitudes inadequadas e refletir sobre os impactos emocionais do bullying.
A necessidade de um projeto abrangente reflete os desafios da atualidade, em que as agressões ultrapassam os muros físicos das instituições. A orientadora educacional do Ensino Fundamental no Colégio Adventista de Cachoeirinha e uma das idealizadoras do projeto, Cleres Brizolla, destaca que a atenção precisa ser redobrada na era digital.
– Tanto pelas situações que podem ocorrer no ambiente presencial quanto pelas do ambiente virtual, por meio de chats e grupos de WhatsApp, por exemplo, pensamos em trabalhar o tema com estudantes, famílias e toda a comunidade escolar, trazendo todos para o mesmo objetivo – afirma a profissional.
Bullying também tem consequências legais
Um dos diferenciais do projeto foi abordar, de forma direta, as consequências legais e financeiras do bullying e do cyberbullying. A advogada e mãe de alunos da unidade escolar, Fernanda Romualdo, conduziu palestras explicando aos estudantes e familiares que a prática da intimidação sistemática, reconhecida pela Lei 13.185/2015, pode gerar responsabilização jurídica e indenizações financeiras.
Durante os encontros, ela também desmistificou a falsa sensação de anonimato na internet e explicou como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) atua em casos envolvendo adolescentes a partir dos 12 anos.
– Os pais são legalmente responsáveis pelos filhos até os 18 anos. Uma das formas de auxiliar a família da vítima a recomeçar é a indenização em dinheiro para custear terapias, acompanhamento psicológico ou medicação. A punição no bolso costuma ter um caráter educativo imediato para as famílias dos agressores – detalha a advogada.
Base familiar como principal barreira
Para engajar as famílias no projeto, o Colégio Adventista de Cachoeirinha ainda propôs uma atividade em que pais e filhos precisaram construir, juntos, uma história em quadrinhos relatando um caso de intimidação e sua respectiva solução.
– A família é a base mais sólida que a criança tem. É onde se espelha e confia. Ela enxerga os comportamentos dos pais como referência. Se, dentro de casa, os comportamentos não são adequados, isso se reflete na escola e no convívio social. O pequeno normaliza atitudes erradas e acaba reproduzindo isso – frisa Fernanda.
O balanço final do projeto evidenciou que a parceria entre colégio e comunidade escolar é uma das principais barreiras contra a violência. Juliana conclui destacando que a escola atua como reforço fundamental, mas que os alicerces morais são construídos no ambiente familiar.
– Por mais que a escola trabalhe aspectos de conscientização, grande parte das boas atitudes vem de casa. Embora o grupo de amigos tenha influência, quando a família é estruturada e transmite princípios, a criança tende a não praticar o mal nem se omitir diante da situação. Ela busca ajuda em alguém que possa auxiliá-la – avalia a coordenadora.



