
Entre as carreiras jurídicas, a magistratura concentra alguns dos concursos mais concorridos do país, atraindo a atenção de estudantes e bacharéis atentos às oportunidades no Judiciário. No Rio Grande do Sul, a expectativa por novos editais mantém o interesse elevado por uma carreira marcada por responsabilidade institucional e impacto social.
Ao longo desse processo de preparação, o Ceisc atua na formação de candidatos por meio de aulas voltadas à preparação para concursos jurídicos, incluindo cursos de habilitação para o Exame Nacional da Magistratura (ENAM), integrados a uma proposta de ensino que aproxima o estudo teórico da realidade da atuação judicial.
É nesse ambiente de formação que se insere a experiência de quem vive a magistratura na prática. Em entrevista, a Juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e professora do Ceisc, Joseline Vargas, compartilha sua trajetória até a aprovação e reflete sobre os desafios enfrentados no exercício da profissão, a rotina e as exigências que acompanham o dia a dia no cargo.
Quais aspectos da atuação judicial ajudam a explicar o interesse constante pela carreira de juiz, mesmo diante das exigências do caminho?
Além da estabilidade própria da carreira pública, a função desperta interesse pela possibilidade concreta de fazer a diferença na vida das pessoas por meio das decisões judiciais. Esse impacto aparece em situações muito objetivas, como a concessão de um medicamento, a garantia de uma vaga em creche, o deferimento de uma medida protetiva ou a resolução de conflitos familiares. Trata-se de uma atuação com alcance social significativo. No Estado, a expectativa por um novo concurso para juiz de direito também contribui para renovar o interesse de quem acompanha a carreira e se prepara para esse caminho.
Ao olhar para a sua trajetória até a aprovação, quais foram os principais desafios enfrentados e os aprendizados desse caminho?
O grande desafio de quem se prepara para concursos de alto nível é construir uma base sólida em diferentes matérias e manter uma rotina de estudos com foco e disciplina ao longo do tempo. São carreiras que exigem preparação consistente, prática jurídica e enfrentam alta concorrência, o que torna comum que o candidato leve cinco anos ou até mais para alcançar a aprovação.
O principal aprendizado da minha preparação foi entender que não basta estudar muito ou por muitas horas. É preciso estudar bem, da forma correta. Quando aprendi a usar métodos mais eficientes, a qualidade do meu estudo mudou completamente, assim como a minha evolução até a aprovação.
O que diferencia o TJRS na formação e na atuação dos magistrados?
Acredito que o grande diferencial esteja no comprometimento. Os magistrados gaúchos trabalham muito para entregar à população uma justiça célere e efetiva, mesmo diante de uma demanda crescente de processos. Há um esforço constante para oferecer respostas adequadas a quem procura a Justiça. Esse comprometimento também se reflete na forma como o Tribunal investe na formação e no aperfeiçoamento contínuo de seus integrantes, com foco na qualificação técnica e na compreensão do papel institucional do Judiciário, fortalecendo uma cultura de trabalho marcada pela dedicação e pelo respeito à garantia de direitos.
No exercício da função, como o juiz percebe, na prática, o impacto das decisões no cotidiano das pessoas?
No dia a dia, isso aparece de forma muito clara nas decisões que afetam diretamente a vida das pessoas. Ser juiz não é apenas aplicar a lei de forma automática, mas compreender o contexto de cada caso e ter a consciência de que, por trás de um processo, existem histórias e situações concretas que serão impactadas por aquela decisão.
A função também envolve lidar com conflitos cada vez mais complexos, que nem sempre acompanham o ritmo da legislação. Por isso, o exercício da magistratura exige sensibilidade, responsabilidade e equilíbrio constantes.
Qual é a relevância de uma formação jurídica sólida para quem deseja ingressar na magistratura?
Uma formação jurídica sólida é indispensável porque dificilmente alguém alcança aprovação em um concurso tão concorrido apenas com memorização de conteúdo. A preparação precisa ir além disso, aliando domínio técnico ao desenvolvimento do raciocínio, da capacidade de interpretação e de argumentação. A função jurisdicional exige decisões bem fundamentadas, e esse preparo começa na forma como o candidato aprende a pensar juridicamente ainda durante os estudos.
Na sua avaliação, quando a formação ocorre em ambientes estruturados, como o Ceisc, que diferenças são perceptíveis na preparação e na maturidade profissional de quem chega à magistratura?
Esse tipo de acompanhamento faz diferença porque ajuda o aluno a construir uma rotina de estudos mais organizada e consistente, evitando dispersão e retrabalho. Além disso, quando o ensino explora a lógica jurídica por trás dos conteúdos, o estudante aprende a aplicar o conhecimento na prática, a estruturar argumentos e a compreender como se constroem decisões. Esse processo contribui para uma maturidade profissional maior, ao aproximar desde cedo o estudo teórico da realidade da jurisdição.



