
O avanço da agenda ambiental tem ampliado a busca por empregos verdes, área que movimenta debates na COP30. O termo engloba atividades diretamente ligadas à conservação do meio ambiente e à adoção de práticas sustentáveis em diferentes setores da economia. No Brasil, cerca de 2,8% da população empregada em 2025 ocupa esses cargos. Para especialistas, a demanda crescerá nos próximos anos.
Esse percentual corresponde a 2,9 milhões de trabalhadores brasileiros, conforme o estudo Empregos Verdes 2025, elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) é de que, pelo menos, 5 milhões de novos postos de trabalho verdes serão criados até 2030 no mundo.
— Não é uma tendência. É uma necessidade, em função da crise climática que estamos vivendo. Esses empregos, tanto os novos que estão surgindo, quanto os adaptados, estão divididos em diferentes áreas, voltados para a conservação do meio ambiente no nosso dia a dia de uma maneira mais ampla — pontua a química industrial e professora do Programa de Pós-Graduação em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale, Vanusca Dalosto Jahno.
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Embora o termo seja abrangente, empregos verdes são aqueles ligados a práticas que reduzem impactos ambientais e incentivam formas mais responsáveis de produzir e consumir. Entram na lista funções como:
- técnicos em energias renováveis
- profissionais de manejo florestal
- especialistas em gestão de resíduos
- analistas de sustentabilidade
- trabalhadores da reciclagem
- cargos ligados à eficiência energética em indústrias e serviços
Essas ocupações atendem a objetivos distintos dentro da transição sustentável, garante Vanusca. Algumas atuam diretamente na execução de práticas ambientais, outras se dedicam a repensar processos produtivos já consolidados e há ainda aquelas voltadas à criação de tecnologias, modelos de negócio e indústrias inteiras com menor impacto.
— É por isso que, hoje, os empregos verdes estão presentes em todas as áreas da economia. Na construção civil, na tecnologia, na saúde, nas indústrias, na agricultura, transporte e logística, turismo, saneamento básico, administração, ciências contábeis, entre outras — complementa a professora da Feevale.
Além disso, cargos tradicionais também vêm sendo adaptados à agenda ambiental, ampliando o alcance dos empregos verdes. Profissões já conhecidas ganham novas especializações, como mecânicos que agora se dedicam à manutenção de veículos elétricos ou economistas que atuam na bioeconomia, calculando créditos de carbono e avaliando impactos ambientais em cadeias produtivas, por exemplo.
Futuro promissor
Os próximos anos tendem a ampliar as oportunidades ligadas aos empregos verdes em todo o Brasil, prevê a consultora do PUCRS Carreiras Ana Cecília Petersen. No Estado, o movimento é impulsionado por episódios de secas ou enchentes, como a do ano passado, que expõem a urgência da necessidade de adaptação às demandas climáticas.
— Um estudo realizado pelo LinkedIn evidencia essa necessidade de dobrar o número de profissionais focados em empregos verdes até 2050. O mercado e a academia já têm à disposição caminhos de qualificação, para incentivar e promover a capacitação de profissionais que pretendem atuar nessas frentes — afirma Ana Cecília.
A especialista entende que o movimento de transição ocorre naturalmente, tanto para profissionais já inseridos no mercado de trabalho, quanto para os que buscam as primeiras oportunidades. É um processo que, aos poucos, se consolida no cotidiano das empresas, o que faz com que a procura por capacitação e por chances de atuar nesse novo contexto fiquem mais comuns.
De acordo com levantamento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e da Nexus, a percepção sobre o potencial de geração de empregos verdes varia entre as faixas etárias. A pesquisa indica que a confiança na transição sustentável do mercado é maior entre os mais jovens: 62% das pessoas de 16 a 24 anos acreditam no surgimento de novas oportunidades, enquanto o índice é de 59% entre aqueles de 25 a 40 anos.
Já entre os entrevistados de 41 a 59 anos, o otimismo diminui para 49%, e cai ainda mais entre os maiores de 60, chegando a 46%.
— É muito característico da geração. Tem diversos estudos que falam sobre o quanto a geração Z é a mais preocupada com o clima, com justiça social, com propósito, e eles esperam que esses empregadores assumam esse compromisso real, não só no discurso. São profissionais que, já nas entrevistas, questionam sobre essas práticas e sobre a preocupação ambiental — complementa.









































































