
Funcionários da Caixa Econômica Federal entram em greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10), em todo o país. O principal impasse nas negociações é o custeio do plano de saúde da categoria. Em Porto Alegre, a mobilização começou às 8h, na Praça da Alfândega, em frente ao Edifício Querência.
A paralisação atinge o atendimento presencial e online, embora o tamanho do impacto dependa da adesão em cada unidade.
Procurada pela reportagem, a Caixa informou que os canais digitais seguem funcionando, entre eles a Agência Digital Caixa, o autoatendimento, o aplicativo, o site e o WhatsApp Caixa.
No Banco do Brasil (BB), a greve é parcial e ocorre apenas nas bases sindicais que não aprovaram o acordo da categoria. Por enquanto, não há informações de que as agências do Rio Grande do Sul estejam sendo afetadas.
Durante a paralisação, os clientes podem utilizar o aplicativo, o Internet Banking, os correspondentes bancários e a Central de Relacionamento, pelos telefones 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 729 0001 (demais localidades). Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp, pelo número (61) 4001-0001, segundo o BB.
Impasse está no plano de saúde
Entre as principais reivindicações dos empregados está o fim do teto de contribuição da empresa ao Saúde Caixa, o plano de saúde da categoria. Hoje, o gasto do banco com o benefício está limitado a 5,5% da folha de pagamento. Os funcionários querem a volta do modelo anterior, em que a Caixa cobria 70% das despesas e os empregados pagavam os 30% restantes.
O Saúde Caixa, no entanto, é apenas uma das demandas da categoria. Os trabalhadores também reivindicam melhorias no atendimento do plano, mudanças nas regras de renda variável e avanços nas políticas de diversidade, entre outros pontos. Segundo o SindBancários, essas pautas têm importância semelhante para os empregados e fazem parte do conjunto de reivindicações levado às negociações com o banco.
A greve foi decidida em assembleia. Na base do SindBancários, 91,09% dos empregados rejeitaram as propostas apresentadas pelo banco para a renovação do acordo. Na mesma votação, 62,52% aprovaram o indicativo de paralisação por tempo indeterminado.
A rejeição se repetiu no restante do país. Em 93 bases sindicais, os trabalhadores aprovaram a greve. Outras 35 bases recusaram a proposta, mas decidiram pela retomada das negociações.
"A resposta dos empregados da Caixa à falta de avanços nas negociações com o banco será dada nas ruas e nos locais de trabalho", informou o SindBancários.
Orientação é não trabalhar nem de casa
A recomendação do sindicato gaúcho é pela interrupção completa das atividades. Os funcionários não devem comparecer às agências e unidades, trabalhar remotamente, registrar ponto ou acessar os sistemas do banco.
Segundo a entidade, bater o ponto e não trabalhar pode gerar risco disciplinar, inclusive com possibilidade de demissão. Faltas, eventual abono e compensação de horas serão tratados posteriormente nas negociações com a direção da Caixa.
O sindicato também orienta que casos de pressão, ameaça, constrangimento, punição ou qualquer forma de retaliação ligada à adesão à greve sejam comunicados imediatamente à entidade, com o maior número possível de informações sobre o ocorrido.
Ato na Praça da Alfândega
Em Porto Alegre, o SindBancários convoca os empregados da Caixa de toda a base para a concentração em frente ao Edifício Querência.
A programação prevê carro de som, falas de dirigentes sindicais e distribuição de material informativo.
O que diz a Caixa
A Caixa informou que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados e que segue comprometida com a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), documento que define regras de salários, benefícios e condições de trabalho específicas do banco.
Na quarta-feira (9), representantes da instituição apresentaram uma contraproposta à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), entidade que representa as instituições financeiras nas negociações com os sindicatos.
A paralisação ocorre porque o banco não aceitou a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que vale para todo o setor bancário, nem o ACT proposto pela Fenaban e pelo sindicato dos bancários para a Caixa.
Nos bancos privados, a negociação já está fechada. Os bancários aceitaram a proposta que garante a reposição integral da inflação mais aumento real de 0,60% em 2026 e também em 2027, tanto para os salários quanto para as demais verbas.
Na Caixa, sem prazo definido para o fim da greve, a retomada do atendimento normal depende de uma nova rodada de conversas entre o banco e as entidades sindicais.



