
Puxado pela diversificação em produtos de crédito, o lucro líquido do Banrisul alcançou R$ 547 milhões no primeiro semestre de 2026. O resultado representa uma queda de 11% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. Ainda assim, foi avaliado como positivo pela instituição, diante do contexto macroeconômico.
A margem financeira do banco teve um aumento de 5,5% sobre o primeiro semestre anterior.
— Foi um bom resultado e uma boa entrega diante da situação financeira do país e de taxa de juro alta, que prejudica o consumo e o apetite dos empresários. Diante disse, entendemos que foi um resultado bem confortável — destacou o vice-presidente e diretor financeiro, Luiz Gonzaga Veras Mota, na apresentação dos números.
O balanço da instituição foi apresentado nesta quinta-feira (13), em Porto Alegre.
De acordo com o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, entre os destaques do balanço estão a ampliação de receitas e dos negócios de longo prazo, como a gestão da folha de pagamento do funcionalismo estadual.
A carteira de crédito ficou estável em relação a 2025, alcançando R$ 64,4 bilhões em junho. No crédito comercial, a carteira somou R$ 39,5 bilhões, com aumentos no crédito pessoal não consignado e no capital de giro. O crédito para pessoa jurídica cresceu 15,7% (R$ 17,5 bilhões), enquanto para pessoa física caiu 4% (R$ 46,9 bilhões).
Reaberta no início de agosto, a carteira de financiamento imobiliário para o público geral traz boas expectativas para o balanço nos próximo meses. A taxa de juros, no entanto, ainda preocupa:
— Ainda é um pouco caro em razão da Selic. Não é possível seguir numa taxa de juros tão alta porque o endividamento vai ser sempre maior — reforçou Lemos.
A carteira de crédito rural, no entanto, ainda receia diante da dificuldade financeira dos agricultores gaúchos de tomarem crédito. Os gestores demonstraram preocupação com o segmento, que é motor da economia do Rio Grande do Sul. As contratações do novo Plano Safra, por exemplo, ainda não deslancharam, e há expectativas em torno das operações de renegociação de crédito, segundo as condições da Medida Provisória 1.376.
— Estamos caminhando para uma desestruturação do agro, e isso é muito perigoso — enfatizou Lemos.
— Nossa carteira de crédito rural é importante, é grande, mas está estagnada. E nossa carteira de crédito de mobiliário também não vem crescendo, estava até fechada, está estagnada, mas são carteiras que têm margens menores. São importantes porque multiplicam clientes, tem todo um fator de relacionamento — completou o diretor financeiro, Luiz Gonzaga Veras Mota.
"Balanço do futuro"
Mirando os próximos meses, Lemos deu destaque ao que chamou de “balanço futuro” do banco. Entre as novidades, está prevista uma reforma do prédio sede, no Centro Histórico de Porto Alegre, para quando a instituição completar 100 anos, em 2028.
— Vai voltar a ser o farol de Porto Alegre, o farol do Rio Grande do Sul — disse o presidente.
Lemos também falou da aposta nos investimentos em tecnologia para as operações financeiras, com novas ferramentas de inteligência artificial para acelerar os processos digitais das operações do banco gaúcho.
Outros destaques do balanço
- A carteira recursos composta por depósitos, letras de crédito e fundos de investimentos cresceu 4,4% em seis meses, para R$ 139,4 bilhões.
- São 3,1 milhões de clientes aplicadores, 50 mil a mais do que no primeiro semestre de 2025.
- Os recursos captados somaram R$ 116,8 bilhões, alta de 12,2% em um ano.
- As operações realizadas em canais digitais representaram 90,27% do total das transações no primeiro semestre de 2026.


