
Com sinais mistos no âmbito da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) define, nesta quarta-feira (5), o patamar do juro básico do país. A expectativa predominante é de um novo corte na taxa Selic. Se confirmado um recuo de 0,25 ponto percentual, como estimam parte do mercado e analistas, será a quarta redução consecutiva da Selic, que atualmente está em 14,25%.
Reunido desde terça-feira (4), o colegiado liderado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, deve anunciar o veredicto entre o fim da tarde e o início da noite, como é de praxe.
A reunião desta semana ocorre em um contexto de pressões divergentes sobre a inflação. De um lado, houve um alívio no comportamento dos preços nos indicadores mais recentes. Divulgado na semana passada, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,06% em julho, 0,35 ponto percentual abaixo da taxa de junho (0,41%).
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 também desacelerou, passando dos 4,80%, registrados em junho, para 4,52%. Esse freio costuma deixar a autoridade monetária mais confortável para prosseguir com um ciclo gradual de redução do juro.
No entanto, novas frentes de tensão no Oriente Médio e incertezas sobre como o conflito entre Irã e Estados Unidos poderá afetar os preços ao consumidor mantêm o Copom em alerta para possíveis repiques na inflação.
"Mais adequado seria o BC ter uma cautela adicional"
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, reconhece que dados mais recentes de inflação criam ambiente para corte na taxa, mas entende que o cenário mais adequado, no momento, seria o de manter o juro básico em 14,25% e empurrar os cortes para as próximas reuniões, fechando 2026 com juro de 13,75%.
A avaliação se deve à persistência de diversos riscos no radar, como o choque nos preços do petróleo por conta do conflito no Oriente Médio, preços de serviços ainda acima do desejado e riscos de os preços dos alimentos serem afetados por eventuais consequências do El Niño.
— A probabilidade de cortes aumentou muito por conta dos últimos dados de inflação, que melhoraram na margem, vieram abaixo do esperado, e da desaceleração de alguns setores da economia, o que trouxe um certo alívio no curto prazo para o Banco Central. Mas o que a gente acredita que seria mais adequado é que o Banco Central tivesse uma cautela adicional e depois, com o cenário mais claro, realizasse os cortes a seguir — alegou Sung.
Às vésperas da decisão, o último relatório Focus, do BC, chamado informalmente de "consenso de mercado", apontou, na segunda-feira (3), mais otimismo para a Selic e a inflação neste ano. Também reduziu a expectativa de IPCA de 5,12% para 5,03% no fim de 2026. Já a projeção de juro oscilou de 14% para 13,75%.



