
A Casas Bahia registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Este é o oitavo trimestre seguido de resultado negativo e já levou a companhia a reduzir o tamanho da operação, com fechamento de lojas e revisão do quadro de funcionários, com provável redução de 30% no número de postos. A empresa também avalia mudanças no modelo de negócio e até uma nova recuperação extrajudicial ou judicial.
Segundo a empresa, o movimento é impulsionado por um "ambiente macroeconômico desafiador para o varejo brasileiro de bens duráveis, caracterizado por elevado custo de crédito e pressão sobre a capacidade financeira dos consumidores". "Além disso, houve uma redução nos limites de crédito concedidos por seguradoras a fornecedores, o que obrigou a companhia a reduzir seu volume de compras e, consequentemente, operar em uma escala menor", afirmou a empresa na divulgação dos resultados financeiros.
Nesse cenário, a empresa admite explicitamente a possibilidade da recuperação judicial. "Dentre as medidas avalias pela companhia e passíveis de potencial implementação estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial", disse.
Consultoria coloca em dúvida continuidade da operação
A administração ressalta que R$ 9,1 bilhões do prejuízo referem-se a itens não recorrentes e sem efeito imediato no caixa. Esses ajustes ocorreram porque a empresa revisou suas projeções de lucro futuro, o que a obrigou a dar baixa em ativos que não seriam mais recuperáveis.
Ao mesmo tempo, a dívida líquida da empresa ficou em R$ 1,2 bilhão no trimestre encerrado em junho e o patrimônio líquido está negativo em R$ 8,2 bilhões. Com isso, o grupo deve reduzir investimentos e priorizar tecnologia, logística e canais digitais, além de diminuir estoques e vender ativos para reforçar o caixa.
Apesar do prejuízo bilionário, a Casas Bahia gerou R$ 798 milhões em fluxo de caixa livre no trimestre. A auditoria Ernst & Young, porém, apontou incertezas sobre a capacidade de a empresa manter suas operações, diante do patrimônio líquido negativo e do excesso de obrigações de curto prazo em relação aos ativos disponíveis.
"A companhia depende da implementação bem-sucedida de determinadas medidas operacionais e financeiras para suportar suas necessidades de capital de giro e cumprir suas obrigações nos vencimentos contratados", disse a auditoria, o que reforçaria a necessidade de uma eventual recuperação judicial ou extrajudicial.
No RS, lojas fechadas e dezenas de demissões
No Rio Grande do Sul, houveram dezenas de demissões com o fechamento de lojas em Porto Alegre, Viamão, Caxias do Sul, Cachoeira do Sul, Santa Maria, Canoas, Gravataí, Cruz Alta, Vacaria, Canela e Ijuí. Na Capital, foram encerradas três unidades, com pelo menos 40 trabalhadores dispensados.



