
Dando espaço a temas e demandas com potencial para acelerar o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul, o Conselho Editorial do Grupo RBS promoveu, nesta terça-feira (9), nova rodada de ouvidoria com representantes de diferentes setores do Estado. As lideranças discutiram pontos que precisam ser destravados para se promover o avanço gaúcho em diferentes frentes.
Cada representante presente foi convidado a compartilhar um ponto que, em seu entendimento, tem impedido avanços no desenvolvimento do Estado e uma possível solução ao problema. A mediação da conversa foi realizada pela comunicadora Giane Guerra. Entre os temas destacados pelos líderes dos setores, estão insegurança jurídica, polarização, irrigação, vocação econômica gaúcha para segmentos diversos e retenção de ativos, como empresas e talentos (leia mais sobre as pautas abaixo).
O presidente do Conselho de Gestão e publisher do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, destacou o compromisso da empresa de ampliar a conexão com o seu público e de dar visibilidade a temas urgentes para o desenvolvimento do Estado:
— Estamos pedindo as contribuições de agentes relevantes da sociedade para que o protagonismo da RBS seja produtivo e realmente eficaz para o Rio Grande do Sul, especialmente neste ano eleitoral. Com esta série de ouvidorias e movimentos, buscamos ampliar ainda mais nossa conexão com os gaúchos, ressaltando nossos princípios editoriais e alavancando temas relevantes para o benefício da nossa sociedade.
CEO da RBS, Patrícia Fraga reforçou a importância de promover uma escuta qualificada para se entender os desafios e as oportunidades de quem está à frente da economia gaúcha:
— A intenção é promovermos a escuta qualificada para entender quais são os desafios e as oportunidades de quem está à frente da economia, da inovação e da tecnologia do Estado. Acreditamos que ações de diálogo e de construção conjunta, com diferentes perspectivas, podem contribuir para encontrar novos caminhos e soluções para o Rio Grande do Sul. O propósito da RBS é impactar positivamente a vida das pessoas e o nosso papel é ser esse agente de conexão.
Outras edições de ouvidorias do Conselho Editorial serão realizadas neste ano eleitoral, reunindo as contribuições dos convidados em um documento de compromissos com o desenvolvimento gaúcho, que será entregue em agosto aos candidatos ao governo do Estado.
Também participaram do encontro os membros do Conselho de Gestão do Grupo RBS Fernando Tornaim, Geraldo Corrêa e Marcelo D. Ferreira, além da diretora-executiva de Jornalismo, Marta Gleich, da diretora-executiva de Marketing e Entretenimento, Caroline Torma, líderes de redação e comunicadores.
Veja quais lideranças participaram do encontro
- Claudio Bier - presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers)
- Domingos Velho Lopes – presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul)
- Rodrigo Sousa Costa – presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul)
- Rafael Goellner Garcia – presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon)
- Antônio Lacerda – diretor-geral da CMPC
- Fabiano Dallazen – diretor de relações institucionais da Aegea
- André Busnello - diretor-jurídico do Porto Meridional
- Luciano Fialho - vice-presidente da Scala Data Centers
- Vilson Noer - presidente da Federação das Associações Gaúchas do Varejo (FAGV)
- Leandro Evaldt - secretário de Desenvolvimento Econômico do RS
- Alexandre Saltz - procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, representando o Ministério Público do RS
As prioridades apontadas pelas lideranças
Insegurança jurídica
Entre os problemas a serem enfrentados, as lideranças apontaram os entraves jurídicos que trazem insegurança para a implementação de novos negócios no Estado. Para as empresas, as contestações na Justiça atrasam a concretização de grandes projetos com potencial de geração de renda, empregos e desenvolvimento econômico.
Entre os desafios para a maior celeridade, o procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Alexandre Saltz, apontou a necessidade de que as decisões estejam alinhadas à necessidade social. As lideranças destacaram a importância do poder transformador do diálogo, aproximando empresas e sociedade em torno dos projetos econômicos.
Irrigação
O impacto econômico em decorrência das perdas na agricultura quando há falta de chuva segue sendo um dos maiores problemas para o PIB gaúcho. A necessidade de se expandir a irrigação foi levantada como tema urgente para reduzir o prejuízo econômico no Estado. O que não é colhido deixa de ser arrecadado pelos municípios produtores. Consequentemente, é recurso que deixa de circular na economia gaúcha como um todo, no comércio, na indústria e nos serviços. O endividamento dos produtores e o alto custo do crédito também foram apontados como problemas que dificultam investimentos na agricultura.
Entendimento da vocação econômica
Na avaliação dos líderes, o Rio Grande do Sul precisa entender e explorar melhor a sua vocação econômica estratégica para setores diversos. Para as lideranças, a aptidão singular gaúcha precisa ser mais bem aproveitada, de forma a atrair grandes investimentos.
O Estado é estratégico para implementação de projetos, especialmente os ligados à tecnologia. Para isso, os representantes dos setores apontam a criação de políticas públicas que tornem o Estado mais atrativo e apto a abrigar investimentos de grande porte. Além da posição geográfica estratégica no Cone Sul, a mão de obra qualificada gaúcha na área de tecnologia é importante ativo para empreendimentos ligados à inovação.
Retenção de ativos
A necessidade de se criar um ambiente “menos hostil” aos negócios é pauta tratada como fundamental pelas lideranças ouvidas. Um Estado sem entraves burocráticos ou jurídicos é capaz não só de fomentar negócios, mas também de reter talentos e empresas que deixam o RS para trabalhar ou se instalar em outros locais.
Para os empresários presentes, a rejeição a investimentos bilionários faz parecer que o Rio Grande do Sul não é seguro para os projetos de grande porte. A economia se move por confiança. Para isso, é fundamental despertar a opinião pública em torno da segurança gaúcha para sediar empreendimentos e negócios relevantes ao Estado.
Educação
Formar profissionais capacitados, atentos às novas necessidades do mercado de trabalho e especialistas em suas áreas também está entre os desafios listados pelas lideranças. Para este objetivo, empresas e entidades apostam nos incentivos ao ensino, especialmente os de formação técnica, a fim de atender à demanda por mão de obra nos mais diversos setores.
Polarização
As lideranças reforçaram a preocupação com o clima de polarização e “grenalização” constante no Estado. O tema permeou a fala da maioria dos participantes, que entendem ser necessária a busca por consensos em lugar de confrontos que impedem o avanço de pautas relevantes para o Rio Grande do Sul.
O que disseram as lideranças
O ineditismo e o protagonismo em causas jurídicas sempre colocaram o Rio Grande do Sul em destaque. O problema principal é quando se misturam ineditismo e ativismo. À medida que o ativismo entra e contamina esta pauta, todo o ineditismo que o Rio Grande do Sul tem trazido de positivo para o Brasil começa a ter efeitos maléficos.
ANTÔNIO LACERDA
Diretor-geral da CMPC
Temos criado ferramentas, como o Plano de Desenvolvimento Econômico, para fomentar e desenvolver o Estado. Outra ação importante foi a criação da Invest RS, agência que tem condição de atrair investimentos pelo mundo todo. O Estado está no caminho certo, temos as condições de dar sequência a esses investimentos.
LEANDRO EVALDT
Secretário de Desenvolvimento Econômico do RS
Falar sobre segurança jurídica no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, é uma situação muito difícil. Nosso papel é observar e intervir o mínimo possível nas situações que causam qualquer tipo de impacto indesejado para todos os gaúchos, não para um setor específico, mas para a sociedade como um todo.
ALEXANDRE SALTZ
Procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul
Quando o PIB do Rio Grande do Sul é negativo? Quando temos estiagens. A relação é direta. De 2020 para cá, perdemos 41 milhões de toneladas de grãos em culturas de verão. Temos que dar foco na falta de irrigação, até porque vivemos um momento de transição gigantesca em que temos a maior oportunidade do Brasil e do Estado.
DOMINGOS VELHO LOPES
Presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul)
O Rio Grande do Sul tem uma vocação e precisa perceber isso. O Estado está muito bem posicionado no Cone Sul e pode atender a uma área grande. Tem uma temperatura que faz com que os data centers sejam muito mais eficientes. Tem uma matriz energética diversificada e isso para data centers é vital. Tem mão de obra especializada e capacidade acadêmica que supera outros Estados.
LUCIANO FIALHO
Vice-presidente da Scala Data Centers
A educação é o que pode salvar o país. Das 52 mil indústrias que temos no RS, 95% têm até 50 funcionários. Nos demos conta de que essas indústrias são as que precisamos modernizar e levar tecnologia. Estamos investindo nisso fortemente, lançamos um programa de robótica para a rede pública para formarmos uma sementinha para que tenhamos professores e alunos no Estado todo que saibam de robótica.
CLAUDIO BIER
Presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers)
Poucos lugares no mundo têm tantas possibilidades a serem exploradas de forma sustentável como o Rio Grande do Sul. Se investíssemos pesado na educação e resgatássemos a nossa posição de primeiro lugar no Brasil em qualidade de ensino, o efeito em termos econômicos seria outro. Se não melhorarmos o ambiente de negócios, transformando-o em um ambiente acolhedor, seguiremos vendo nossos talentos indo para outros locais.
RODRIGO SOUSA COSTA
Presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul)
Aqueles que têm uma parcela de interferência na consecução de um investimento, de uma obra, de algo importante, tem que ter de forma muito clara e escrutinada também a sua responsabilidade pelo exercício do seu poder de interferência. É um exercício de iluminar a consequência e a responsabilidade.
FABIANO DALLAZEN
Diretor de relações institucionais da Aegea
Só gostando muito do pedaço de terra para insistir e empreender, porque as oportunidades se fazem melhor em outros Estados. Vide Santa Catarina, que tem oito portos licenciados. Qual é a diferença da lei ambiental, do meio ambiente ali? Temos que fazer um convencimento da sociedade de que precisamos dos grandes projetos.
ANDRÉ BUSNELLO
Diretor-jurídico do Porto Meridional
O varejo vive da renda, do emprego e do crédito. Se nós temos renda e temos emprego, nós temos um Estado que está desenvolvendo. Mas aí batemos em outra questão, que é a falta da mão de obra. A falta de mão de obra é gigantesca em todos os setores.
VILSON NOER
Presidente da Federação das Associações Gaúchas do Varejo (FAGV)
Temos 80% das construtoras relatando falta de mão de obra. Não vemos novos entrantes para este setor. E não é questão de salário, porque a construção civil é líder na indústria neste ponto. É uma questão estrutural e é um desafio que tem de ser costurado em conjunto com todas as partes.
RAFAEL GOELLNER GARCIA
Presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon)


