
O governo federal lança nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, novo título público que entra no mercado como concorrente direto da poupança, dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e das chamadas caixinhas digitais dos bancos.
A aplicação mínima é de R$ 1, a rentabilidade equivale a 100% da Selic, hoje em 14,50% ao ano, e o resgate pode ser feito a qualquer momento, inclusive aos fins de semana e feriados.
O lançamento oficial ocorreu com o tradicional toque da campainha na B3, a bolsa de valores brasileira.
Na fase inicial, o produto fica disponível para cerca de 80 milhões de correntistas do Banco do Brasil, que desenvolveu a operação em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional.
A liberação integral para os clientes do BB começou na última quinta-feira (7), após uma etapa de testes com um grupo restrito.
A proposta do novo título é simplificar o investimento em renda fixa pública e atrair quem ainda mantém dinheiro guardado na poupança ou nos cofrinhos virtuais oferecidos pelos bancos.
Segundo o Ministério da Fazenda, o Tesouro Reserva foi pensado para a formação de reserva financeira, com foco em simplicidade e previsibilidade.
O que muda em relação ao Tesouro Selic
O Tesouro Reserva se diferencia do Tesouro Selic em três pontos principais:
- Aplicação mínima menor: o investimento pode começar com apenas R$ 1
- Resgate imediato: o dinheiro pode ser sacado a qualquer hora, inclusive aos fins de semana e feriados
- Sem marcação a mercado: o título não sofre oscilações diárias de preço conforme as expectativas para juros e inflação, o que evita perdas em caso de resgate antecipado
Como o título paga apenas a Selic, sem adicional de prêmio ou correção pela inflação, e a taxa básica é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a cada seis semanas e expressa em base diária, não há necessidade de qualquer apreçamento ou marcação a mercado.
Na prática, isso significa que o investidor recebe o valor aplicado mais a rentabilidade acumulada até o dia do resgate, sem oscilações de curto prazo.
O rendimento começa a contar já no primeiro dia útil da aplicação.
Valores, prazos e como funciona o resgate
O investimento mínimo é de R$ 1, e o mesmo valor vale como piso para qualquer movimentação de resgate. Cada investidor pode aplicar até R$ 500 mil por mês no produto.
O vencimento do título é de 10 anos, mas o dinheiro pode ser sacado a qualquer momento, com os rendimentos acumulados até a data.
As operações funcionam praticamente 24 horas por dia, sete dias por semana, com indisponibilidade apenas no intervalo entre 0h e 1h.
O resgate é imediato, com o dinheiro caindo na conta do investidor logo após a solicitação, e há possibilidade de transferência via Pix.
Rentabilidade e custos
O título rende 100% da Selic, taxa básica de juros da economia que está em 14,50% ao ano desde a última decisão do Copom. Por ser um papel emitido pelo governo federal, é considerado um investimento de baixo risco.
Sobre a aplicação, incidem três custos:
- Imposto de Renda: segue a tabela regressiva da renda fixa, com alíquota de 22,5% para resgates em até 180 dias, caindo gradualmente até 15% para aplicações mantidas por mais de dois anos
- Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): cobrado apenas se o saque ocorrer nos primeiros 30 dias
- Taxa de custódia da B3: de 0,20% ao ano, com isenção para valores investidos de até R$ 10 mil
Como investir
A simulação de rendimento pode ser feita no site do Tesouro Direto, mas a aplicação em si é concluída na plataforma da instituição financeira parceira.
Por enquanto, o produto está disponível apenas no Banco do Brasil. Quem ainda não é correntista precisa abrir conta na instituição, em um processo totalmente digital, para fazer o investimento.
O passo a passo segue o fluxo tradicional do Tesouro Direto:
- O cliente acessa a área de investimentos no aplicativo do banco
- Seleciona o Tesouro Reserva
- Define o valor que deseja aplicar;
- Confirma a operação
- O acompanhamento do investimento também é feito pelo aplicativo
Próximos passos
A oferta em outras instituições financeiras dependerá da adesão e da implementação por parte de cada banco.
Segundo o Ministério da Fazenda, o cronograma para a habilitação de novas instituições ainda não foi divulgado.
O projeto passou por ajustes operacionais durante a fase de testes, o que adiou a estreia em relação ao calendário inicialmente previsto pelo governo.
Glossário dos investimentos
Renda fixa

Tipo de investimento em que a regra de rentabilidade é conhecida no momento da aplicação. O investidor não sabe exatamente quanto vai receber no futuro, mas já tem definido qual índice ou taxa vai determinar esse retorno.
São opções mais seguras e estáveis, como Tesouro Direto, CDBs, LCIs e LCAs.
Renda variável
Aplicações cujo retorno não é garantido e que podem oscilar conforme o mercado. Embora envolvam maior risco, oferecem potencial de lucro mais elevado. Exemplos comuns incluem ações, fundos imobiliários (FIIs) e criptomoedas.
Liquidez
Capacidade de transformar um investimento em dinheiro rápido. Quanto maior a liquidez, mais fácil resgatar os recursos sem perda.
Tesouro Direto
Programa do governo que permite investir em títulos públicos federais. Exemplos: Tesouro Selic (curto prazo), Tesouro IPCA+ (proteção contra inflação) e Tesouro Renda+ (planejamento para aposentadoria).
Principais títulos:
- Tesouro Selic: pós-fixado, acompanha a taxa Selic. Seguro e com alta liquidez
- Tesouro Reserva: pós-fixado, paga 100% da Selic e é voltado à formação de reserva financeira
- Permite aplicação a partir de R$ 1, com resgate imediato a qualquer hora e sem marcação a mercado
- Tesouro IPCA+: rentabilidade atrelada à inflação (IPCA), protege o poder de compra
- Tesouro Renda+: voltado ao planejamento da aposentadoria, complementa a renda futura
- Tesouro Educa+: criado para ajudar famílias a planejar os estudos dos filhos, com correção pela inflação
Certificado de Depósito Bancário (CDB)
Investimento de renda fixa em que o aplicador "empresta" dinheiro a um banco, que paga juro sobre o valor depositado. Os CDBs podem ter rentabilidade pré-fixada, pós-fixada ou híbrida, oferecendo diferentes opções para o investidor.
Além disso, são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF e por instituição, tornando-os mais seguros que a poupança e adequados para perfis conservadores.
Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
Entidade privada e sem fins lucrativos que protege depositantes de bancos e outras instituições financeiras em caso de falência ou liquidação. Garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
O FGC cobre produtos como CDBs, LCIs e LCAs, mas não protege valores em fundos de investimento, ações ou outros títulos de renda variável.
Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA)
Títulos de renda fixa emitidos por bancos, usados para captar recursos para setores específicos. A LCI financia o setor imobiliário, enquanto a LCA é voltada ao agronegócio, incluindo produtores rurais, cooperativas e agroindústrias.
Ao investir, você "empresta" dinheiro ao banco, que utiliza os recursos para conceder crédito e financiar os setores correspondentes. O valor aplicado é devolvido no vencimento acrescido de juro, e os rendimentos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Outras características importantes:
- Renda fixa
- Proteção do FGC
- Baixa liquidez
Fundos imobiliários (FIIs)
São fundos de investimento que reúnem recursos de diversos investidores para aplicar em ativos imobiliários, como imóveis físicos (shoppings, prédios comerciais, galpões), construção de novos empreendimentos ou aquisição de títulos de dívida do setor, como CRIs e LCIs.
Ao comprar cotas de um FII, você se torna cotista e recebe rendimentos periódicos gerados pelos ativos, sem precisar comprar os imóveis diretamente.
Como funcionam:
- Condomínio de investidores: vários participantes unem recursos para investir em imóveis ou títulos imobiliários
- Gestão especializada: um gestor profissional seleciona ativos, negocia títulos ou busca inquilinos, gerando renda
- Geração de renda: a receita vem da locação dos imóveis, da venda deles, da distribuição de juro de títulos imobiliários ou da valorização das cotas
- Distribuição de rendimentos: pagamentos periódicos aos cotistas, geralmente mensais
- Acessibilidade: permitem investir no mercado imobiliário com valores menores que os necessários para comprar um imóvel próprio
Tipos de FIIs mais comuns:
- Fundos de Tijolo: investem diretamente em imóveis físicos, como shoppings, prédios comerciais, galpões logísticos, hospitais e universidades
- Fundos de Papel: investem em títulos de dívida ligados ao setor imobiliário, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e LCIs
- Fundos de Fundos (FoFs): investem em cotas de outros Fundos Imobiliários
Como investir:
É preciso adquirir cotas de FIIs por meio de uma corretora, comprando-as no mercado secundário, da mesma forma que se compra ações.
Reserva de emergência
Valor equivalente a, no mínimo, três meses da renda mensal, aplicado em investimentos de alta liquidez e baixo risco. Funciona como um colchão financeiro para imprevistos.
Perfil do investidor
Determina a tolerância ao risco. Pode ser conservador (prioriza segurança), moderado (aceita algum risco) ou arrojado (busca maiores retornos mesmo com risco elevado).
Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic)
A taxa Selic é a taxa básica de juro da economia brasileira. É ela que influencia outras taxas de juro do Brasil, como empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.
A definição da taxa Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.



