
Em ano de Copa do Mundo, renovar o conforto de casa já é quase tradição. A expectativa pelos jogos aquece o mercado de eletrônicos, especialmente a venda de televisores. A tendência neste ano aponta para a busca por telas grandes e conectividade.
A previsão no varejo é de que a demanda seja puxada por televisores acima de 75 polegadas e pela maior tecnologia embarcada, como telas LED, QLED e OLED, resolução 4K e integração com segunda tela. Com o crescimento do streaming e da transmissão de jogos pelo Youtube, aumentou a exigência dos consumidores por equipamentos mais rápidos e com maior acesso a aplicativos.
Da mesma forma, os consumidores preferem hoje equipamentos que tenham fácil integração da TV com outros aparelhos. O hábito de assistir televisão ao mesmo tempo em que se usa o celular é realidade entre os consumidores, aumentando a demanda por equipamentos que possam ser integrados.
— Quanto maior o tamanho, maior o interesse. Os modelos de 65 polegadas para cima são os mais buscados. E, junto, já dão uma olhada nos sofás. É pra ver gol de cinema — comenta Raphael Xavier, vendedor em uma das unidades da Lojas Colombo na Capital.
Dados da consultoria de mercado GfK mostram que o segmento de televisores tende a registrar crescimento de dois dígitos no Brasil em anos de grandes eventos esportivos, impulsionado pela troca por modelos maiores e mais tecnológicos. No Rio Grande do Sul, a expectativa da Federação do Comércio de Bens e de Serviços (Fecomércio-RS) é de que as vendas relacionadas ao torneio mundial movimentem nichos específicos.
Economista-chefe da entidade, Patrícia Palermo lembra que as tradições de venda em torno da Copa se adaptaram às mudanças no perfil de consumo. Se antes os torcedores paravam para assistir as seleções em frente à TV, hoje este acesso se dá também em outras telas, como a do celular, o que reflete no mercado de eletrônicos.
A Fecomércio não projeta dados de vendas específicos para a data. Ainda assim, espera um aquecimento.
— Historicamente, isso movimentou muito o mercado, mas com o tempo foi perdendo o peso, também por uma questão geracional de consumo. Muitos jovens sequer têm TV em casa. Então, o apelo mudou ao longo do tempo. Ainda assim, vai movimentar o varejo, só que de forma mais nichada — observa Patrícia.

Sobre as tendências, a economista reforça que as grandes TVs tendem a ser as mais favorecidas entre as vendas, especialmente as de tamanhos voltados para ambientes corporativos, comerciais ou que comportem reunião de pessoas.
Já sobre os canais de consumo, a expectativa é de que as lojas físicas assumam papel estratégico. Ainda que as compras de eletrônicos sejam em sua maioria feitas hoje pelo e-commerce, as datas sazonais como a Copa do Mundo costumam gerar grande fluxo de compradores nos pontos físicos para checar de perto as tecnologias, como a qualidade do som e da imagem.
No centro de Porto Alegre, ponto tradicional do comércio de rua, as lojas já anunciam as promoções de Copa em suas vitrines. Segundo os lojistas, a convocação da seleção brasileira na segunda-feira (18) ajudou a impulsionar o clima de torneio.
Carlos Alberto Nunes, responsável pelo administrativo de vendas na Casas Bahia, diz que o design das lojas costuma ser pensado do “pequeno ao maior produto”, para que o cliente tenha uma visão do todo. Mas em época de Copa a montagem é invertida, começando pelas TVs grandes, justamente para direcionar ao que mais se busca.





