
Os desafios para empreender em um ambiente complexo como o do Brasil foram temas centrais da arrancada do primeiro dia do 39º Fórum da Liberdade, na manhã desta quinta-feira (9).
O segundo painel do evento foi uma conversa com o empreendedor e cofundador e CEO do Instituto B55, Cristhiano Faé, o fundador e chairman da XP, Guilherme Benchimol, e o cofundador e CEO da Nelogica, Marcos Boschetti. O debate foi mediado pelo diretor financeiro do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Rodrigo Villa Real Mello. Eles abordaram desafios e oportunidades para quem escolhe ter um negócio no Brasil e como o empreendedorismo é uma alavanca importante para o crescimento do país.
Para Benchimol, quem move o Brasil são os empreendedores. Portanto, ele destaca a importantância de criar um ambiente que incentive e, principalmente, prepare esses agentes. A efetividade desse processo vai ajudar o país a crescer e aproveitar melhor seu potencial, segundo o executivo:
— Acho que uma mudança importante é a gente ter um Estado cada vez menos intervencionista, com as contas públicas cada vez mais arrumadas. Porque, com isso, a taxa Selic fica menor e as pessoas assumem mais risco. Temos empreendedores espetaculares no Brasil, mas, com dinheiro caro, eles aparecem menos.
Além das questões macroeconômicas, da porta para dentro das empresas alguns problemas acabam limitando o crescimento de negócios, segundo Cristhiano Faé. O cofundador e CEO do Instituto B55 destaca que falta de talentos, ausência de competências adequadas para chegar aos próximos estágios, conflitos entre a pessoa física e jurídica, e a falta de capital ou excesso de caixa combinado com decisões erradas estão entre os empecilhos para empreendedores que tentam avançar. Além desses mais corriqueiros, elenca um principal: o gestor que não faz autocrítica e nem tem a humildade de entender que é preciso ser uma liderança que monta e gere as melhores equipes.
— Se eu não estou sempre me reinventando, vou me tornar o gargalo de crescimento do negócio. Quando a empresa cresce, a gente tem que ser um grande orquestrador de gente muito melhor do que a gente. Tem que tirar o papel do CEO, do fundador e passar a tirar as catracas da frente para deixar os caras fazerem a coisa acontecer — destaca.
Em linha com este pensamento, Boschetti destacou o fato de o Brasil contar com uma ótima base de talentos. Portanto, é preciso dar as condições e pavimentar o caminho para essas pessoas florescerem e usarem esse potencial em prol do crescimento do país. O cofundador e CEO da Nelogica também destacou a necessidade de empreendedores terem estratégias definidas para alcançar novos estágios do negócio:
— Quando o empreendedor faz as perguntas certas, ele entende, faz a autocrítica do seu papel dentro da estrutura, mobiliza as pessoas, aloca os recursos da maneira correta, as coisas acontecem, independentemente do macro. Porque o macro a gente não controla. Onde a gente tem total controle é da porta para dentro.
Os painelistas foram quase unânimes quanto à importância de o empreendedor buscar a evolução como líder, gerir times e entender que essas equipes mudam ao longo do tempo e de definir e seguir uma cultura sustentável, que pense no longo prazo e não apenas no retorno imediato. Também destacaram como a capacidade de reconhecer erros, estar em constante aprendizado e ter bons exemplos são fundamentais para prosperar. Nesse sentido, iniciativas como o Instituto B55 vêm para somar e auxiliar negócios.
Tendo em vista o ano com eleições presidenciais, o tema do fórum em 2026 é "O Brasil tem jeito". Palestrantes discorrem sobre erros e acertos do país, percorrendo áreas como economia, geopolítica e cultura.

