
O empreendimento social como ponte para mudar realidades emocionou a plateia no segundo e último dia do Fórum da Liberdade. Sob o tema "Quem quer, dá um jeito", três grandes empresários brasileiros falaram sobre o poder do voluntariado e da filantropia para transformar o país.
O debate reuniu Alcione Albanesi, empresária e filantropa fundadora da ONG Amigos do Bem; Chieko Aoki, fundadora e presidente da Blue Tree Hotels; e Marco Aurélio Raymundo, o Morongo, fundador e dono da Mormaii.
Na quinta-feira (9), o evento organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) registrou recorde de público inscrito. Os painéis ocorrem no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre.
Abrindo as falas do painel, Alcione Albanesi lembrou da grande enchente no Rio Grande do Sul, em 2024, quando a solidariedade tomou o país em prol da reconstrução do Estado. A junção de esforços se assemelha ao trabalho coletivo realizado pela empresária no sertão brasileiro.
Com a visão empreendedora de quem introduziu as lâmpadas de LED no mercado brasileiro, Alcione buscou expandir o seu impacto social. A indignação com a desigualdade despertou nela a vontade de mudar a condição social brasileira, com um projeto social fincado no Nordeste. Hoje, o Amigos do Bem leva emprego, ensino e saúde às populações de 300 povoados.
— Tenho grande satisfação de estar fazendo o que acredito — disse Alcione sobre o trabalho realizado, aplaudida de pé pela plateia.
À frente da rede Blue Tree Hotels, Chieko Aoki falou da importância de se reforçar a capacidade da contribuição. Segundo ela, o empreendedorismo tem "uma capacidade incrível de transformar o país", já que o setor não constrói apenas valor, mas a capacidade de levantar a coletividade.
Foi assim que a empresária viu o potencial da hotelaria e do turismo para transformar cidades inteiras. E, para isso, criar uma hospitalidade genuinamente brasileira é um dos seus propósitos. Para Chieko, trabalhar a capacidade de receber, de forma organizada, impulsiona a imagem do país. Através da hotelaria, diz, também é possível influenciar o setor de serviços para que o Brasil seja convidativo a pessoas do mundo todo.
— Todo empreendedor pode praticar o bem-cuidar. O que nós precisamos no país é cuidar. E o Brasil tem um patrimônio incrível, que é a sua população. Só dá certo quando todos ganhamos — afirmou a empresária.
Traçando um paradoxo entre a entropia e a entalpia como analogia para o empreendedorismo social apresentado pelas colegas de palco, o fundador da Mormaii destacou que o trabalho feito pelas empresárias faz o bem e gera valor. Algo que, segundo ele, só se faz com liberdade.
Para o empresário, as ações de reparação social são como luz em meio à treva, e algo que só pode ser construído coletivamente.
— Não existe mais espaço para o egoísmo, para o ego, para o eu — disse Morongo.





