A inadimplência no Rio Grande do Sul segue renovando patamares históricos. Quase metade da população adulta gaúcha tinha dívidas em atraso em março, atingindo o índice recorde de 46,47%, ou 4,1 milhões de pessoas com o nome negativado.
São mais de 587 mil inadimplentes somente em Porto Alegre, que devem R$ 4,9 bilhões. Juntas, as dívidas no Estado somam R$ 31,9 bilhões, com destaque para bancos e cartões de crédito, que concentram mais de um quarto do valor total.
O dado calculado pela Serasa indica que o endividamento vem crescendo mesmo após períodos de recuperação econômica. Apesar da inflação em patamares baixos e do desemprego em queda, o custo de vida elevado e os juros altos seguem pesando no bolso. Para a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, esse conjunto acaba dificultando o equilíbrio financeiro no dia a dia.
— Na prática, mostra como o crédito, quando não bem planejado, pode acabar comprometendo uma parte importante da renda das famílias — comenta Aline.
No país, as taxas de comprometimento financeiro também são históricas. Mais de 82,8 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em março deste ano, com um total de 338 milhões de dívidas. Em fevereiro, eram 81,7 milhões de pessoas.
Entenda a diferença
- Endividado: é qualquer pessoa com contas a pagar, como parcelas de cartão de crédito, financiamentos ou empréstimos.
- Inadimplente: é quem tem dívidas em atraso, ou seja, que não conseguiu pagar o valor devido no prazo.
A especialista da Serasa reforça a importância de os consumidores avaliarem as suas contas e buscarem, sempre que possível, uma renegociação do que está em atraso. Em muitos casos, os consumidores conseguem acessar suas dívidas de forma digital e encontrar ali mesmo condições com descontos e opções de pagamentos acessíveis:
— O mais importante é não adiar o movimento de quitação dos débitos. O quanto antes a pessoa entender a situação e buscar alternativas para a sua realidade financeira, maiores são as chances de se reorganizar e manter contas em dia.
Amigos, amigos... negócios à parte
Outro recorte da pesquisa mostra que seis em cada 10 brasileiros já cederam o seu CPF para conhecidos fazerem compras. Apesar de comum, a prática pode ser perigosa: 34% dos que emprestaram seu nome acabaram endividados após o não pagamento das contas assumidas.
O levantamento também mostra que 29% das pessoas que já emprestaram o nome se arrependeram da decisão e não fariam novamente. Além disso, a prática acontece principalmente com pessoas consideradas de confiança.
- em 60% dos casos, o empréstimo foi feito para familiares;
- 31% para amigos;
- 14% para colegas de trabalho;
- 11% para parceiros;
- e 3% para outras pessoas
A especialista da Serasa, Aline Vieira, lista algumas dicas de como ajudar sem comprometer o próprio bolso. Confira.
Avalie a situação com racionalidade
Antes de decidir emprestar o nome, é importante entender quem está pedindo a ajuda, o motivo do pedido e se há um plano real de pagamento.
— Confiança é importante, mas em casos como esse exige também uma análise financeira e prática — diz Aline.
Tenha clareza sobre a dívida
Informe-se sobre valores, prazos, juros e possíveis encargos. Ao formalizar o crédito em seu nome, toda a responsabilidade passa a ser sua, em caso de inadimplência.
Entenda o contexto do pedido
Se o crédito foi negado para a outra pessoa, é importante compreender os motivos. Isso pode indicar um risco maior de não pagamento.
Considere os impactos no seu futuro financeiro
Dívidas ativas podem limitar o acesso a crédito e comprometer planos pessoais, como financiamentos ou novos empréstimos.
Saiba dizer não
Preservar a saúde financeira pode evitar conflitos, estresses e desgastes na relação com familiares, amigos e colegas. Ofereça ajuda de outras formas, como orientação ou apoio na negociação de dívidas.


