
Era pouco antes das 20h quando um dos mais aguardados nomes desta edição do Fórum da Liberdade subiu ao palco do evento. O economista Paulo Guedes, ministro da Economia entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, palestrou nesta quinta-feira (9), no Centro de Eventos da PUCRS, em evento mediado por Hugo Muller, vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE).
Guedes concluiu doutorado na renomada Universidade de Chicago, reconhecida referência internacional no estudo do liberalismo econômico. O economista se consolidou como um dos principais representantes das ideias liberais no Brasil.
Durante a apresentação, Paulo Guedes relembrou sua passagem na vida pública. Com carta branca durante a gestão de Bolsonaro, Guedes chegou a ser conhecido como "superministro" da Economia.
— Nos países onde era tudo amarrado, começaram a desamarrar e começou a crescer. Por isso, o Brasil tem um potencial imenso. Porque é tudo tão amarrado que, se você desamarra, pode sair voando, e foi o que a gente fez — destacou Paulo Guedes, bastante aplaudido pelo público.
Em sua explanação, Guedes fez uma análise dos movimentos da economia global no último século. Segundo o ex-ministro, antigos países socialistas, como a China e os países da antiga União Soviética, abriram sua economia e passaram a ter crescimento econômico e prosperidade a partir do final do século 20. Já os países do Ocidente não acompanharam o ritmo de crescimento e se viram em uma crise, tendo que apertar um "botão de emergência".
— Os conservadores, defensores da pátria e da família, assumiram o banco da frente; os liberais assumiram o banco de trás; e os socialistas foram para fora do caminhão. Foi a aliança que eu também fiz aqui — disse.
O ex-ministro também fez análises da atual situação econômica do país. Falando sobre produtividade, Guedes defendeu que o mercado deve ter liberdade para propor diferentes escalas de trabalho:
— Você é contra sindicato? De jeito nenhum, tem todo direito quem quiser sindicato. Agora deixa o cara trabalhar, quem quiser trabalhar, no outro regime, numa carteira verde e amarela, por exemplo. Quer fazer a jornada 6 por 1? Faz. 5 por 2? Faz. 4 por 3? Faz. 1 por 7? Faz o que você quiser, agora deixa quem quiser fazer a outra. Isso é a liberdade.
Retorno ao fórum
Aos 76 anos, Paulo Guedes retornou ao Fórum da Liberdade após ausência de 18 anos. Esta é a sexta vez de Guedes no evento, tendo participado anteriormente das edições de 2008, 2006, 1996, 1991 e 1990.
— Quero celebrar o trabalho do IEE todos esses anos. Quando vim aqui as primeiras vezes, nós éramos seis ou sete, cabíamos em uma Kombi, e a gente tinha 50, cem pessoas na plateia, no máximo. Depois voltei de novo umas três vezes no início deste século, e aí já eram 500 pessoas na plateia. Hoje já me disseram que estamos passando dos milhares aqui, e estamos espalhados pelo Brasil inteiro, somos milhões — disse.
Antes de se tornar ministro, Guedes foi fundador do Banco Pactual e do JGP Hedge, além de ser fundador, presidente e CEO da BR Investimentos (posteriormente Bozano Investimentos, atual Crescera Capital). Também foi fundador do Instituto Millenium, centro de pensamento voltado à disseminação de ideias liberais.
Após deixar o ministério, Paulo Guedes foi um dos fundadores da YvY Capital, empresa dedicada a investir em projetos de transição energética. Na companhia, Guedes tem como parceiros Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES; Joaquim Leite, ex-ministro do Meio Ambiente; e Roberto Azevêdo, ex-presidente da Organização Mundial de Comércio (OMC).



