
Na sexta semana da guerra no Oriente Médio, a alta do diesel, enfim, deu uma trégua. Depois de atingirem recordes, os valores médios dos combustíveis do tipo S500 e S10 caíram 1,5% na última semana. O primeiro recuou para R$ 7,30, e o segundo, para R$ 7,42. Essas foram as primeiras quedas no preço do diesel em postos gaúchos desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicado na sexta-feira (10).
O diesel S10 é mais moderno e sustentável, obrigatório para motores fabricados a partir de 2012. O S500 é o diesel comum, com maior concentração de enxofre, indicado para veículos e maquinários agrícolas antigos. Apesar da baixa no preço médio na semana passada, os dois tipos acumulam alta de cerca de 20% desde o ataque conjunto deflagrado por EUA e Israel contra o Irã.
A gasolina comum também avançou nesse período. O valor médio do combustível no Estado saiu de R$ 6,24 nos últimos dias de fevereiro para R$ 6,63 nos primeiros dias de abril. Na segunda semana deste mês, estacionou e oscilou um centavo abaixo.
A pressão sobre os preços dos combustíveis, no entanto, é menor no RS do que a média nacional. Considerando dados de todo o Brasil, o diesel S500 terminou a semana passada em R$ 7,43 e o S10, em R$ 7,58. A gasolina comum atingiu R$ 6,77.
Consequência da escalada de tensões no Oriente Médio, o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo do mundo, fez o preço dessa matéria-prima disparar. A cotação do barril do tipo brent, referência de mercado, chegou a encostar em US$ 120. O cessar-fogo declarado nesta semana, ainda que frágil, ajudou a baixar o preço internacional, que fechou em US$ 95,20 na última sexta-feira. Ainda assim, o petróleo segue cerca de 30% acima do observado antes da guerra.
No Brasil, as oscilações do barril no mercado internacional tendem a aparecer mais no diesel por causa da dependência do país de importar entre 25% e 30% desse combustível.
O governo anunciou, nas últimas semanas, medidas para tentar frear o aumento dos preços dos combustíveis. Na segunda-feira passada (6), criou, com custo dividido com os Estados, subvenção extra para o diesel, que alcançou R$ 1,12 por litro, no caso do produto nacional, e R$ 1,52 por litro sobre o combustível importado. Antes, também isentou o diesel de impostos federais e iniciou força-tarefa para monitorar preços e retenção de produto.

