
Mais um nome se tornou alvo da Polícia Federal durante as investigações do Caso Master, na segunda fase da Operação Compliance Zero: Nelson Tanure, 74 anos.
O empresário foi apontado como "sócio oculto" do Banco Master pela PF após ser descoberto que ele ganhou de presente de Daniel Vorcaro, dono do Banco, um relógio de luxo da marca Jaeger-LeCoultre, oferecido por valores que vão de R$ 110 mil à R$ 1 milhão.
Segundo informações obtidas pela PF, Tanure agradeceu Vorcaro pelo relógio em mensagens no WhatsApp no dia 20 de fevereiro de 2022. "Almoçando com amigos, com a joia no braço que você me deu. Thanks (obrigado, em inglês)", escreveu Tanure à Vorcaro, na época.
Além disso, o empresário também aparece como beneficiário final de estruturas societárias ligadas ao Master.
Quem é Nelson Tanure
Nascido no ano de 1951 em Salvador, Bahia, Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure é especialista em distressed assets (ativos interessados). Ou seja, bens ou direitos financeiros pertencentes a empresas ou pessoas em crise financeira, inadimplentes ou em processo de recuperação judicial e falência.
Tanure é graduado em administração de empresas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e começou sua carreira trabalhando em uma organização imobiliária de seu pai. Em 1980, ele passou a investir em ativos interessados e comprou ações na empresa de engenharia Sequip, que estava em crise.
Ao longo da carreira, o empresário acumulou participação em mais de dez instituições, como a Light, Alliança Saúde, Gafisa, Prio (ex-PetroRio), Tim Brasil, Sequip, Ligga Telecom e Docas Investimentos. Tanure se tornou referência em turnaround (recuperação de empresas em crise).
Com o passar dos anos, Tanure investiu em organizações de diferentes setores da economia, como energia, saúde, petróleo e o setor imobiliário.
Além disso, ele também atuou na área da comunicação ao gerir o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil. Ele também participou de empreendimentos que originaram a Ligga Telecom.
Em 2004, Nelson Tanure foi admitido na Ordem do Mérito Militar, no grau de Cavaleiro Especial, durante o primeiro mandato do Presidente Lula (PT). O empresário também possui outras condecorações por sua trajetória no ramo dos negócios.
Em 2025, Tanure fez uma proposta à Novonor (ex-Odebrecht) para assumir o controle da Braskem, dona da maior parte do polo petroquímico de Triunfo. As negociações não foram concluídas, mas Tenure permanece interessado no petróleo gaúcho.
Relação com o Banco Master
No dia 14 de janeiro, policiais federais abordaram Tanure no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando ele se preparava para o embarque em um voo para Curitiba, Paraná. A PF apreendeu o celular do empresário.
Ainda em janeiro deste ano, o ministro do STF, Dias Toffoli, determinou o bloqueio do patrimônio de Tanure, cujo valor não foi divulgado.
Em entrevista para a Band, a assessoria do empresário afirmou que "Nelson Tanure reitera que nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas, como cliente e investidor, nos mesmos moldes em que opera com diversas outras instituições financeiras”.
Ainda segundo a nota, "o empresário reafirma sua confiança nas instituições e no esclarecimento dos fatos no âmbito das investigações em curso".

