
Outra vez impactada pelo efeito da estiagem na produção agropecuária, a economia do Rio Grande do Sul fechou 2025 com crescimento tímido de 0,9% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 753,194 bilhões. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (31) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).
Com o desempenho abaixo vindo da agropecuária, que retraiu 6,8% no período, o resultado positivo foi sustentado pela indústria e pelos serviços. Ambos os setores avançaram 1,7% ao longo do ano passado.
O crescimento do PIB gaúcho ficou abaixo do resultado nacional. Em 2025, a economia do Brasil cresceu 2,3%.
Pesquisador do DEE, o economista Martinho Lazzari avalia que o resultado econômico mostra um padrão que se repete. Embora o dado de crescimento anual indique a volta de um ciclo de normalidade pós pandemia e enchente, a estiagem volta a pesar sobre as contas gaúchas.
— Em 2024, o Estado foi afetado pela enchente, mas cresceu acima da média nacional. As condições pós-enchente, ou seja, as medidas de auxílio às pessoas atingidas, as obras de reconstrução e os recursos públicos de todas as esferas fizeram com que a economia tivesse uma aceleração. Quando a gente vê 2025, temos duas questões importantes. Partimos de uma base alta de 2024, por essas razões citadas, e vem a estiagem, que afeta a soja e faz com que o agro caia 6,8% — explica o pesquisador.
Relevância do campo
Ainda que a falta de chuvas no primeiro semestre tenha sido determinante para o desempenho do agro, o comportamento do setor no quarto trimestre de 2025 ajudou para o resultado positivo da economia — mesmo os dois últimos trimestres do ano sendo os de menor peso do campo na atividade econômica.
A agropecuária cresceu 23,4% nos últimos três meses do ano em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando o peso da atividade agrícola para a economia do Estado.
Na comparação entre o quarto trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024, o PIB do Estado apresentou crescimento de 2,1%, acima do resultado nacional, de 1,8%.
Uva (39,3%), arroz (22,9%), fumo (22,5%) e milho (17,5%) estão entre os produtos que registraram os principais aumentos de produção em 2025.
Já a produção do trigo (relevante para o segundo semestre) recuou 4,7%, enquanto a produção da soja, principal produto agrícola gaúcho, caiu 25,2%.
— O impacto (da soja) acabou sendo preponderado na economia — destacou Martinho.
Indústria contrabalança
Na indústria, a expansão de 1,7% no acumulado de 2025 foi sustentada pela alta na atividade extrativa mineral (1,4%), na indústria de transformação (3,1%) e na construção (0,3%). A queda no ano veio do segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, que recuou 7,1%. O impacto negativo também foi influenciado pela estiagem, com redução na geração hidrelétrica.
Para o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Giovani Baggio, o resultado da indústria vem menos expressivo do que projetava a entidade. Ainda assim, é salutar, dado que 2024 foi um ano muito negativo para o setor.
Na avaliação de Baggio, alguns segmentos ajudam a explicar o desempenho. Máquinas e implementos agrícolas puderam dar uma respirada depois de uma sequência de anos ruins, com a retomada de caminhos para exportação. O setor de alimentos também contribuiu para a alta, com a abertura de novos mercados para as proteínas animais, além do setor do tabaco, que também se destacou.
O impacto das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às empresas exportadoras acabou se mostrando menos nefasto à economia como se projetava. Ainda assim, foi sentido e foi um fator que prejudicou o resultado:
— A indústria conseguiu realocar apenas parte das perdas com o mercado americano. Tivemos uma perda significativa com as tarifas. O crescimento da indústria poderia ter sido maior — diz o economista da Fiergs.
Demais setores
Nos serviços, que também mostraram crescimento acumulado de 1,7% em 2025, o avanço foi puxado pelos segmentos de intermediação financeira e seguros (4,1%), transportes, armazenagem e correio (2,6%) e outros serviços (2,2%).
Já no comércio, a alta registrada foi de 1,3% em 2025, puxadas pelas as atividades de consumo cotidiano e ligadas à renda diária da população.
Vendas de hipermercados e supermercados (3,6%), de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (4,4%), de combustíveis e lubrificantes (2,1%) e de outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,7%) representaram o resultado positivo no setor. Já outros segmentos mais demandantes de acesso ao crédito pela população tiveram comportamento contrário.



