
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE. A variação, embora positiva, representa desaceleração frente ao período anterior — em 2024, o PIB subiu 3,4% (veja a série histórica aqui).
No último trimestre do ano passado em relação ao período anterior de três meses a economia ficou estagnada, com variação de 0,1% para mais.
O crescimento em 2025 foi puxado pela agropecuária, que cresceu 11,7%, com destaque para as produções de soja (+14,6%) e milho (+23,6%). A safra de grãos brasileira no ano passado atingiu 346,1 milhões de toneladas, o maior montante já registrado — a série histórica começa em 1975. A colheita de soja no Rio Grande do Sul foi bastante prejudicada pela seca naquele ciclo, mas a região Centro-Oeste respondeu por 51,6% da produção de grãos do país, com 178,7 milhões de toneladas. O Mato Grosso produziu, no ano passado, 32% dos grãos brasileiros, enquanto o RS foi responsável por 9,3% (quarta maior fatia).
Se o agro foi, mais uma vez, o motor da economia nacional, o freio foi a taxa básica de juros, comentam analistas. Isto é visto até mesmo nos setores em alta, como destaca a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis:
— Agropecuária, Indústrias extrativas, Informação e comunicação e Outras atividades de serviços, contribuíram com 72% do total do volume do Valor Adicionado em 2025, atividades estas menos afetadas pela política monetária contracionista.
O valor adicionado é a diferença entre o valor do que foi produzido no país e o custo dos insumos utilizados na produção, portanto, a riqueza efetivamente gerada pela produção.
O juro no Brasil está em 15%. O aumento da taxa básica, a Selic, é usado pela autoridade monetária, no caso o Banco Central, para desestimular o consumo, a fim de conter a inflação. Esta política, aliada ao alto endividamento das famílias, acaba por limitar o desempenho principalmente de comércio e serviços.
— Olhando pela ótica da demanda, chama a atenção a desaceleração do crescimento do consumo das famílias, que tinha crescido 5,1% em 2024 e cresceu agora, no ano passado, 1,3%. Isso se deve principalmente à política monetária restritiva e também ao recorde de endividamento das famílias — analisou Rebeca Palis.
A colunista de GZH Giane Guerra também destacou o impacto do juro, ao analisar o desempenho do PIB em 2025:
— A taxa de juro alta, aos 15%, foi a principal pressão sobre o consumo das famílias e os investimentos das empresas. O mercado de trabalho aquecido ajudou a manter a venda, mas foi perdendo força conforme as famílias ficavam mais endividadas.
A expectativa quanto à política monetária era de início de um ciclo de redução dos juros a partir deste mês de março. No entanto, os ataques dos Estados Unidos ao Irã projetam incerteza sobre o alcance deste movimento.
Na segunda-feira (2), o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou que o conflito não teria impacto no início do ciclo de corte de juro, mas poderia reduzir seu alcance. "Traduzindo, haveria risco de que a Selic não chegasse a cair sequer aos 12% que estavam na mira dos investidores antes do conflito", explicou a colunista de GZH Marta Sfredo.
A beligerância no Oriente Médio pressiona a inflação no Brasil pela importância da região na produção de petróleo — o Irã é o sexto maior produtor de petróleo do mundo e na segunda anunciou o fechamento do Estreio de Ormuz, canal marítimo pelo qual passa um quinto da produção mundial da matéria-prima dos combustíveis. O petróleo mais caro encarece, consequentemente, a gasolina e o diesel, o que aumenta o custo do frete e afeta os preços de muitos produtos no Brasil — cuja economia depende fortemente da logística rodoviária.
Ataque ao Irã
A extração de petróleo e gás, por outro lado, foi justamente o subsetor que se destacou positivamente na produção da indústria brasileira em 2025. O segmento de Indústrias Extrativas fechou 2025 com alta de 8,6%.
Neste sentido, Marta Sfredo ressalta que o Brasil, hoje, é exportador de petróleo. "A alta de preços e a indisponibilidade de instalações petroleiras no Oriente Médio projetam venda ao Exterior maior e mais rentável. É uma possibilidade de entrada de mais dólares no Brasil", pondera.
Destaque em serviços
O setor de serviços é o que tem maior impacto no resultado geral do PIB do Brasil. Neste recorte, a alta em 2025 foi de 1,8%.
— Chama a atenção o crescimento de Informação e Comunicação, que inclui internet e desenvolvimento dos sistemas. É a atividade econômica que mais cresceu após a pandemia, com crescimento real de 44% — ressalta a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
Posição internacional
Após a divulgação do resultado do PIB de 2025 pelo IBGE, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda publicou um ranking com o desempenho do PIB entre as economias do G20 que já divulgaram os dados consolidados de 2025. Na lista liderada pela Índia, o Brasil aparece em quinto lugar, à frente dos Estados Unidos e da União Europeia.
Ranking dos crescimentos de PIB em 2025
- Índia: 7,5%
- Indonésia: 5,1%
- China: 5%
- Arábia Saudita: 4,5%
- Turquia: 3,6%
- Brasil: 2,3%
- EUA: 2,2%
- Canadá: 1,7%
- União Europeia: 1,6%
- Reino Unido: 1,4%









