
A redução da Selic nesta quarta-feira (18) foi conservadora e ancorada na incerteza global com o futuro do conflito no Oriente Médio. No entanto, pode sinalizar melhora gradual do ambiente econômico brasileiro, dizem fontes consultadas por Zero Hora.
A taxa básica de juros da economia brasileira foi fixada em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC); a decisão ocorreu após cinco reuniões seguidas em que o órgão decidiu manter o juro em 15%, maior nível em quase 20 anos.
Oscar Frank Junior, economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre, lembra que o mercado esperava uma redução de 0,5 ponto percentual, se não fosse a guerra entre Estados Unidos e Irã.
— O Copom optou pela utilização de um texto mais conservador, reconhecendo que houve um aumento da incerteza, principalmente do ponto de vista internacional, com os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. A ideia é observar a evolução dos indicadores econômicos para obter melhores informações sobre como o contexto influencia na inflação e na nossa atividade econômica — diz.
Por isso, segundo o economista, novos cortes podem ocorrer, porém dependem dos desdobramentos do conflito. Uma taxa de juros básica em 14,75% ao ano mantém elevado o custo do crédito.
— Mesmo com esse recuo, a taxa Selic permanece bem acima do nível de equilíbrio, ou seja, freia o ímpeto da contratação de crédito. Os investimentos em renda fixa apresentam uma remuneração atrativa, o que retira recursos do mercado, fazendo com que os agentes econômicos tomem menos risco — pontua Frank.
Entidades comentam
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, a redução representa um "movimento importante" em um contexto desafiador para o setor produtivo.
— A indústria gaúcha inicia o ano enfrentando dificuldades relevantes, com níveis de confiança deprimidos, custos elevados, dificuldade de crédito e novas incertezas decorrentes da alta recente dos preços do petróleo por conta do conflito no Oriente Médio e do risco de paralisações logísticas — pontuou.
Por isso, a redução dos juros traz “algum alívio às condições financeiras das empresas” e sinaliza perspectiva de melhora gradual do ambiente econômico, segundo a federação. Porém, afirma Bier, é fundamental reconhecer que a sustentabilidade do processo depende do avanço na agenda doméstica:
— Sem sinais claros de responsabilidade fiscal e de estabilidade institucional, o espaço para uma trajetória consistente de queda dos juros permanece limitado. Reequilibrar essa equação é condição necessária para fortalecer o investimento, recuperar a competitividade da indústria e sustentar o crescimento do país.
Posicionamento similar foi emitido pelo presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn:
— Independentemente de condicionantes externas, o governo brasileiro precisa atuar de maneira efetiva para propiciar juros estruturalmente mais baixos. E isso se dá essencialmente por meio da condução de uma política fiscal mais austera e responsável.



