
O ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, lucrou cerca de R$ 440 milhões em operações de compra e venda de cotas de fundos geridos pela Reag Investimentos, parceira do banco e suspeita de operar fundos abastecidos com recursos vindos da infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em negócios privados.
Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo confirmadas pelo g1, num intervalo de apenas 24 horas, Vorcaro comprou cotas do fundo Hans II pelo preço de R$ 2,5 milhões e as revendeu por R$ 294,5 milhões ao fundo Itabuna, valor 116 vezes maior que o inicial. Nessa transação entre fundos administrados pela Reag realizada entre os dias 27 e 28 de dezembro de 2023, o ex-banqueiro lucrou R$ 292 milhões.
As operações aparecem na declaração de Imposto de Renda de 2024 de Vorcaro, enviada pela Receita Federal à CPI do INSS. A defesa do ex-banqueiro foi procurada pelo g1, mas preferiu não se manifestar.
Também em 2023, Vorcaro ganhou R$ 150 milhões em uma semana vendendo cotas do Hans II para outro fundo administrado pela Reag, conhecido como Astralo 95. No dia 31 de maio daquele ano, Vorcaro adquiriu cotas do Hans II ao custo de R$ 10 milhões. Em 7 de junho, vendeu esses ativos para o Astralo 95 por R$ 160 milhões, 16 vezes o preço pago.
Banco Master
O g1 também mostrou que o ex-dono do Master transferiu R$ 700 milhões em ativos do banco para uma offshore com sede nas Ilhas Cayman em 2025. A maior parte desse montante, R$ 555,7 milhões, foi transferida pela GSR Fundo de Investimento, que tem como único acionista o Astralo 95.
A Reag também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga gestão fraudulenta, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro, organização criminosa, além de ameaças e invasão de dispositivos informáticos envolvendo o Banco Master. A suspeita dos investigadores é que a gestora atuou na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro. Em janeiro, o Banco Central (BC) decretou a liquidação da Reag.











