
Diante das manifestações de produtores rurais gaúchos que relatam falta de diesel para escoar as safras de soja e de arroz por via rodoviária, a Petrobras informou neste domingo (8) que não houve alterações na venda do combustível por parte de suas refinarias nos últimos dias e que as entregas no Rio Grande do Sul estão ocorrendo "dentro do volume programado".
A escassez mobiliza a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), que manifestou preocupação com a possibilidade de os agricultores gaúchos não conseguirem distribuir a colheita por conta dos impactos indiretos da guerra no Irã, que provocou uma disparada nos preços internacionais do produto.
O presidente do sindicato que representa os postos de combustíveis (Sulpetro), João Carlos Dal'Aqua, afirmou à colunista de GZH Giane Guerra que a Petrobras estaria adotando cotas de venda de diesel e gasolina nas refinarias. Quando o preço praticado internamente fica muito abaixo do patamar internacional, como ocorre agora em razão das dificuldades para o petroleiros cruzarem pelo Estreito de Ormuz em razão do conflito, os revendedores deixam de importar o produto e recorrem às refinarias da Petrobras.
Procurada por Zero Hora, a Petrobras comunicou por meio de nota não ter alterado as entregas de diesel por parte de suas refinarias. Em relação especificamente ao Rio Grande do Sul, a empresa ratificou que os envios estão sendo realizados "dentro do volume programado" (veja íntegra da nota mais abaixo).
Em nota enviada à reportagem, o governo do Estado afirmou que o governador Eduardo Leite acionou o Ministério de Minas e Energia após receber relatos dos produtores. A pasta federal, por sua vez, teria acionado a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O governo estadual disse ainda que colocou a presidência da Farsul em contato com a Secretaria Executiva do ministério para a identificação de casos concretos e "maior eficácia da ação governamental" (leia a íntegra abaixo).
"Segundo as informações repassadas ao Estado, não há indicação de falta de combustível no mercado", diz a nota.
Também neste domingo, a ANP, conforme coluna de Giane Guerra, revelou que notificaria distribuidoras de combustíveis para prestarem esclarecimentos sobre a falta de diesel relatada por produtores gaúchos e transportadores de cargas.
Segundo monitoramento da agência, haveria estoques suficientes para assegurar o abastecimento no Estado. O desajuste poderia estar ocorrendo, assim, no âmbito das distribuidoras. Por isso, a ANP pediu informações a essas empresas sobre "volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos" e garantiu que tomará as medidas cabíveis, se necessário — o que inclui aumentos injustificados de preço.
Uma nota da ANP reafirma que o Rio Grande do Sul está com estoques regulares de diesel e que "não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto."
O que diz a Petrobras
"A Petrobras informa que não houve qualquer alteração em relação às entregas de diesel por parte de suas refinarias e que elas estão ocorrendo conforme o planejado. Especificamente em relação ao Estado do Rio Grande do Sul, ratificamos que as entregas de diesel estão sendo realizadas dentro do volume programado."
O que diz o governo do Estado
"Após relatos de dificuldades no abastecimento de diesel a produtores rurais em algumas regiões do Estado, o governador Eduardo Leite entrou em contato com o Ministério de Minas e Energia. O governo federal acionou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para apurar a situação. Segundo as informações repassadas ao Estado, não há indicação de falta de combustível no mercado.
A Secretaria da Casa Civil, no fim da tarde de sábado (7), colocou a presidência da Farsul em contato com a Secretaria Executiva do ministério para a identificação de casos concretos e maior eficácia da ação governamental.
A Casa Civil também procurou a presidência do Sulpetro - representante dos postos de combustíveis no Estado -, que demonstrou preocupação com os relatos."




