
A desvalorização da cebola em 2026 levou ao menos cinco municípios de Santa Catarina a decretarem situação de emergência nas últimas semanas. A informação é do g1.
Ituporanga, reconhecida como capital nacional da cebola, aderiu à medida. Outros municípios como Atalanta, Chapadão do Lageado e Imbuia, no Alto Vale do Itajaí, e Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis, também formalizaram decreto.
Cidades como Leoberto Leal e Lebon Régis também publicaram atos semelhantes.
Com economias dependentes do cultivo, as cidades afirmam que a queda no preço pago ao produtor rural já compromete a renda das propriedades, especialmente as de base familiar.
No Rio Grande do Sul, a prefeitura de São José do Norte chegou a decretar Situação de Emergência Agrícola, válida por 120 dias, para buscar apoio dos governos estadual e federal devido ao colapso dos preços.
Nos galpões da Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa/RS), morangos e cebolas despencaram ao menor preço dos últimos quatro anos.
Preço abaixo do custo
O principal fator da crise é a diferença entre o custo de produção e o valor recebido pelos agricultores.
Um levantamento técnico presente no decreto de Ituporanga indica que produzir um quilo de cebola em Santa Catarina custa, em média, R$ 1,33, considerando mudas, defensivos, máquinas e mão de obra.
Na safra passada, o produtor recebeu cerca de R$ 1,20 por quilo. Neste ano, o preço caiu quase pela metade em relação ao período anterior, ficando abaixo do necessário para cobrir despesas.

O valor considerado adequado para garantir rentabilidade e permitir novos investimentos seria próximo de R$ 2 por quilo. A última safra em que o mercado operou dentro desse patamar foi a de 2023/2024.
Se o quilo fosse comercializado a R$ 2, a cadeia produtiva poderia movimentar entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões.
Com os preços atuais, a projeção gira em torno de R$ 100 milhões. Somente em Ituporanga, principal polo de Santa Catarina, a colheita deste ano chegou a cerca de 158 mil toneladas.
O que muda com os decretos
Ao reconhecer a emergência, os municípios ficaram autorizados a adotar medidas administrativas excepcionais para mitigar os efeitos da crise. Entre as ações previstas estão:
- implementação de políticas públicas emergenciais
- revisão de prazos administrativos
- ampliação de programas de apoio ao produtor
- suporte para acesso a crédito
- renegociação de dívidas rurais
Santa Catarina responde por cerca de 40% da cebola consumida no Brasil. Aproximadamente 30% desse volume sai do Alto Vale do Itajaí, sendo que Ituporanga sozinha representa cerca de 10% da produção nacional.
A forte concentração ajuda a explicar por que a queda de preços tem impacto imediato na economia regional.


