
A Polícia Federal (PF) abriu nesta terça-feira (3) um inquérito para investigar uma possível gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB). A instituição, ligada ao governo do Distrito Federal, tentou adquirir o Banco Master ano passado diversas vezes, mas foi barrada pelo Banco Central.
Na tentativa de entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações, a PF vai se debruçar sobre "achados relevantes" indicados em relatório preliminar entregue pela auditoria forense contratada pelo banco. Os agentes querem saber se o BRB adquiriu carteiras de crédito do Master mesmo tendo conhecimento das fragilidades do negócio de Daniel Vorcaro.
Em novembro, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo durante uma operação da PF e do Ministério Público, e logo foi demitido definitivamente.
O BRB contribuiu com R$ 16,7 bilhões ao Banco Master entre 2024 e 2025, o que para o Ministério Público, é um indício de gestão fraudulenta.
Banco de Brasília se manifesta
O BRB informou, em nota publicada nesta terça-feira (3), que entregou à Polícia Federal e ao Banco Central um relatório preliminar de auditoria forense com "achados relevantes", o que deve orientar a PF aos próximos passos.
"O BRB informa que encontrou achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório preliminar entregue pela auditoria forense contratada pelo banco", diz a nota. "O Banco BRB informa que entregou o relatório à Polícia Federal, na última quinta-feira, 29/01/2026. O mesmo relatório também foi entregue na data de ontem, 02/02/2026, ao Banco Central."
Ainda foi acrescentado que o BRB vem adotando "medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais" relacionadas a fundos de investimento, garantias e carteiras de crédito adquiridas. Essas medidas, que correm em sigilo, são uma resposta ao que foi constatado na investigação independente e visam ressarcir prejuízos causados pelos "agentes relacionados à operação Compliance Zero".
O banco acrescentou que vai adotar "novas medidas, com a maior brevidade possível" para garantir seus interesses. "Por fim, o BRB ressalta que segue sólido e reafirma seu compromisso com a preservação de seu patrimônio, de seus clientes e do desenvolvimento econômico e social de Brasília e região", diz a nota.


