
Todos os meses, o desafio para a professora Joyce Maia Almeida, 40 anos, é o mesmo: fazer com que o salário seja suficiente para arcar com os custos mensais, principalmente as despesas essenciais, como os gastos com alimentação, moradia e contas da casa. Joyce mora com a mãe, de 70 anos, em um apartamento na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Mesmo com ambas tendo renda, nem sempre a receita somada é suficiente para arcar com os gastos do mês.
O caso de Joyce se assemelha à situação de muitos brasileiros, para quem as despesas essenciais consomem boa parte do orçamento mensal. Conforme pesquisa inédita realizada pela Serasa em todo o Brasil, os gastos com alimentação, moradia e contas recorrentes, são referentes, em média, a 57% do custo de vida da população.
- De acordo com o levantamento, o custo de vida mensal do brasileiro, é, em média, de R$ 3.520.
- No Rio Grande do Sul, a média do custo mensal é um pouco mais baixa, de R$ 3.360
- O Estado fica em 10º lugar no Brasil, empatado com Mato Grosso e Minas Gerais.
A pesquisa da Serasa entrevistou 6.063 pessoas em todo o Brasil, entre 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026.
— Nas despesas essenciais, a gente tem os gastos com supermercado, com as contas recorrentes do mês e os gastos com moradia. Essas três categorias concentram mais da metade do orçamento dos brasileiros e também são consideradas as mais difíceis de manter em dia. São as chamadas despesas básicas, e precisam de atenção para garantir que esses compromissos serão honrados, para, a partir daí, planejar o resto dos gastos — destaca Rafaella Fajardo, especialista em educação financeira da Serasa.
Ainda de acordo com a pesquisa, 53% dos entrevistados consideram as despesas essenciais as mais difíceis de manter em dia.
— Vencer as contas básicas do mês é o nosso desafio, muitas vezes não conseguimos dar conta e temos que fazer algum corte, porque também gastamos muito em medicamentos. Atividades de lazer, por exemplo, só temos feito o que é gratuito, como passear na Redenção — afirma Joyce, que ministra aulas de português para turmas do Ensino Médio em uma escola estadual de Porto Alegre.

Outros custos mensais
O alto peso das despesas essenciais no orçamento dos brasileiros impacta também a capacidade da população para ter outros gastos mensais. Conforme a Serasa, enquanto compras de supermercado (25%), contas recorrentes (18%) e moradia (14%) consomem a maior parte dos recursos, itens como saúde e atividade física (7%), lazer (5%) e educação (4%) acabam tendo muito menos espaço.
— É fundamental que os indivíduos organizem suas contas e mantenham um planejamento financeiro atualizado, para evitar gastos desnecessários e conseguir aproveitar ao máximo os seus recursos, para, quando possível, também investir em atividades físicas, educação e lazer — orienta Rafaella Fajardo.
As dificuldades para aplicar o dinheiro do mês em outras atividades além do pagamento das despesas essenciais também são enfrentadas por Thomaz Campos, 55 anos, e sua família. Motorista de aplicativo, Thomaz mora em uma casa no bairro Tristeza, em Porto Alegre, com a esposa e três filhos.
— Além do meu salário, minha esposa também trabalha, assim como nossos dois filhos mais velhos, que já são maiores de idade e contribuem com as contas da casa. Conseguimos vencer as contas básicas, mas, mesmo somando a renda de quatro pessoas, sobra muito pouco para atividades de lazer, por exemplo, e fazer uma poupança é quase impossível — ressalta Thomaz.
Ainda conforme a Serasa, apenas 19% dos brasileiros considera "fácil" gerenciar as despesas mensais. Além disso, em razão do peso ocupado pelas contas essenciais no orçamento, apenas 2% dos entrevistados afirmam ter entre as três principais prioridades do mês gastos com lazer ou com serviços de cuidados pessoais.

Diferenças regionais
Considerando as cinco regiões do Brasil, a que tem o custo mensal mais alto é a Região Sul, registrando valor de R$ 3.940. Na sequência vêm Sudeste (R$ 3.840), Centro-Oeste (R$ 3.660), Norte (R$ 3.150) e Nordeste (R$ 2.760).
Entre os Estados, o Rio Grande do Sul, com custo médio mensal de R$ 3.360, é o 10º mais alto — ficando abaixo das outras duas unidades da federação no Sul (no Paraná, é R$ 4.300; e, em Santa Catarina, R$ 4.180).
Estados com custo de vida mensal mais alto
Em média, segundo pesquisa da Serasa
- Distrito Federal (R$ 4.920)
- Paraná (R$ 4.300)
- São Paulo (R$ 4.270)
Estados com custo de vida mensal mais baixo
Em média, segundo pesquisa da Serasa
- Sergipe (R$ 2.010)
- Maranhão (R$ 2.230)
- Alagoas (R$ 2.450)
Alguns itens específicos também registram grande variação de uma região para outra. Nas contas recorrentes (como água, luz, internet e streaming), por exemplo, a média mensal brasileira é de R$ 520, chegando a R$ 590 no Centro-Oeste e caindo para R$ 420 no Nordeste. No Rio Grande do Sul, o custo médio mensal é de R$ 530, a 10ª maior entre os Estados brasileiros, ao lado de Goiás.
Já os gastos com moradia, que levam em conta aluguel, condomínio ou financiamento, também apresentam grande variação entre regiões e Estados no país. O custo médio mensal nacional com o item é de R$ 1.100, com o maior valor registrado na Região Sul (R$ 1.310), e o menor no Nordeste (R$ 800). No Rio Grande do Sul, o custo médio mensal com moradia é de R$ 1.190, o sexto maior entre os Estados, de acordo com a pesquisa da Serasa.
Nos gastos com transporte e mobilidade, que têm média nacional mensal em R$ 350, o valor mais alto também é encontrado na Região Sul (R$ 410), e o menor no Nordeste (R$ 270), com o Rio Grande do Sul registrando R$ 370, o quinto mais alto do país, novamente ao lado de Goiás.
Nos gastos com lazer, a média nacional é de R$ 340, sendo o maior gasto também registrado na Região Sul (R$ 400) e o menor no Nordeste (R$ 270), estando o Rio Grande do Sul na 11ª posição entre os Estados, com R$ 300.
— Essas diferenças que são registradas em cada região, e também nos Estados, evidenciam que o custo de vida está ligado à realidade local onde cada um está inserido. A variação dos custos, dessa forma, impacta também os hábitos de consumo das pessoas, de acordo com cada contexto — complementa a especialista em educação financeira da Serasa.
