
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A e da Pleno DTVM, empresas que faziam parte do Grupo do Banco Master e vendidas no segundo semestre do ano passado a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
O Pleno (à época, Banco Voiter) foi vendido pelo Master para um ex-sócio do banco, Augusto Lima, em julho de 2025. Para conceder a autorização de compra, o Banco Central fez uma série de exigências, incluindo aumentos o capital e que a instituição não crescesse com base na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), para limitar sua exposição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Lima vinha aportando recursos e tentando encontrar fontes de captação para o banco, o que se tornou desafiador sem a emissão de CDBs. Ao mesmo tempo, tinha de honrar os CDBs vincendos. Os técnicos do BC, que acompanhavam o caixa do Pleno diariamente, constataram que essa equação vinha se deteriorando. Recentemente, constatou-se que o banco não tinha liquidez nem para honrar vencimentos de curtíssimo prazo. Por isso, houve a opção por uma liquidação.
De acordo com a instituição, a decisão foi motivada "pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil".
A empresa é considerada pelo BC como de pequeno porte, detendo apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Em um comunicado, o Banco Central afirmou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicação às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis."
Liquidante é advogado especialista em liquidações e falências
O Banco Central nomeou como liquidante do Banco Pleno (ex-Voiter) e da Pleno DTVM o advogado José Eduardo Victória, que já atua como liquidante em outros casos. No direito, ele tem experiência nas áreas de liquidações, falências e direito bancário.
Victória cuidou de dois outros processos de liquidação extrajudicial: da Govesa Administradora de Consórcios, que teve início em 2021, e da VKN Administradora de Consórcios, que começou em 2024. Antes, atuou como substituto na liquidação da Sicoob Credicazola.
Ao contrário dos liquidantes de empresas do conglomerado Master, Victória nunca foi servidor do BC. Ele é sócio-administrador do escritório Mattos, Rodeguer Neto e Victória (MRV Advogados), de São Paulo.



