
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, comemorou a queda do tarifaço após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (20).
— Os 10% global é para todos. Não perdemos competitividade. O que estava acontecendo é que o Brasil tinha tarifas de 40% que ninguém mais tinha — avaliou Alckmin em entrevista coletiva.
O vice-presidente, ainda, afirmou que decisão deixa o país em "pé de igualdade" com os outros e ainda fortalece a relação do Brasil com os Estados Unidos.
— O presidente Lula sempre defendeu o diálogo e a negociação, e isso continua. Vamos avançar ainda mais. Inclusive, com outros temas não tarifários e temos que aguardar os desdobramentos — pondera.
Segundo Alckmin, os produtos mais beneficiados com a queda das tarifas são armamentos, máquinas, motores, madeiras, pedras, alguns tipos de fruta e café solúvel.
Queda do tarifaço
A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a diversos países nesta sexta-feira (20). Por seis votos a três, a decisão considera que o republicano excedeu a sua autoridade ao invocar uma lei federal de poderes emergenciais.
A decisão bloqueia a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) — uma ferramenta fundamental que o presidente vinha utilizando para impor a sua agenda econômica e diplomática. A derrubada se refere às tarifas apresentadas como "recíprocas" por Donald Trump, mas não àquelas aplicadas a setores específicos como automóveis, aço ou alumínio.
A decisão confirma decisões anteriores de tribunais menores que consideraram ilegais as tarifas impostas por Trump sob a IEEPA.
Tarifas de 10%
"Profundamente decepcionante". Foi assim que Donald Trump classificou a decisão da Suprema Corte. O presidente norte-americano concedeu entrevista coletiva na Casa Branca na tarde desta sexta-feira (20), horas após o anúncio da decisão.
— Eu usei as tarifas para fazer que a América fosse grande novamente — declarou.
O republicano ainda afirmou que a Suprema Corte dos Estados Unidos atua sob pressão de "interesses estrangeiros".
Trump afirmou que a tarifa global de 10% baseada na Seção 122 entrará em vigor em três dias e deverá permanecer válida por cerca de cinco meses, enquanto seu governo reorganiza a política comercial após a decisão da Suprema Corte.
Segundo o Representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, as tarifas sob a Seção 122 serão assinadas e implementadas ainda nesta sexta-feira. Trump reforçou não precisar "trabalhar com o Congresso" para impor tarifas.
— Tenho e sempre tive o direito de impor tarifas — destacou.
O presidente dos EUA indicou ainda que poderá elevar a pressão sobre setores específicos, afirmando que pode impor tarifas de 15% a 30% sobre automóveis. Ele ainda voltou a defender a tarifa de 20% sobre produtos chineses relacionada ao combate ao fentanil.
Questionado sobre eventual reembolso dos valores arrecadados com as tarifas invalidadas pela Corte, Trump disse que o tribunal "não discutiu esse assunto" e previu uma longa disputa judicial.
