
Com a estação mais quente do ano atingindo seu pico, boa parte dos gaúchos é atraída ao litoral norte do Rio Grande do Sul. Mas há outras regiões, como o Litoral Sul e a Costa Doce, que contam com badalados destinos de veraneio.
No Litoral Sul, um dos destinos mais procurados é a tradicional Praia do Cassino, em Rio Grande. Conhecida como “a maior praia do mundo”, o local recebe milhares de turistas no verão, o que ajuda a impulsionar a atividade econômica do município do sul do Estado.
A presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Rio Grande e São José do Norte, Letícia Vanzelote, afirma que o turismo de verão impacta positivamente a economia local, ativando ramos como hotelaria, bares, restaurantes e o de serviços na beira da praia e da Lagoa dos Patos. Isso faz o dinheiro circular na região, garantindo sustento e mais segurança de renda para muitas famílias para o restante do ano, segundo a dirigente:
— A gente tem um crescimento significativo de turistas na região e essas pessoas gastam. Então, tem o impacto positivo justamente pelo fluxo, que aumenta significativamente não só no Balneário Cassino, mas também nos restaurantes de beira de lagoa em São José do Norte, que tem bastante gastronomia relacionada aos frutos do mar. Esse aumento de demanda gera emprego, e emprego gera renda. Uma coisa vai puxando a outra.
Por outro lado, o comércio varejista mais voltado para itens como calçados, móveis e cama, mesa e banho acabam registrando queda do movimento, uma vez que o consumo se volta mais para atividades turísticas, segundo a presidente.
Salto na população
- Durante a alta temporada de verão, a Praia do Cassino vê sua população triplicar, segundo estimativa da prefeitura de Rio Grande.
- Fora da temporada, o balneário conta com até 55 mil residentes fixos. Nos meses de verão, essa média salta para entre 160 mil e 180 mil pessoas.
- Em eventos e feriados, esse total chega a até 200 mil pessoas.
Expectativa pelo Carnaval

No comércio mais ligado à faixa de areia, o veraneio atual tem sido mais desafiador na Praia do Cassino. Nas últimas semanas, chuvas frequentes, vento e dias frios têm afetado diretamente o movimento e as vendas dos trabalhadores que dependem da temporada para garantir renda. Com mais de 30 anos de trabalho na praia, o vendedor Anderson Luiz afirma que este é um dos piores verões que já viveu.
— Foi só chuva. A semana toda eu não consegui trabalhar. A gente vive disso aqui — relata.
A presidente da CDL de Rio Grande e São José do Norte relata que, segundo alguns donos de restaurantes, em dias mais frios e chuvosos, o movimento costuma aumentar nos perímetros mais urbanos, com turistas trocando a beira da praia por locais fechados na cidade.
Além do clima, a diminuição do consumo também pesa: muitos banhistas têm levado alimentos e bebidas de casa, o que reduz as vendas dos ambulantes, segundo Luiz.
Cristiane da Silva Gondran vive seu primeiro ano trabalhando na Praia do Cassino. Ela e a família decidiram investir em um trailer após a oportunidade de compra no final do ano passado. Mesmo enfrentando dificuldades com o clima, Cristiane avalia a experiência de forma positiva. A rotina começa cedo, entre 6h e 7h, e se estende por até 12 horas diárias.
— Sempre tivemos vontade de colocar um trailer aqui. Tá valendo a pena, não podemos reclamar — comenta.
Segundo Cristiane, cerca de 80% dos clientes são turistas, principalmente argentinos, uruguaios e visitantes da região da Campanha.
Apesar das dificuldades, a expectativa dos comerciantes é de que o movimento aumente para o Carnaval. Para Anderson Luiz, fevereiro é decisivo.
— A gente precisa agora que Iemanjá e o Carnaval sejam bons. Depois do Carnaval, acabou a praia — afirma.
O comerciante Bruno Foster Martins, que trabalha há cerca de seis anos na orla, compartilha da mesma expectativa. Ele destaca que, embora o verão tenha sido prejudicado por excesso de chuvas, lodo e areia solta, os dias de sol ainda atraem muitos turistas.
— O Carnaval sempre foi a melhor parte da temporada. Acredito que não vai ser diferente — diz.

Costa doce e seus atrativos
Localizada entre Guaíba e o Sul do Estado, a Costa Doce também está no mapa de turismo de verão do Rio Grande do Sul. Municípios como Arambaré, Barra do Ribeiro, Camaquã Tapes e São Lourenço do Sul oferecem opções de lazer como praias de água doce, lagoas, cascatas e cachoeiras.
— Pantano Grande agora vem se destacando como um dos destinos que mais recebe turistas e que retém o turista argentino no turismo de passagem. Digo com toda certeza que o Rio Grande do Sul tem hoje nos 497 municípios algum produto que possa ser associado ao turismo. Seja na produção de azeites, na produção de vinhos, na produção de alimentos que vão para a mesa, seja de cachoeiras, de cascatas — destaca o secretário estadual de Turismo, Ronaldo Santini.
Conhecida por belezas naturais e opções de lazer, como praias de água doce e passeios de barco, São Lourenço do Sul é uma das cidades da região que mais aproveita o verão para reforçar a economia local. O prefeito Zelmute Marten afirma que o verão carrega o principal ativo da oferta turística do município, atraindo milhares de visitantes de dezembro a março.
— Esse fluxo de turistas do segmento de sol e praia colabora também com a movimentação de outros segmentos, em especial do turismo rural e cultural. E os atrativos que temos consolidados, ramos como os de restaurantes, hotéis, pousadas e passeios de barco recebem uma intensa movimentação neste período — conta Marten.



