
As vendas de veículos novos no Rio Grande do Sul encerraram 2025 reduzindo a marcha. O mercado registrou retração de 4,43% em relação a 2024. Foram 188.074 unidades emplacadas de janeiro a dezembro, frente a 196.798 no ano anterior.
O dado foi apresentado pelo Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado do Rio Grande do Sul (Sincodiv-RS), em coletiva nesta terça-feira (13). Na avaliação da entidade, os números refletem desafios econômicos, impactos no agronegócio e mudanças no perfil de consumo.
— Nossa ideia era de um equilíbrio em relação ao ano passado. De julho a agosto, que normalmente são meses muito bons, o desempenho do Rio Grande do Sul foi muito abaixo do nível nacional. E isso tem relação direta com o agro, que sentiu em função da estiagem e da não liberação de dinheiro do governo federal. A partir do momento que veio a liberação, o setor reagiu e passamos a ter um desempenho melhor que o Brasil — avaliou Jefferson Fürstenau, presidente do Sincodiv-RS.
Dentre todos os segmentos avaliados, somente os eletrificados tiveram alta expressiva. O mercado encerrou 2025 com 15.578 unidades emplacadas, uma expansão de 67,70% sobre 2024. O avanço, diz o presidente, confirma uma mudança de perfil de consumo, impulsionada pela maior oferta de modelos e pela ampliação da infraestrutura de recarga.

Apesar da reação no último trimestre do ano, os automóveis em geral tiveram recuo de 4,41% em 2025 no Estado. Foram 96.167 unidades emplacadas.
Confira as quedas por segmento:
- Comerciais leves (-9,83%)
- Caminhões (-18,32%)
- Ônibus (-1,89%)
- Implementos rodoviários (-19,53%)
Na contramão, os emplacamentos de motocicletas subiram 1,10% — embora ainda muito abaixo da média nacional.
— Pela primeira vez na história do Brasil, se emplacou mais motocicletas do que automóveis de passeio. E o Rio Grande do Sul, por característica própria, não consegue acompanhar este crescimento. Fomos o 19º Estado em vendas. Então, a perda do Rio Grande do Sul no geral está muito atrelada à venda de motos. Não se consegue acompanhar o crescimento — explica Fürstenau.
Expectativas para 2026
Para 2026, as sinalizações são de reorganização do mercado. Um dos motivos é a mudança nas regras para obtenção da CNH no país. Para Fürstenau, a redução de custos na habilitação deve abrir espaço para a aquisição de veículos, especialmente motos.
— Isso vai habilitar, pelo menos, uma boa parte dos motociclistas. Uma pessoa que vai iniciar a sua vida profissional hoje tem que escolher entre comprar uma moto ou fazer a carteira. A partir de agora, não. Com o custo mais baixo, ele vai ter condições de fazer as duas coisas — projeta o presidente do Sincodiv-RS.
Outro ponto considerado marco fundamental é a entrada em vigor no dia 1º de janeiro do projeto de lei que fixou em 12% a alíquota do ICMS incidente sobre veículos novos (elétricos ou a combustão) no Rio Grande do Sul. A medida, na avaliação da entidade, alinha o RS aos Estados mas competitivos no setor. O avanço do Renave de usados e o fim da vistoria de veículos zero também são elencados como positivos.
Resultado nacional
A queda percentual gaúcha foi em direção oposta ao desempenho brasileiro. O Estado foi o quinto colocado nas vendas nacionais de automóveis. No ranking geral do país, considerando todos os segmentos, caiu para a 10ª posição nacional.
Conforme a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o país encerrou o ano passado com 2.689.179 novos comercializados, uma alta de 2% em relação a 2024. Foi o melhor resultado desde 2019 (2,78 milhões de veículos naquele ano).



