
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por 60 dias o prazo para as investigações sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A decisão foi assinada nesta sexta-feira (16), atendendo a um pedido da Polícia Federal, segundo o magistrado.
A investigação chegou ao STF em dezembro de 2025. Naquele momento, Toffoli decidiu que o caso deixaria a Justiça Federal em Brasília, para tramitar na maior instância do Poder Judiciário. As informações são do g1.
De acordo com a PF, o Master emitiu certificados de depósito bancário (CDB) com a promessa de pagar até 40% a mais do que a taxa básica do mercado, um retorno que não se confirmou. A investigação aponta que a fraude pode ter movimentado R$ 12 bilhões.
No dia 17 de novembro, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros diretores da instituição foram presos.
Ainda conforme a PF, existem indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema. Em março, o banco estatal chegou a fechar um acordo para a compra do Master, mas o Banco Central barrou o negócio.
Entenda o caso
1. O que é o Banco Master
Fundada em 1974, a empresa surgiu como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários. Após expansões e alterações societárias, a companhia se tornou um grupo financeiro, passando a se chamar Banco Master.
Entre os anos 2000 e 2010, o Master expandiu sua atuação para a área de investimentos e gestão de recursos. Foi quando passou a ganhar destaque por oferecer produtos com rendimentos muito acima do mercado.
As dúvidas sobre a viabilidade financeira do banco começaram a surgir em 2022, diante da exposição a ativos de risco e negociações que não avançavam.
2. Tentativa de venda
Em setembro de 2025, o Banco Central negou a autorização para o Banco de Brasília (BRB) adquirir a companhia. O negócio foi considerado polêmico desde o anúncio da intenção de compra, pelo valor de R$ 2 bilhões.
As tratativas de venda do banco seguiram mesmo após a negativa do BC para o BRB. No dia 17 de novembro, horas antes da prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master, em operação realizada em conjunto com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A conclusão do negócio, no entanto, foi inviabilizada pela liquidação extrajudicial.
3. Prisão e liquidação
O Banco Master era investigado desde 2024 por fabricação de carteiras de crédito falsas e promessa de rendimentos agressivos, muito acima dos praticados no mercado. Em 18 de novembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, como parte das investigações.
Segundo a Polícia Federal, as fraudes investigadas contra o sistema financeiro podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
Na noite anterior à operação, Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos (SP). A detenção foi antecipada diante do risco de fuga do banqueiro, que teria planejado deixar o país após o anúncio de compra do Master pelo Grupo Fictor. O sócio de Vorcaro, Augusto Lima, também foi preso.
No mesmo dia da deflagração da operação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão foi assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, deixando também sob liquidação judicial a Master SA Corretora de Câmbio.
Doze dias após a prisão, em 28 de novembro, a Justiça Federal determinou que Daniel Vorcaro fosse colocado em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. A decisão se estendeu aos demais presos na Operação Compliance Zero.
4. Polêmica nos tribunais
Desde o dia 2 de dezembro, por ordem do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), todas as investigações envolvendo a liquidação do banco Master correm sob sigilo absoluto. Toffoli também assumiu para si a relatoria do caso no Supremo.
