
A Gerdau chega aos 125 anos de fundação, completos neste mês de janeiro, como uma das maiores siderúrgicas do mundo. Com unidades produtivas em diversos países, principalmente nos Estados Unidos, a empresa também está consolidada como uma das multinacionais brasileiras de maior sucesso, o que ajuda a enfrentar as dificuldades atuais no cenário doméstico.
Atualmente, a empresa é a maior produtora de aço do Brasil. Em 2024, a Gerdau produziu 11,7 milhões de toneladas de aço bruto, somando as atividades de suas 29 unidades industriais, que produzem aços longos, aços planos e aços especiais.
— Em 2024, último dado disponível, a Gerdau ocupava a 33ª posição no ranking das maiores siderúrgicas mundiais, e a 14ª posição excluindo as chinesas. Sobrevivência por 125 anos no mercado siderúrgico, que é bastante instável, é digno de nota, e demonstra qualidades como comprometimento com o negócio por parte dos administradores, gestão técnica, a busca por se antecipar às mudanças do mercado e investimento recorrente visando atualização tecnológica — afirma o economista Germano Mendes de Paula, professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e especialista na indústria siderúrgica.
A companhia concluiu o ano de 2024 com Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 10,8 bilhões. O lucro líquido ajustado da empresa, naquele ano, totalizou R$ 4,3 bilhões, enquanto a receita líquida somou R$ 67 bilhões e as vendas físicas de aço alcançaram 11 milhões de toneladas.
O balanço completo das atividades da empresa em 2025 ainda não foi divulgado, devendo ser publicado até junho. Somente no terceiro trimestre do ano passado, a Gerdau teve Ebitda ajustado de R$ 2,7 bilhões, lucro líquido de R$ 1,1 bilhão e receita líquida de R$ 18 bilhões. As vendas físicas de aço, no período, alcançaram 3,1 milhões de toneladas.
— O aço é um elemento imprescindível para o desenvolvimento da sociedade, pois é insumo de inúmeras indústrias como a automotiva, energia, agricultura, construção, industrial, entre outras. Temos um amplo e completo portfólio de produtos e serviços em aço que atendem à demanda destes setores — reforça André Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração da empresa.
Além da produção do aço, outro segmento que tem crescido em importância dentro da Gerdau é o de minério de ferro. A empresa começou essa produção em 2009, e hoje tem duas minas, ambas em Minas Gerais.
Em 2024, a Gerdau produziu 4,5 milhões de toneladas de minério de ferro, todas para consumo próprio. Contudo, em 2023, a empresa anunciou investimento de R$ 3,2 bilhões na mina de Miguel Burnier, distrito de Ouro Preto, onde concentra sua produção de minério de ferro, com o objetivo de expandir a capacidade produtiva para 5,5 milhões de toneladas anuais. Com o aumento da capacidade de produção, a expectativa é que a Gerdau também comece a oferecer minério de ferro ao mercado nos próximos meses.
Cenário doméstico
Apesar do sucesso geral das operações da Gerdau, o panorama no Brasil exige atenção. Entre janeiro e julho de 2025, a empresa demitiu 1,5 mil funcionários. Além disso, anunciou no último ano redução de cerca de 20% dos investimentos no território nacional.
A Gerdau atribui a situação, principalmente, à "concorrência desleal" do aço chinês no mercado brasileiro. Após um arrefecimento de atividades nos segmentos internos de construção civil e mercado imobiliário, a China passou a exportar seu excedente da produção de aço a preços muito baratos no mercado internacional, chegando também ao Brasil e prejudicando a competição com as produtoras nacionais. Conforme a companhia, a taxa de penetração de aço importado no Brasil chegou a um recorde no segundo trimestre de 2025, de 26%, 3,9 pontos percentuais acima de igual período de 2024.
— A entrada excessiva de aço importado é o principal desafio vivido no mercado doméstico. Para 2026, o cenário também é incerto, mas estamos mais otimistas com o avanço de medidas de defesa comercial por parte do governo federal contra a concorrência desleal de aço importado, com base no sólido diálogo que o setor vem tendo com os órgãos competentes — aponta André Gerdau Johannpeter.
Já há alguns anos a empresa vem dialogando com o governo federal em busca da adoção de medidas internas de proteção. Como o CEO da empresa, Gustavo Werneck, afirmou à colunista Marta Sfredo no final de 2025, a expectativa é que a adoção destes mecanismos avance em 2026.
— O governo federal tem entendido que não temos mais fôlego para trabalhar no vermelho. Estamos um pouco mais otimistas diante da possibilidade de adoção de mecanismos de defesa — afirmou Werneck na ocasião.
Sendo a maior produtora de aço do Brasil, a Gerdau é referência na defesa do setor no país. Em nota, o Instituto Aço Brasil reconhece a importância desta representatividade, afirmando que "a Gerdau participa ativamente do debate sobre competitividade, defesa comercial e condições isonômicas de concorrência, temas centrais para a sustentabilidade da indústria nacional."
— Manter-se relevante por mais de um século exige visão de longo prazo e capacidade de adaptação. A Gerdau tem desempenhado papel importante nesse processo e na defesa de uma indústria forte e competitiva — reforça o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.
Operações na América do Norte
Em contraponto às dificuldades apresentadas pelo mercado brasileiro, a Gerdau tem aumentado suas operações na América do Norte nos últimos anos.
O movimento de expansão da Gerdau ao norte do continente teve início em 1989, com a aquisição da siderúrgica Courtice Steel, no Canadá. Em 2001, a empresa assumiu o controle da AmeriSteel, nos Estados Unidos, e em 2007 da Siderúrgica Tultitlán, no México.
Hoje, das 29 unidades produtoras de aço da empresa, 13 estão na América do Norte. No terceiro trimestre de 2025, cerca de 65% da geração de caixa da companhia veio de lá.
Ter uma importante capacidade de produção nos Estados Unidos, por exemplo, fez com que a Gerdau não sofresse tantos efeitos diretos do tarifaço imposto por Donald Trump à importação de produtos brasileiros.
— A Gerdau atua como uma empresa norte-americana nos Estados Unidos, atendendo à demanda nacional com aço produzido 100% localmente, sem depender da importação do Brasil. Nossa presença, há décadas, no mercado norte-americano, reflete um ambiente de negócios favorável no país e é parte de uma estratégia de negócio de internacionalização e diversificação geográfica, que permite com que nossas operações nos sete países em que estamos presentes nas Américas atuem de maneira autônoma, com gestão executiva e operacional independente — ressalta André Gerdau Johannpeter.
— Quanto à internacionalização, comparativamente aos concorrentes nacionais, a Gerdau foi pioneira, na década de 1980, e continua tendo grande parte de suas receitas e lucro oriundos do Exterior, em particular dos Estados Unidos. A internacionalização tem a vantagem de reduzir a volatilidade do desempenho econômico-financeiro, pois o resultado insatisfatório de um país pode ser compensado pelo de outro — acrescenta o professor Germano Mendes de Paula.
Foco em sustentabilidade

Outro pilar que a Gerdau compreende como fundamental dentro da sua atuação é a sustentabilidade das operações. Conforme o relatório anual de 2024 da companhia, naquele ano, a Gerdau investiu R$ 1,02 bilhão em práticas de ecoeficiência, em tecnologias e projetos que resultaram no aperfeiçoamento do desempenho ambiental de suas operações, como proteção do ar, da água e do solo, além de eficiência energética e redução de emissões de gases de efeito estufa.
— A Gerdau tem na sucata sua principal matéria-prima desde a sua entrada no setor do aço, com a aquisição da Riograndense na década de 1940. Hoje, somos a maior recicladora de sucata metálica da América Latina, reciclando mais de 10 milhões de toneladas anualmente, e, com isso, 70% da nossa produção tem sua origem na sucata. Essa matriz produtiva sustentável nos permite ter, hoje, emissões de gases de efeito estufa 50% inferiores à média global do setor do aço — pontua André Gerdau Johannpeter.
Um reflexo da busca pela sustentabilidade na atuação da Gerdau se materializou no início deste ano, quando a empresa passou a integrar a carteira 2026 do Índice Carbono Eficiente (ICO2) da B3, a bolsa de valores brasileira, sendo a única representante do setor do aço a compor o índice. O ICO2 reúne empresas de capital aberto reconhecidas pela adoção de boas práticas de gestão climática e eficiência das emissões de gases de efeito estufa.
Além da sustentabilidade ambiental, a Gerdau também busca implementar ações de impacto social em sua atuação. Ao longo de 2024, a empresa investiu R$ 110,5 milhões em projetos sociais, como o Reforma que Transforma. Segundo a empresa, o investimento em projetos sociais naquele ano beneficiou cerca de 3,6 milhões de pessoas e mobilizou 7 mil colaboradores voluntários.
— A Gerdau segue comprometida com o desenvolvimento socioeconômico das regiões em que está presente, ciente de seu papel como agente transformador. Neste sentido, gostaria de comentar que destinamos mais de R$ 51,4 milhões a obras e projetos de reconstrução do Rio Grande do Sul, colaborando com a recuperação do Estado depois das fortes chuvas que atingiram a população gaúcha em 2024 — complementa o presidente do Conselho de Administração da empresa.




