
Investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) começam a ser ouvidos nesta segunda-feira (26) pela Polícia Federal (PF). As oitivas serão realizadas na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília (DF), com parte das entrevistas realizadas por videoconferência.
A determinação é do ministro Dias Toffoli, relator do processo. À frente do caso desde o início de dezembro, quando foi sorteado relator, o magistrado tem dois irmãos que foram sócios de um resort no Paraná comprado por um fundo de investimentos ligado ao Master. Nos últimos dias, a revelação de que o ministro é presença constante no resort, onde oferece festas a celebridades e banqueiros, fez crescer a pressão para que ele seja declarado suspeito para comandar a investigação.
Nesta segunda-feira, serão ouvidos Dario Oswaldo Garcia Junior, diretor financeiro do BRB, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de empresa investigada, Henrique Souza e Silva Peretto, empresário, Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.
Já na terça-feira (27), outras quatro pessoas serão ouvidas. São elas:
- Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB
- Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master
- Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master
- Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, não será ouvido neste momento. Ele prestou depoimento à PF em 30 de dezembro e participou de uma acareação com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que também não deverá ser ouvido novamente nesta fase.
Investigação e próximos passos
As oitivas estavam inicialmente previstas para ocorrer de 23 a 28 de janeiro, mas o cronograma foi revisto após determinação de Toffoli. O ministro pediu à PF um calendário concentrado e determinou à Secretaria Judiciária do STF a reserva de salas e servidores para a realização dos depoimentos.
O inquérito chegou ao Supremo no fim de 2025 e ganhou novo impulso após decisões de Toffoli que envolveram a reorganização da perícia do material apreendido na Operação Compliance Zero. As provas passarão por análise com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) e acesso da Polícia Federal. A investigação segue sob sigilo e todas as diligências dependem de autorização direta do relator.





