
O calor do verão voltou a pesar no bolso dos brasileiros — principalmente na conta de luz. Um levantamento da Serasa revela que 77% da população percebe aumento dos gastos nesta estação em comparação com o resto do ano.
Além disso, 42% afirmam que estão gastando mais agora do que no verão passado, reflexo da combinação entre:
- maior consumo de energia
- férias
- viagens
- despesas concentradas no início do ano
Comerciante em Porto Alegre, Amarildo Back sentiu o impacto do verão tanto em casa quanto em seu empreendimento. Segundo ele, a conta de energia elétrica do apartamento subiu de cerca de R$ 340 para mais de R$ 600 com o uso mais frequente do ar-condicionado.
No negócio, o aumento foi ainda mais expressivo: a fatura passou de aproximadamente R$ 450 para mais de R$ 800. Segundo o IBGE, a conta de luz subiu 23,5% em 2025 na região metropolitana de Porto Alegre, a maior alta do país, quase o dobro da média nacional.
— O consumo praticamente dobra por causa do calor. A gente até vende mais, porque as pessoas saem mais de casa, mas as despesas sobem muito também — relata Amarildo.
Além da energia, Amarildo chama atenção para a concentração de gastos típicos do início do ano, como IPVA, IPTU e seguro do carro, que acabam pressionando ainda mais o orçamento familiar.
O impacto também é sentido por quem mora sozinho. O engenheiro Diego Paz conta que, fora do verão, sua conta de luz gira em torno de R$ 100. Nos meses mais quentes, a fatura chega facilmente a R$ 200.
— O ar-condicionado pesa bastante. A conta vem mais alta e isso se soma aos impostos e ao custo de vida, que também aumentou, afirma.
Diego também percebe alta nos gastos com alimentação, outro fator citado pelos entrevistados da pesquisa como responsável pela pressão no orçamento durante o verão.
Por que o verão pesa tanto no bolso?
Para a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, o problema não está apenas no aumento do consumo de energia. Segundo ela, o início do ano concentra despesas extraordinárias que não aparecem ao longo dos outros meses.
— As famílias precisam lidar ao mesmo tempo com IPVA, IPTU, material escolar, férias e viagens. Muitas vezes, isso cria a sensação de que há mais renda disponível, quando na verdade é dinheiro antecipado — explica.
Mesmo quando há viagens ou lazer, os custos fixos continuam chegando.
— As contas de luz, água, condomínio e telefone seguem sendo cobradas. Quando esses gastos não são mapeados, o risco de endividamento cresce — alerta Patrícia.
A pesquisa da Serasa mostra que mais da metade da população já se endividou durante o verão, período em que o cartão de crédito parcelado aparece entre os principais meios usados para bancar despesas sazonais.
Segundo Patrícia Palermo, o planejamento financeiro ao longo do ano é fundamental.
— Crédito não é renda. Parcelar gastos do verão significa comprometer o orçamento dos próximos meses. Pequenas reservas mensais, organização prévia e consumo consciente de energia ajudam a reduzir esse impacto — orienta a economista.




