
Correção: o limite de garantia do FGC é de R$ 250 mil, e não de R$ 250, conforme publicado entre 14h47min e 18h03min de 21 de janeiro. O texto já foi corrigido.
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) anunciou nesta quarta-feira (21), o acionamento do processo de garantia em favor de depositantes e investidores do Will Bank, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central pela manhã. Em nota, o FGC estima que o valor a ser pago será de cerca de R$ 6,3 bilhões, com base em dados de novembro do ano passado. A cifra final e o número de clientes elegíveis, porém, dependerão das informações entregues pelo liquidante.
O fato de a fintech fazer parte do conglomerado do Banco Master, liquidado em novembro, complica os cálculos, uma vez que alguns beneficiários podem já ter superado o limite de garantia. Clientes que adquiriram produtos financeiras antes da aquisição do Master, em 2024, terão os direitos preservados. A partir de 22 de agosto daquele ano, nos casos das pessoas que tiverem aplicações em ambas instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, até o limite de R$ 250 mil, de acordo com o FGC.
Se o reembolso já tiver sido integralmente efetuado, não haverá ressarcimento adicional do FGC. Pela atualização mais recente, 448 mil dos 800 mil credores do Master já finalizaram o processo de solicitação das garantias. Os pagamentos começaram oficialmente na última segunda-feira.
O FGC ressalta ainda que não há prazo legal para o início dos pagamentos, embora assegure empreender esforços para começá-los no menor tempo possível. Em outras liquidações, o prazo esteve entre 30 e 60 dias.
O BC determinou a liquidação extrajudicial do Will Bank um dia após a Mastercard bloquear cartões da fintech pela falta de pagamento de valores devidos. A bandeira executou garantias de dívida e passou a ter parte das ações do Banco de Brasília (BRB) e da varejista de móveis online Westwing.
Entenda a situação
Embora o Banco Master tenha sido liquidado em 18 de novembro passado, o Banco Central (BC) havia preservado o Will Bank. Na época, investidores demonstravam interesse em adquirir a instituição, algo que não se concretizou. Desde então, a instituição estava em Regime de Administração Especial Temporária (Raet).
A decisão, vinda pelo BC, desta quarta-feira segue avaliação de que a instituição não tem mais alternativas para se recuperar financeiramente. Assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, o parecer cita que a liquidação ocorre "por extensão", porque o controle do Will Bank era exercido pelo Banco Master.
Em nota, o Banco Central classificou como "inevitável" a liquidação do Will Bank após a decisão da Mastercard. "Tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial", diz a nota.
O BC ainda determinou a indisponibilidade de bens de controladores e ex-controladores da Will Financeira: Will Holding Financeira, Master Holding Financeira, 133 Investimentos e Participações, Armando Miguel Gallo Neto, Daniel Vorcaro, Felipe Wallace Simonsen, Felipe Félix Soares e Ricardo Saad Neto.




