
A Polícia Federal (PF) confirmou a abertura de um inquérito para apurar a denúncia de que influenciadores teriam sido contratados para difamar o Banco Central (BC) e defender o Banco Master. Este é o novo capítulo das investigações que envolvem o banco de Daniel Vorcaro, que teve a liquidação decretada pelo BC em novembro do ano passado após uma série de suspeitas de irregularidades.
Também nesta quinta-feira (8), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus decidiu suspender a inspeção no Banco Central. A ação havia sido determinada no âmbito de uma apuração sobre a liquidação do Banco Master.
Relembre, nesta reportagem, os principais acontecimentos em relação ao Master:
Entenda o caso
1. O que é o Banco Master
Fundada em 1974, a empresa surgiu como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários. Após expansões e alterações societárias, a companhia se tornou um grupo financeiro, passando a se chamar Banco Master.
Entre os anos 2000 e 2010, o Master expandiu sua atuação para a área de investimentos e gestão de recursos. Foi quando passou a ganhar destaque por oferecer produtos com rendimentos muito acima do mercado.
As dúvidas sobre a viabilidade financeira do banco começaram a surgir em 2022, diante da exposição a ativos de risco e negociações que não avançavam.
2. Tentativa de venda
Em setembro de 2025, o Banco Central negou a autorização para o Banco de Brasília (BRB) adquirir a companhia. O negócio foi considerado polêmico desde o anúncio da intenção de compra, pelo valor de R$ 2 bilhões.
As tratativas de venda do banco seguiram mesmo após a negativa do BC para o BRB. No dia 17 de novembro, horas antes da prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master, em operação realizada em conjunto com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A conclusão do negócio, no entanto, foi inviabilizada pela liquidação extrajudicial.

3. Prisão e liquidação
O Banco Master era investigado desde 2024 por fabricação de carteiras de crédito falsas e promessa de rendimentos agressivos, muito acima dos praticados no mercado. Em 18 de novembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, como parte das investigações.
Segundo a Polícia Federal, as fraudes investigadas contra o sistema financeiro podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
Na noite anterior à operação, Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos (SP). A detenção foi antecipada diante do risco de fuga do banqueiro, que teria planejado deixar o país após o anúncio de compra do Master pelo Grupo Fictor. O sócio de Vorcaro, Augusto Lima, também foi preso.
No mesmo dia da deflagração da operação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão foi assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, deixando também sob liquidação judicial a Master SA Corretora de Câmbio.
Doze dias após a prisão, em 28 de novembro, a Justiça Federal determinou que Daniel Vorcaro fosse colocado em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. A decisão se estendeu aos demais presos na Operação Compliance Zero.
4. Polêmica nos tribunais
Desde o dia 2 de dezembro, por ordem do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), todas as investigações envolvendo a liquidação do banco Master correm sob sigilo absoluto. Toffoli também assumiu para si a relatoria do caso no Supremo.
Toffoli era alvo de polêmica após o jornal O Globo publicar que o ministro teria viajado em um jatinho com o advogado Augusto Arruda Botelho, que atua no processo do Master.

Em outra esfera, a repercussão envolvendo a liquidação do Banco Master ganhou novos contornos no dia 11 de dezembro, após o jornal O Globo revelar um contrato entre a instituição e a esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
Duas semanas depois, uma nova publicação do jornal, assinada pela colunista Malu Gaspar, revelou que o ministro Alexandre de Moraes teria procurado o presidente do Banco Central para tratar de interesses envolvendo o Master. Moraes e o BC se manifestaram, afirmando que a reunião foi para discutir as consequências da aplicação da lei Magnitsky, nos Estados Unidos.
O ministro também afirmou que o escritório da esposa jamais atuou na operação de aquisição do Master pelo BRB perante o BC.

5. Acareação
Após ouvir os depoimentos de Daniel Vorcaro e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, a Polícia Federal fez uma acareação entre os dois no final de dezembro.
A medida aconteceu após vaivém no STF, quando Toffoli determinou a presença do diretor do Banco Central Ailton de Aquino foi dispensado. na oitiva. Posteriormente, Aquino foi dispensado.
A juíza do gabinete de Toffoli avaliou que Aquino forneceu informações importantes, enquanto Vorcaro e Costa apresentaram contradições em seus depoimentos.
6. TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) ingressou na polêmica ao determinar inspeção no Banco Central para avaliar a liquidação do Banco Master. Segundo o Estadão, o despacho, assinado pelo ministro Jhonatan de Jesus, solicitou "máxima urgência" na inspeção.
A medida provocou reação do setor financeiro, que voltou a defender a atuação do Banco Central. Entidades representativas de bancos, fintechs e cooperativas de crédito reiteraram a "plena confiança" nas decisões técnicas do BC nos âmbitos de atuação regulatória e de fiscalização.
Em janeiro de 2026, o Banco Central entrou com um embargo de declaração no TCU para questionar a decisão monocrática do ministro Jhonatan de Jesus.
Ao suspender a inspeção, nesta quinta, o ministro Jhonatan de Jesus considerou que a repercussão do caso causa a necessidade de apreciação pelo plenário do TCEU com o objetivo de evitar instabilidade institucional.
7. Influenciadores
Rony Gabriel, vereador do PL de Erechim, no norte do Estado, confirmou que foi procurado por uma empresa para difamar o Banco Central e defender o Banco Master nas redes sociais.
Outros influenciadores teriam sido procurados para realizar o serviço. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) disse que, no final de dezembro, houve um "volume atípico de postagens com menções à entidades e seus representantes".
Rony detalhou que a proposta incluía passagens pagas para São Paulo para reuniões com a equipe de Vorcaro — que cumpre medidas cautelares com tornozeleira eletrônica — para obter mais detalhes, caso ele entendesse necessário.
Conforme o g1, a defesa do Banco Master diz não ter informações sobre o suposto esquema.
