Durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta quarta-feira (14), a Polícia Federal (PF) apreendeu bens como carros, relógios e outros itens de valor em endereços ligados ao dono do Banco Master e aos familiares de Daniel Vorcaro. A ação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Foi realizado o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens dos alvos da ação. A investigação apura a suspeita de que o valor tenha sido desviado da contabilidade do Master para o patrimônio pessoal de Vorcaro e pessoas ligadas a ele.
A PF apura se o banco usava fundos de investimento da Faria Lima para realizar operações financeiras fraudulentas. Por isso, também estão na mira desta segunda fase esses fundos e os empresários envolvidos com eles, como Nelson Tanure.
Tanure havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal no final do ano passado sob acusação de uso de informações privilegiadas no mercado financeiro. Na ocasião, a sua defesa pediu que o caso fosse enviado ao STF por envolver uma corretora ligada ao Master.
O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. A irmã do banqueiro também está entre os alvos.
Segundo a PF, a prisão de Zettel foi realizada para impedir que ele saísse do país e deve ter duração de apenas um dia, com o objetivo de adotar outras medidas para evitar a fuga.
O que diz a defesa de Vorcaro
Representante do empresário se manifestou em nota ao g1.
A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.
O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.
Relembre o caso

Fundada em 1974, a empresa surgiu como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários. Após expansões e alterações societárias, a companhia se tornou um grupo financeiro, passando a se chamar Banco Master.
O banco era investigado desde 2024 por fabricação de carteiras de crédito falsas e promessa de rendimentos agressivos, muito acima dos praticados no mercado. Em 18 de novembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero como parte das investigações.
Segundo a PF, as fraudes investigadas contra o sistema financeiro podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. Desde 2 de dezembro do ano passado, por ordem do ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF), todas as investigações envolvendo a liquidação do banco Master correm sob sigilo absoluto.




